5 de junho de 2026

Como a América do Sul redefiniu sua postura em relação à Palestina, por Rasem Bisharat

O quadro começou a mudar gradualmente no final da segunda década do século XXI, quando correntes populistas de direita retomaram espaço.
Reprodução

América do Sul redefiniu postura em relação à Palestina desde 1970, com apoio da esquerda e mudanças com a ascensão da direita.

Esquerda latino-americana apoia Palestina como causa de libertação e resistência ao imperialismo.

Direita latino-americana vê em Israel modelo de segurança e desenvolvimento, fortalecendo laços com Telavive e Washington.

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Da esquerda à direita: como a América do Sul redefiniu suas posturas em relação à Palestina

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por Rasem Bisharat

Desde a década de 1970, os contornos da posição da América do Sul em relação à causa palestina começaram a tomar forma no contexto de profundas transformações globais. Após a crise do petróleo de 1973, quando a Arábia Saudita decidiu suspender os seus fornecimentos ao Ocidente na esteira da eclosão da Guerra de Outubro entre o Egito e a Síria, por um lado, e Israel, por outro, os países da América do Sul depararam-se com uma nova realidade que redefiniu as suas relações com o mundo árabe e, especificamente, com a causa palestina.

Nessa fase, a maioria das capitais do continente alinhou-se, ainda que simbolicamente, com a posição árabe nos fóruns internacionais, permitindo a abertura de gabinetes da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) no âmbito das missões da Liga Árabe — um gesto com dimensões políticas mais do que estritamente diplomáticas.

Contudo, essa posição adquiriu um ímpeto sem precedentes no início do novo milénio, quando o continente foi atravessado pela chamada “onda rosa”, com a ascensão de governos de esquerda desde a Venezuela até ao Brasil, Bolívia, Argentina e Chile, que exibiram slogans anti-coloniais e anti-hegemonia estadunidense.

No âmbito dessas transformações, a Palestina deixou de ser apenas uma causa de solidariedade externa e passou a funcionar como um espelho que reflecte a identidade da nova esquerda na sua luta contra o imperialismo, e como um símbolo de justiça no discurso político que procura redefinir a relação do Sul com o Ocidente.

Esses anos constituíram o auge da solidariedade latino-americana com a Palestina; governos significativos de esquerda assumiram posições mais firmes em apoio aos direitos palestinos, vendo nisso uma continuidade natural da histórica luta do continente contra a dependência económica e política dos Estados Unidos e seus aliados.

No entanto, esse quadro começou a mudar gradualmente no final da segunda década do século XXI, quando correntes populistas de direita retomaram a iniciativa em várias capitais importantes.

Com essa mudança, o mapa político latino-americano dividiu-se claramente entre dois símbolos contrapostos: a Palestina, que permaneceu no discurso da esquerda como emblema de resistência e justiça social; e Israel, adoptado pela direita como modelo de segurança, desenvolvimento e pertença ao “mundo ocidental”.

A esquerda latino-americana: a Palestina como causa de libertação universal

O alinhamento da esquerda latino-americana com a Palestina não foi um simples gesto de empatia política passageira, mas uma extensão profunda de raízes ideológicas e intelectuais ligadas ao legado do continente na resistência ao colonialismo.

De Hugo Chávez na Venezuela a Lula da Silva e Dilma Rousseff no Brasil, de Néstor e Cristina Kirchner na Argentina até Evo Morales na Bolívia e Michelle Bachelet no Chile, a vaga da “esquerda rosa” adotou a causa palestina como símbolo de justiça internacional e como uma continuação natural do seu discurso anti-hegemonia estadunidense e israelense.

Nesse contexto, o Fórum de São Paulo, fundado pelo presidente cubano Fidel Castro e pelo líder do Partido dos Trabalhadores brasileiro Lula da Silva em 1990, após o colapso da União Soviética, desempenhou um papel central ao orientar o alinhamento político e intelectual da América do Sul e Central em relação à Palestina.

