18 de junho de 2026

Congelar quem ou o quê?, por Francisco Celso Calmon

Não foi e nem é o congelamento ou arrocho de salários que eleva a produtividade, é exatamente o contrário, esse é um fenômeno histórico.
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Congelar quem ou o quê?

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por Francisco Celso Calmon

Quem precisa ser congelado é o brasileiro-norte-americano Armínio Fraga. E não é retórica, realmente os espaços dados ao banqueiro são desproporcionais à sua competência e eventual contribuição ao debate econômico.

Armínio não entende de capitalismo, só entende de uma fração dele que é o capitalismo financeiro. Por isso, não compreende, à luz da história, do desenvolvimento capitalista, o papel que desempenham as melhorias salariais, porque força a buscar aumento da produtividade, via novas tecnologias e métodos de produção.

Não foi e nem é o congelamento ou arrocho de salários que eleva a produtividade, é exatamente o contrário, esse é um fenômeno histórico.

Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, declarou de forma enfática que o pleno emprego não deveria existir, pois gera, segundo ele, inflação, isto porque os capitalistas diminuem o poder de negociação, já que não há mão de obra disponível para a qualquer tempo e hora substituir àqueles que estão na ativa com salários que satisfaçam as suas necessidades elementares.

Quando o salário-mínimo é aumentado, o capital força engenheiros, ferramenteiros, enfim, técnicos e gestores, buscarem mais criatividade e performances para alcançar a meta permanente do capitalismo, ou seja, a maximização do lucro.

Sendo Arminio Fraga um ideólogo do rentismo, conseguiu suscitar o velho debate quanto ao salário-mínimo, diga-se de passagem, que é inconstitucional, basta recorrermos a Constituição, artigo 7º, inciso IV, que estabelece: “salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim”, e, por outro lado, a reconhecer que o salário mínimo, na forma atual, serve mais aos empresários do que aos trabalhadores.

O salário-mínimo real deveria ser aquele salário médio ou o salário mediano da massa salarial, como salários referências, deixando o salário-mínimo sem existência, sem ser referência, sairemos do mínimo para o médio, e todas as vezes que aumentarem os altos salários, o médio aumenta.

Atualmente o salário médio que o IBGE apresentou no final de fevereiro estava em R$ 3.428 e o mediano em R$ 3.378.    (https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2025/03/28/salario—pnad-fevereiro.htm)

Os democratas da justiça social, deveriam retrucar e contraditar falas atrasadas, anacrônicas, de ideólogos ultrapassados, como Roberto Campos Neto, Armínio Fraga, e o outros que não vem ao caso nomeá-los.

Enquanto os altos salários correrem soltos no mundo institucional e no mundo privado, e o salário-mínimo continuar inconstitucional, estar-se-á praticando a injustiça social e instabilidade democrática.

A saída para isso é indexar o salário-mínimo ao salário máximo de forma que, à guisa de exemplo, o maior salário não poderia ultrapassar o menor em mais de 12 vezes.

A concentração de renda no Brasil é fator de desequilíbrio fiscal e social, e não o salário-mínimo.

Toda vez que se aproxima da taxação dos ricaços, jogam o foco no salário, quando não é no mínimo, é no dos servidores públicos. 

O imperialismo sendo o estágio maior do capitalismo, na atualidade representado pelos Estados Unidos, está vivendo uma crise estrutural de identidade, pois não se preparou e resiste ao movimento inevitável do fim do unilateralismo para o predomínio do multilateralismo.

A esquerda ao ter abandonado a luta ideológica, desertou da crítica imperiosa ao capitalismo predatório ao homem e a natureza, cujo modo de produção se esgota periodicamente, gera crises, e as soluções têm sido através do desemprego massivo e de guerras de dominação e espoliação.

 A política de Trump é suicida, por um lado, mas por outro, evidencia que não haverá mais volta atrás, e a guerra tarifária está mostrando que, por hora, os Estados Unidos estão se fechando e diminuindo seus poderes internacionais.

Na política é necessário e tempestivo colocar na ordem do dia a análise do capitalismo, da sua elite, no sentido de criarmos uma massa crítica que entenda e acelere a ruína do império estadunidense.

Devemos aceitar o debate e não congelar, retomar a luta ideológica congelada com a queda do mundo de Berlim e o fim da União soviética, é vital para a conjuntura de reorganização internacional do poder.   

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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2 Comentários
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  1. Bruno

    22 de abril de 2025 10:37 am

    O texto joga luz sobre um debate necessário e urgente: o papel do salário mínimo no desenvolvimento econômico e social do país. Enquanto vozes como Armínio Fraga e Campos Neto ainda defendem o arrocho salarial como ferramenta de controle inflacionário, a história econômica mostra justamente o oposto — salários dignos impulsionam produtividade, inovação e justiça social.

    É hora de romper com o discurso elitista e olhar para o salário mínimo como instrumento de dignidade, não de contenção. A crítica feita no artigo é certeira: precisamos descongelar a luta ideológica, questionar os privilégios e defender uma distribuição de renda mais justa. O Brasil não pode continuar sendo o país do mínimo enquanto poucos vivem com o máximo.

    🧊 Não é o povo que precisa ser congelado. É a velha lógica dos rentistas.

  2. Rui Ribeiro

    22 de abril de 2025 10:55 am

    “Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, declarou de forma enfática que o pleno emprego não deveria existir, pois gera, segundo ele, inflação, isto porque os capitalistas diminuem o poder de negociação, já que não há mão de obra disponível para a qualquer tempo e hora substituir àqueles que estão na ativa com salários que satisfaçam as suas necessidades elementares”. – Urariano

    O pleno emprego não gera inflação, ela reduz os lucros, já que a ausência de concorrência entre os trabalhadores valoriza os salários. Salários e lucros são grandezas inversamente proporcionais. O Roberto Campos Neto se alimenta das migalhas que caem do banquete dos poderosos e, por isso, é contra a redução dos lucros e elevação dos salários, pois quanto maiores os lucros, mais ele será contemplado com as migalhas do banquete burguês.

    Nos Manuscritos Econômicos-Filosóficos, o Marx escreveu:

    “Analisemos uma sociedade em que a riqueza aumenta. Esta ocorrência é a única favorável ao trabalhador. Neste caso, há concorrência entre os capitalistas e a procura de trabalhadores supera a oferta. Mas, primeiramente, a elevação de salários leva ao EXCEDENTE DE TRABALHO entre os trabalhadores. Quanto mais desejam ganhar, mais têm de abrir mão do tempo e realizar um trabalho de escravo, em que sua liberdade se encontra totalmente alienada e a serviço da mesquinhez. Assim, abreviam suas vidas. Redução análoga do tempo de vida é uma conjuntura favorável para a classe trabalhadora como um todo, já que torna necessária uma oferta sempre renovada de trabalhadores. Esta classe tem sempre que sacrificar uma parte de si mesm, para não ser arrasada em seu conjunto”.

    Ou seja, ao se elevar os salários, a produtividade e o grau de expropriação do operário crescem num grau muito maior, mais do que compensando o capitalista que elevou os salários. Arminio Fraga é um imbecil tanto quanto o Campos Neto.

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