1 de novembro de 2026

Flávio foge para lutar contra o Brasil, por Gustavo Tapioca

Quem celebra a derrota de Flávio como o fim do perigo comete um erro fatal. O bolsonarismo não morreu. Está vivo, salivando e perigoso.

Flávio Bolsonaro fugiu para os EUA após derrota eleitoral, buscando apoio para sabotar a soberania do Brasil.
A Doutrina Donroe, relançada por Trump, tenta submeter a América Latina, com o Brasil como alvo central.
A extrema direita brasileira mantém força e articulação, exigindo mobilização popular para defender a democracia.

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Flávio foge para lutar contra o Brasil 

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Quem celebra a derrota de Flávio como o fim do perigo comete um erro fatal. O bolsonarismo não morreu. Está vivo, salivando e mais perigoso do que nunca. 

Por Gustavo Tapioca 

Derrotado nas urnas, o filho de Jair busca proteção em Washington para sabotar a soberania brasileira e submeter o país aos interesses imperialistas da Doutrina Donroe de Trump e Rubio 

A vitória nas urnas impediu que a extrema direita retomasse o Palácio do Planalto, é verdade. Mas essa vitória não destruiu o ecossistema podre — político, financeiro, religioso e digital — que sustentou a candidatura da extrema direita.  

Muito menos interrompeu as garras de Donald Trump e Marco Rubio sobre a nossa soberania. 

A fuga vergonhosa de Flávio para o solo americano, logo após o baque eleitoral, não é a mera covardia de mais um covarde do clã em busca de asilo.  

O candidato derrotado perdeu o mandato, mas jamais perdeu sua utilidade servil para os interesses de Washington.  

O Brasil continua sendo o troféu que falta ao projeto de dominação imperialista de Trump. 

A Joia da Coroa na Mira da Doutrina Donroe 

Em março de 2026, sob o disfarce hipócrita de combate ao crime e ao narcotráfico, Trump lançou o chamado Escudo das Américas.  

A cortina de fumaça é óbvia: trata-se da ressurreição mais nefasta da Doutrina Monroe — a “Doutrina Donroe” —, uma engrenagem escancarada para submeter a América Latina ao garrote dos Estados Unidos. 

Sob chantagem, alinhamento ideológico ou força bruta, Washington foi dobrando os governos da região: Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai, Peru, Colômbia, Equador e Guiana foram enfileirados.  

Na Venezuela, a truculência do império chegou ao cúmulo do sequestro criminoso do presidente Nicolas Maduro e de sua esposa dentro do próprio Palácio Miraflores, em Caracas — jogados há dez meses nas masmorras de Nova York.  

Em Cuba, o genocídio de um povo asfixiado pelo reforço assassino do embargo que dura mais de 60 anos. 

Mas o mapa deles está incompleto. Falta a peça central.  Falta o Brasil. 

A maior economia da América Latina, a soberania da Amazônia, as reservas de minerais estratégicos, a posição geopolítica firme nos BRICS. O Brasil não é uma colônia qualquer; é o maior obstáculo continental ao avanço da hegemonia norte-americana.  

Com Flávio Bolsonaro no poder, a entrega da nossa riqueza e do nosso território ao Escudo das Américas estaria assinada. A vitória do povo brasileiro barrou essa vassalagem, mas a ganância imperialista não recuou. 

Um Fantoche Útil em Washington 

Não se enganem com a figura patética de Flávio Bolsonaro fugindo do país. Ele não é um zumbi político sem massa crítica. Carrega consigo o nome Bolsonaro, o voto de 60 milhões de pessoas e uma estrutura familiar profundamente entranhada nos aparelhos do Estado. 

O chefe do clã está atrás das grades, onde cumpre justa pena por tentar golpear a democracia.  

Mas a contaminação permanece: Michelle e Carlos encastelados no Senado, Jair Renan e Renato na Câmara Federal, além de bancadas inteiras, governadores subservientes e redes ilegais de desinformação prontas para o disparo. 

Pior: a fuga de Flávio teve as digitais diretas do entorno de Trump. E a pergunta que exige resposta indignada é uma só:  

por que a cúpula da maior potência militar do planeta se mobilizaria para salvar a pele de um derrotado? 