O fórum, que reúne mais de cem partidos e movimentos de esquerda de 27 países, constituiu uma plataforma intelectual e organizativa para unificar o discurso anti-imperialista e anti-hegemonia ocidental, fazendo do apoio aos povos sob ocupação parte da identidade da esquerda latino-americana. Nesse plano, a Palestina tornou-se um tema simbólico central na agenda do fórum, refletindo o seu compromisso histórico com a justiça e a libertação.

Esse direcionamento ideológico traduziu-se em políticas concretas adoptadas por governos emergentes de partidos afiliados ao fórum, do Brasil e da Argentina ao Chile, Bolívia e Venezuela, que assumiram posições firmes contra a ocupação israelense e elevaram a questão palestina nos fóruns internacionais.

Assim, o apoio à Palestina deixou de ser meramente humanitário, convertendo-se numa visão e expressão política coerente com a identidade da esquerda continental, que vê a luta palestina como extensão da longa batalha da América Latina pela independência e soberania. Vários intelectuais da esquerda latino-americana consideram-na a ponta de lança na confrontação contra o imperialismo e o sionismo. A visão de esquerda assenta em três pilares principais:

Primeiro: o legado anti-colonial: a esquerda considera a ocupação israelense um exemplo vivo de hegemonia imperial, análogo ao que os povos latino-americanos sofreram sob o colonialismo europeu e a dependência económica do Ocidente.

Segundo: a aliança com o eixo do Sul global: nas últimas duas décadas, governos de esquerda aprofundaram as suas alianças com forças como o Irão, a Rússia e a China, todas críticas em relação a Israel e apoiantes da Palestina em termos políticos e diplomáticos.

Terceiro: a base popular da esquerda: a esquerda latino-americana apoia-se em sindicatos, movimentos estudantis, organizações populares e igrejas progressistas que veem na Palestina um símbolo de luta e justiça social — expressão da resistência dos povos contra a injustiça global.

Essas posições traduziram-se em ações concretas; na Bolívia, por exemplo, foram cortadas as relações com Israel em duas ocasiões (2009 e 2023), Nicolás Maduro descreveu Israel como um Estado colonial que pratica genocídio, e Lula da Silva provocou uma crise diplomática ao afirmar que o que Israel fazia em Gaza era pior do que as ações de Hitler contra os judeus.

A direita latino-americana: Israel como aliado do Ocidente e da modernidade

Por outro lado, a direita latino-americana adoptou posturas de apoio a Israel em graus variados, fundamentadas em motivações religiosas, de segurança e económicas.

Com a ascensão de lideranças de direita como Jair Bolsonaro no Brasil, Mauricio Macri na Argentina e Sebastián Piñera no Chile, esses governos redesenharam a política externa com bases mais próximas de Washington e Telavive.

A aliança da direita no continente com Israel não foi espontânea; resultou de quatro pilares fundamentais:

  1. Aliança com o Ocidente e os Estados Unidos: a direita latino-americana vê-se como extensão do Ocidente liberal e considera a aproximação a Israel parte da adesão ao “campo democrático” liderado por Washington. Isso manifestou-se de forma evidente no Brasil, quando Bolsonaro descreveu Israel como modelo de segurança e desenvolvimento e decidiu transferir a embaixada brasileira para Jerusalém, num gesto simbólico com significado ideológico.
  2. Influência evangélica-religiosa: em países como o Brasil, a ascensão das igrejas evangélicas protestantes consolidou o sionismo cristão (os novos evangélicos), que considera dever religioso apoiar Israel.
  3. Pragmatismo económico e tecnológico: Israel representa um parceiro atraente em áreas como tecnologia agrícola, cibersegurança e energias renováveis — setores centrais na agenda dos governos neoliberais.
  4. Narrativa de segurança global e satanização da esquerda: a direita recorre a um discurso importado dos media conservadores estadunidenses, que enquadra a questão palestina na luta contra o terrorismo islâmico, posicionando Israel como aliado no combate ao extremismo.

