2 de outubro de 2026

Eleições: uma farsa equivalente a uma nota de 30 reais, por Edmundo de Moraes

O saudoso Mino Carta diria que até os minerais sabem que a eleição do 01 significaria a submissão incondicional aos interesses dos EUA
Jair Bolsonaro presta homenagem à bandeira dos EUA - Reprodução redes sociais

Milhões de eleitores ainda estão indecisos nas eleições presidenciais, refletindo o desinteresse político atual.
Campanha do candidato 01 é criticada por usar imagem fictícia e associar-se ao passado do pai sem abordar problemas reais.
Eleição do candidato 01 é vista como submissão aos EUA e uma farsa maior que a de 2018, comparada a uma “nota de 30 reais”.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Eleições: uma farsa equivalente a uma nota de 30 reais.

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por Edmundo Carlos de Moraes

Este texto é destinado a você que ainda não decidiu o que vai fazer no dia da eleição.

As últimas pesquisas de intenção de votos para presidente mostram que milhões de eleitores ainda não sabem em quem irão votar. Eu compreendo essa indecisão. Afinal, recebemos a todo momento estímulos para se desinteressar da política. Talvez você seja uma dessas pessoas que “não quer saber de política”. Eu penso que não existe o “não querer saber de política” pois esta já é uma posição política. Quando você se abstém já está participando do processo de decisão ao deixar que outros decidam por você.

O desinteresse pela política resulta de um movimento histórico de despolitização. O golpe de 64 reprimiu e controlou as atividade políticas. A despolitização foi explícita. A  redemocratização permitiu a reorganização partidária e a liberdade da atividade política. Os movimentos sociais que surgiram no combate ao regime autoritário trouxeram para a cena política atores que antes haviam permanecidos na plateia como meros expectadores. Com isso, desencadeou-se uma reação com a demonização da política. Difundiu-se, principalmente pela mídia corporativa, a ideia simplista de que todos os políticos são iguais, que “é tudo a mesma coisa”, que política “é coisa suja”.  Política passou a ser sinônimo de politicagem.

A expansão dos meios de comunicação e o desenvolvimento das técnicas publicitárias incorporaram-se cada vez mais nas campanhas eleitorais. Os candidatos passaram a ser considerados como uma mercadoria a ser vendida. Na atual campanha, o candidato identificado pelo pai como o 01 está sendo oferecido ao público eleitor como um personagem de uma peça de ficção sem qualquer lastro com a sua realidade. Cria-se a imagem de que o país está um desastre e que ele vai resolver todas os nosso problemas. Além da infantilidade da figura do super-herói, essa campanha é desonesta. A maioria dos nossos problemas são estruturais e ele não tem interesse ou competência para resolvê-los.

Como o candidato não tem nada para oferecer de si próprio, agarra-se à imagem do pai sem deixar à mostra, é claro, o que foi o seu desgoverno. Duas lembranças simbólicas desconstroem toda a falácia dessa campanha. As centenas de milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas na pandemia e a manchete da Folha de São Paulo em 29 de setembro de 2021: “Caminhão de ossos no Rio é disputado por população com fome”. Creio que isso é suficiente.

Além do despropósito que seria repetir um desgoverno do qual já conhecemos as nefastas consequências, desta vez ainda temos a questão da nossa soberania. O saudoso Mino Carta diria que até os minerais sabem que a eleição do 01 significaria a submissão incondicional aos interesses dos Estados Unidos. Uma submissão do tamanho da bandeira americana estendida pela Avenida Paulista e da magnitude das ingerências junto ao governo americano para sanções contra o nosso país.

Em resumo, se a campanha de 2018 pode ser vista como uma farsa comparada ao ato de se passar uma nota falsa de 50 reais, agora o que se pretende é uma farsa ainda maior, comparada ao ato de se passar uma nota de 30! Uma nota de 50 pode ser falsa, mas uma nota de 30 é uma ficção, um devaneio, um delírio.

Pense nisso tudo no momento de decidir o que você vai fazer no dia da eleição. Eu já decidi. Vou me levantar cedo para ir votar no Lula.

Edmundo Carlos de Moraes – Professor Titular Aposentado Centro de Cincias Biológicas Universidade Federal de Santa Catarina

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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