Porque Flávio Bolsonaro não precisa da faixa presidencial para sabotar o país. Servindo de marionete a partir de Washington, ele é a ferramenta perfeita para conspirar contra a estabilidade do Brasil. 

A Ameaça é Real e Continua Aqui 

Ao longo de toda a campanha, a extrema direita deixou claro o país que pretendia construir: 

  • Na segurança: o modelo bárbaro e encarcerador do autocrata Nayib Bukele. 
  • Na economia: o desmonte ultraliberal e famélico do entreguista Javier Milei — o único líder sul-americano que se recusa grotescamente a reconhecer o resultado soberano das urnas brasileiras. 
  • Nas instituições: o aparelhamento e o estrangulamento do Supremo Tribunal Federal para pavimentar o caminho do autoritarismo sem freios. 

A eleição foi vencida, mas o monstro continua espreitando. A extrema direita brasileira atua em sintonia direta com o projeto imperialista dos Estados Unidos de Trump e Rubio. A nossa democracia não enfrenta apenas inimigos internos. 

Enfrenta uma ofensiva transnacional. 

Esquecer Jamais:  

O Erro de 2022 não Pode Se Repetir 

Cometemos o erro da ingenuidade em 2022. Derrotamos o capitão golpista Jair Bolsonaro, o pai de Flávio, que, como o filho, homenageia torturadores e exalta a ditadura militar. Vimos o pai covarde fugir para os EUA antes mesmo da posse. Achamos, tolamente, que o bolsonarismo havia sido soterrado. 

Não foi. A Justiça agiu e trancou o golpista pai na cadeia por 27 anos e 3 meses. Mas o fascismo se reinventou, alimentou suas bases e lançou o filho Flávio para dar continuidade ao projeto de destruição. 

Derrotamos o pai em 2022. Derrotamos o filho em 2026. Mas o bolsonarismo continua alimentado pelo apetite da Doutrina Donroe. Não há espaço para complacência. 

Da Geração de 68 aos Meninos e Meninas de 2026:  

Todos às Ruas! 

A reação não pode esperar. Ela começa agora, sem trégua. 

Os jovens estudantes brasileiros já deram o recado e convocaram a resistência. Neste domingo, 1º de novembro, às 10h, a Avenida Paulista, em frente ao MASP, será o palco da nossa resposta.  

Como bem cravou Camila Moraes, secretária-geral da UNE: “Ameaças de Flávio Bolsonaro vão bater de frente com as mobilizações de massa.” 

É a juventude que derrotou o medo nas urnas que precisa voltar a ocupar cada metro de asfalto. É a geração dos Meninos e Meninas de 2026 chamando para a marcha aqueles que carregam a história nas marcas do rosto: os Meninos e Meninas da geração 68. 

Aqueles jovens que enfrentaram os porões da ditadura militar, a tortura e a censura, os sobreviventes hoje têm os cabelos brancos, mas mantêm a chama da indignação intocada.  

Quase seis décadas separam essas duas gerações, mas o mesmo sangue antifascista corre em suas veias. 

A eleição foi a primeira batalha. A guerra pela nossa soberania continua. 

Trump e Rubio não vão desistir do Brasil. O Escudo das Américas continua projetando sua sombra imperialista sobre a nossa terra. E a extrema direita interna continua pronta para vender o país a preço de banana. 

A democracia não se defende com passos tímidos em gabinetes. 

Defende-se com o povo mobilizado nas ruas! 

Que a juventude de hoje marche lado a lado com os veteranos da resistência. 

Ontem, contra a ditadura militar. Hoje, contra a extrema direita e a submissão do Brasil ao império. 

O Brasil não é quintal de Washington! 

Bolsonaros e entreguistas, NUNCA MAIS!

Gustavo Tapioca – Jornalista. Ex-diretor do Jornal da Bahia. Assessor de Comunicação da Telebrás. Consultor do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Autor de “Meninos do Rio Vermelho” e de “Entre o golpe e a eleição“.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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Gustavo Tapioca

Gustavo Tapioca é jornalista formado pela UFBa e MA pela Universidade de Wisconsin. Ex-diretor de Redação do Jornal da Bahia. Assessor de Comunicação da Telebrás, Oficial de Comunicação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do IICA/OEA. Autor de Meninos do Rio Vermelho, publicado pela Fundação Jorge Amado.

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