Em suma, o que se altera na América do Sul não é tanto a consciência popular, mas o humor do poder e o equilíbrio governativo. A simpatia popular pelos palestinos mantém-se estável e profundamente enraizada na memória coletiva dos povos do continente, que veem a experiência palestina como reflexo do seu longo historial de colonialismo e repressão. Esse apoio popular é notório em países como o Chile, que acolhe a maior diáspora palestina fora do mundo árabe, e no Brasil e Argentina, onde a maioria costuma considerar Israel uma potência de ocupação mesmo sob governos de direita.

Todavia, esse consenso popular nem sempre se traduz em políticas oficiais, porque o factor decisivo é a autoridade no poder. Quando a esquerda governa, a Palestina regressa ao centro do discurso diplomático como símbolo da luta contra o imperialismo, como fizeram Morales, Lula, Maduro e Kirchner. Governos de esquerda actuam oferecendo apoio político explícito em fóruns internacionais, defendendo os direitos palestinos como extensão do seu projecto ético e histórico.

Quando a direita ascende, a direção muda rapidamente. Governos de direita priorizam a aliança com Washington e Telavive enquanto parceiros para investimento, segurança e desenvolvimento, relegando a Palestina para a margem ou adoptando posições favoráveis a Israel — como ocorreu sob Bolsonaro, Milei e Piñera.

Assim, a posição da Palestina na América do Sul torna-se refém do ciclo eleitoral: com a esquerda, o tom de apoio aumenta; com a direita, diminui em favor de cálculos estratégicos e económicos. O mais importante é que essa oscilação não reflecte uma mudança nos valores da sociedade, mas uma alteração na identidade das elites governantes. A questão palestina não é um assunto geopolítico fixo no continente, antes um marcador ideológico: a esquerda a levanta como bandeira de resistência, enquanto a direita a afasta para evitar confrontos com eixos de poder internacionais.

Em conclusão, na América do Sul a Palestina não perde os povos, perde os governos; a opinião pública permanece, até agora, com forte inclinação favorável, aguardando apenas que alguém converta essa inclinação em política de Estado.

A Palestina como espelho da identidade da América do Sul

A divisão em torno da Palestina na América do Sul ultrapassa os limites da política externa tradicional, convertendo-se numa expressão de um conflito mais profundo sobre a identidade do continente e a sua posição no sistema internacional. A questão palestina deixou de ser um assunto exclusivo do Médio Oriente, transformando-se num símbolo utilizado pelas forças políticas do continente para definir a sua orientação: permanecer como parte do Sul global anti-hegemonia ou alinhar-se ao sistema liberal ocidental liderado pelos Estados Unidos?

  • Conflito sobre a identidade política: a postura em relação à Palestina reflecte a filiação ideológica de cada corrente. A esquerda considera-a uma causa de libertação e continuidade da história do continente na resistência ao imperialismo; a direita aborda-a por via de alianças de segurança e económicas, vendo em Israel um modelo de desenvolvimento e poder militar.
  • Retrocesso do centro político: o desaparecimento de partidos e forças centristas criou um cenário fortemente polarizado: uma esquerda internacionalista que defende a Palestina como causa humanitária e ética, e uma direita que vincula os seus interesses a Israel como parceiro fiável em segurança e economia. Assim, o continente perdeu a zona cinzenta que anteriormente atenuava a polarização.
  • Peso dos Estados Unidos: a influência crescente de Washington sobre governos de direita, via acordos de segurança e comércio, tornou a relação com Israel um indicador de afinidade com as políticas americanas. Como consequência, a posição sobre a Palestina passou a integrar a equação de lealdade política na região.
  • Impacto dos meios de comunicação e da religião: os media conservadores e as correntes evangélicas promovem Israel como “bastião da civilização cristã”, enquanto os media de esquerda, sindicatos e movimentos de solidariedade apresentam a Palestina como símbolo de resistência ao capitalismo global. O discurso mediático e religioso converte-se, assim, numa das principais fontes de formação da opinião pública sobre a questão.

