E você, achando que o problema eram os discos voadores…
por Felipe Bueno
… procurou descobrir o que eram aqueles acordes misteriosos que remetiam a uma antiga série de TV do século passado, usados recentemente em noticiários e redes sociais para ironizar mais um devaneio do presidente dos Estados Unidos.
Sábia foi a pessoa que eventualmente se questionou mais ou menos assim: mas será que ele não tem razão?
Para quem não acompanhou o momento citado acima, vamos recordar: semanas atrás, com o mundo já demonstrando altos índices de ansiedade por quatro ou cinco razões geopolíticas sérias, Donald Trump afirmou que iria pedir às autoridades responsáveis a abertura dos arquivos sobre vida alienígena e objetos voadores não identificados. Pouco antes, em um podcast, Barack Obama, com o estado de espírito de quem já não deve mais nada a ninguém, tinha comentado que sim, “eles” existiam, mas não poderia provar porque nunca havia visto.
Por algum tempo – seja lá como ele é contado nos tempos atuais – pessoas sérias e piadistas, algumas inclusive sérias e piadistas, misturaram Blue Book, Área 51 e Arquivo X em suas postagens, comentários e especulações. A discussão sobre o tema não é nova, vem ocupando a mente de autoridades dos Estados Unidos faz décadas. E, como costuma acontecer, logo depois, tudo voltou ao subsolo, onde fica até hoje escondido o escritório do agente Mulder.
Trump, seu entorno, seus ideólogos e seus apoiadores têm a capacidade até agora inesgotável de ocupar as páginas do noticiário de maneira a sufocar pautas que não sejam alinhadas a seus interesses econômicos, militares e geopolíticos.
De vez em quando, dá tempo inclusive de decretar o aumento da pressão dos chuveiros e das torneiras, como ele determinou no ano passado, desfazendo a “guerra da esquerda contra a pressão da água”, como afirmou na ocasião.
De volta aos OVNIs, dez dias depois, o mundo, não mais ofuscado por luzes brilhantes desconhecidas, acordou novamente nesse jovem ano de 2026 com a verdade gritando em seus smartphones. Uma nação soberana mais uma vez foi atingida, uma liderança mais uma vez foi tirada de circulação – no caso específico, para sempre.
Alerta: este texto não se pretende uma defesa da indefensável revolução islâmica de 1979 e seus representantes neste ou em outros planos cósmicos. Assim como adverte para a repetição do erro de transformar em sinônimos dois elementos absolutamente distintos: os líderes e seu povo, ainda que em muitos casos haja superposição. Esse erro tem sido adequado para propósitos rasos e mal-intencionados ao longo da História, muito antes de Jesus Cristo e o Instagram terem passado pela Terra.
Os fatos estão aí, à medida que conseguimos separá-los das cortinas de fumaça das narrativas enviesadas. É muito difícil, em 2026, acreditar no que estamos lendo, ouvindo ou vendo. Mas insistir é resistir.
Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem graduação em Jornalismo e História, com especializações em Política Contemporânea, Ética na Administração Pública, Introdução ao Orçamento Público, LAI, Marketing Digital, Relações Internacionais e História da Arte.
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