Deste modo, a Palestina deixou de ser um dossier externo passageiro e tornou-se num espelho que revela a profunda divisão sobre a identidade e as opções estratégicas do continente.

Recomendações: Como recuperar presença na América do Sul

Face às rápidas transformações políticas na América do Sul, onde a posição em relação à Palestina oscila entre marés de solidariedade de esquerda e ilhas pragmáticas de direita, urge uma revisão abrangente da abordagem palestina na gestão das relações com as forças emergentes na região.

O apoio latino-americano já não se funda apenas na ideologia, como nas décadas do “solidarismo universal”; hoje encontra-se condicionado por considerações de segurança, estabilidade e desenvolvimento.

Dessa premissa emergem um conjunto de recomendações práticas que podem constituir um roteiro para a política palestina no continente:

1. Redefinir o discurso palestino de modo a intersectar com os interesses da direita

As forças de direita na América do Sul movem-se por um pragmatismo que privilegia resultados concretos sobre slogans ideológicos. Assim, o discurso palestino precisa ser reformulado para apresentar a causa como uma questão de estabilidade e desenvolvimento, não apenas um conflito religioso ou político. Deve-se transitar de um discurso de vitimização para um discurso de parceria, que pode ser o mais eficaz para construir pontes com governos de direita, reapresentando a Palestina na consciência direita como:

  • um factor de estabilidade regional influente na equação da segurança global;
  • um exemplo de luta por justiça e dignidade humana, valores que se cruzam com o discurso democrático de alguns sectores da direita;
  • um parceiro económico potencial em áreas como agricultura, tecnologias verdes e educação.

2. Diplomacia pragmática e multicanal

A direita latino-americana não constitui um bloco monolítico; varia entre o evangelismo conservador no Brasil e o liberalismo económico na Argentina e Chile. Tal diversidade exige da diplomacia palestina planos de comunicação adaptados a cada tipo político, por meio de:

  • abertura de canais com centros de pensamento e instituições económicas próximos das esferas de direita;
  • reforço da presença de porta-vozes palestinos especializados em economia, segurança e desenvolvimento;
  • construção de relações paralelas fora do espaço governamental formal, em especial com empresariado e meios de comunicação conservadores influentes.

3. Activação do soft power palestino

Apesar da crescente influência israelense em tecnologia e media, a Palestina possui um capital cultural e humano profundamente enraizado na consciência popular latino-americana, passível de ser aproveitado. As acções possíveis incluem:

reforço da cooperação académica e cultural através da criação de centros de investigação, programas de intercâmbio universitário e tradução da literatura palestina para espanhol e português;

realce da dimensão cristã palestina, sobretudo em Jerusalém e Belém, para activar uma linguagem emocional eficaz junto da opinião pública cristã conservadora;

investimento em produções mediáticas e artísticas, curtas documentais e programas humanitários que retratem a experiência quotidiana palestina, afastando-se do discurso político convencional.

4. Alargamento de alianças através da sociedade civil

Mesmo com a alternância governativa, a sociedade civil na América Latina tende a ser mais estável e influente do que as instituições políticas. Por isso, os palestinos podem construir redes duradouras de solidariedade por meio de:

  • apoio a organizações de amizade palestino-latino-americanas em sindicatos e universidades;
  • criação de laços profissionais conjuntos (médicos, engenheiros, jornalistas) para intercâmbio de experiências com pares palestinos;
  • investimento na formação de uma nova geração de activistas conservadores que funcionem como ponte natural para governos de direita.

5. Dissociar a admiração da direita por Israel

A simpatia da direita latino-americana por Israel deriva da sua imagem de sucesso e segurança, e não de inimizade para com árabes ou com o Islão. Nesse sentido, o discurso palestino deve neutralizar essa admiração com uma narrativa profissional que evidencie que a ocupação não garante segurança, mas constitui um obstáculo ao desenvolvimento e à estabilidade regional.

É preferível que a comunicação palestina enfatize:

  • a ligação entre uma paz justa e a “segurança sustentável”, ideia central no pensamento pragmático de parte da direita;
  • a utilização de plataformas mediáticas conservadoras para transmitir uma voz palestina calma e persuasiva, afastada do tom propagandístico ou acusatório.

6. Diversificar instrumentos diplomáticos

Para reforçar a presença palestina no panorama latino-americano, é necessário transcender a diplomacia oficial e adoptar mecanismos mais amplos e flexíveis, incluindo:

  • intensificação do diálogo parlamentar com deputados de direita sensíveis à causa;
  • investimento em relações a nível local e municipal, não apenas com governos centrais;
  • lançamento de projectos simbólicos conjuntos em áreas como agricultura ou saúde sob a rubrica “Parceria Palestina–América Latina”, consolidando laços duradouros que excedam a alternância administrativa.

7. Transformar as diásporas palestinas em um braço diplomático paralelo

As comunidades palestinas na América do Sul constituem um dos recursos estratégicos mais importantes na diplomacia palestina. Estas diásporas dispõem de elementos de poder raramente encontrados noutras regiões: influência económica significativa, legitimidade social decorrente da sua integração histórica nas sociedades do continente, redes que alcançam o mundo empresarial, político, as igrejas e as câmaras municipais, bem como domínio das línguas e culturas locais. Esses atributos permitem-lhes influenciar de forma eficaz a formação de posições da direita latino-americana, frequentemente mais sensível a argumentos pragmáticos e económicos do que a slogans políticos tradicionais.

Deste modo, recomenda-se organizar institucional e profissionalmente este papel através de órgãos de assuntos dos emigrantes e das federações palestinas no continente, em particular a Confederação Palestina da América Latina e do Caribe (COPLAC), de forma a habilitar as diásporas a agir como mediadoras eficazes entre a Palestina e os decisores na América do Sul. Quando a sua força económica for mobilizada, o seu capital social aproveitado e as suas redes de influência orientadas por objectivos claros, as diásporas poderão tornar-se num canal de pressão suave que preserve a presença da questão palestina na agenda política latino-americana, independentemente do partido no poder. Assim, as diásporas transformam-se de elemento de apoio moral em ferramenta estratégica capaz de fixar a presença palestina e proteger os seus interesses numa região onde as posições governamentais oscilam conforme os ciclos eleitorais.

Conclusão

A divisão latino-americana sobre a Palestina não constitui meramente um desacordo diplomático, mas o reflexo de um conflito mais profundo sobre a identidade do continente e o seu papel no mundo.

Entre uma esquerda que vê na Palestina a continuação da luta de libertação da hegemonia, e uma direita que considera Israel como porta de entrada para o mundo ocidental, desenha-se neste debate um confronto intelectual que redesenha o posicionamento da América do Sul na nova ordem internacional:

Será a voz do Sul uma resistência independente ou transformar-se-á num parceiro subordinado do bloco ocidental?

O sucesso palestino neste contexto não dependerá apenas de uma postura ética ou simbólica, mas de uma diplomacia estratégica inteligente que combine discurso humanitário, parcerias económicas e poder brando cultural, de modo a manter a Palestina como parceiro visível e influente num continente onde os ventos políticos mudam rapidamente.

Dessa forma, a Palestina consolida-se na consciência latino-americana como símbolo de resistência e justiça, e simultaneamente como parceiro real para segurança e desenvolvimento, apta a enfrentar desafios futuros e a converter a divisão continental numa oportunidade para reforçar a sua presença diplomática, política e cultural na América do Sul.

Dr. Rasem Bisharat – Doutor em Estudos do Oeste Asiático e especialista em assuntos latino-americanos

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