Frederico II comandou exércitos e ele sabia das coisas…, por Fábio de Oliveira Ribeiro

A julgar pelo desempenho de Jair Bolsonaro como oficial militar subalterno, como deputado federal e como presidente devemos admitir que os exércitos continuam recrutando seus membros no rebotalho da sociedade.

Frederico II comandou exércitos e ele sabia das coisas…

por Fábio de Oliveira Ribeiro

Em seu “O Anti-Maquiavel”, Frederico II (1712-1786 ) atacou as teses do diplomata florentino com alguma eloquência. É possível discordar de algumas coisas que o rei da Prússia disse sobre Maquiavel. Mas ele estava coberto de razão quando disse que:

“A soldadesca é composta da parte mais baixa do povo, preguiçosos que preferem a ociosidade ao trabalho, libertinos que procuram a devassidão e a impunidade nas tropas [homens que não têm docilidade e obediência diante dos pais], jovens desajustados que se alistam por libertinagem, e, [servindo apenas por leviandade,] têm tão pouca inclinação e apego ao seu senhor quanto aos estrangeiros. Como essas tropas são diferentes daqueles romanos que conquistaram o mundo!” (O Anti-Maquiavel, Frederico II, editora Martins Fontes, São Paulo, 2014, p. 67)

A julgar pelo desempenho de Jair Bolsonaro como oficial militar subalterno (ele foi expulso do Exército; o general Ernesto Geisel disse que ele era mau militar), como deputado federal (ele passou duas décadas na Câmara dos Deputados e nunca apresentou um Projeto de Lei proveitoso para a sociedade brasileira) e como presidente (sob o comando dele, o Brasil caiu para a 13a. posição entre as nações mais ricas; Bolsonaro já é responsável por 200 mil mortes e continua sabotando o combate a pandemia) devemos admitir que os exércitos continuam recrutando seus membros no rebotalho da sociedade. Ironicamente, o mito parece ter sido convencido de que é um homem branco superior com um destino manifesto.

Bolsonaro desdenha os brasileiros dizendo que eles não são capazes de fazer nada. Ele faz questão de exibir publicamente seu ódio e desprezo por negros quilombolas, índios, gays, mestiços, etc… Sempre que abre ele abre a boca, o presidente brasileiro vomita o excremento tóxico do qual se alimentou ao conviver com a soldadesca e os milicianos cariocas.

Ao que tudo indica, a tese de Frederico II também é aplicável às Polícias Militares. Portanto, podemos dizer que as milícias comandadas pela família Bolsonaro são organizações compostas pelo rebotalho do rebotalho da sociedade brasileira. Os milicianos geralmente são recrutados entre policiais expulsos das PMs em virtude de terem cometido infrações funcionais gravíssimas e/ou crimes comuns (assassinato, roubo, apropriação indébita, agressão, estupro, tráfico de drogas, etc).

Nesse sentido, é preocupante a tramitação de um Projeto de Lei que retira o comando das PMs das mãos dos governadores estaduais para outorgá-los à presidência da república. Na prática, as milícias passarão a comandar contingentes policiais que, em tese, podem e devem ser usados para reprimir a criminalidade política e comum dos próprios milicianos bolsonaristas.

Depois que comandarem as PMs, as milícias bolsonaristas certamente desejarão se transformar em uma corporação político-militar com poder de supervisão sobre o Exército, a Marinha e a Aeronáutica. Isso já ocorreu no passado. Esse foi o caminho utilizado por Adolf Hitler, cuja milícia de ex-soldados criminosos, racistas, violentos, assassinos, ladrões e arruaceiros foi transformada na SS. Em pouco tempo, a própria SS virou um exército pessoal do Führer dentro do Exército do III Reich.

Apesar do discurso oficial de Heinrich Himmler acerca da superioridade racial dos seus subordinados, a SS também foi composta pelo rebotalho do rebotalho da sociedade alemã. Isso explica porque ela se tornou uma máquina de moer gente utilizada para exterminar doentes mentais, judeus e ciganos, para suprimir liberdades políticas e, inclusive, para reprimir qualquer tipo de insubordinação política dentro das Forças Armadas do III Reich. Todavia, quando finalmente entraram na guerra, as divisões da SS foram rapidamente derrotadas por tropas regulares do Exército Vermelho e fugiram do campo de batalha. A superioridade dos milicianos nazistas era um mito.

A superioridade de Bolsonaro e de sua milícia também é um mito. Mas ninguém pode se enganar. Se conseguirem comandar as PMs em todos os Estados da Federação, os milicianos bolsonaristas se transformarão numa força política tão perigosa e letal quanto a SS nazista. E quando isso ocorrer, nem os cidadãos comuns nem os oficiais militares brasileiros estarão em segurança.

No mais, Frederico II também estava certo quando disse que:

“O peso da tirania nunca se faz sentir tanto como quando o tirano quer cobrir-se das aparências de inocência e quando a opressão se dá à sombra das leis.” (O Anti-Maquiavel, Frederico II, editora Martins Fontes, São Paulo, 2014, p. 36)

O peso da tirania da milícia já é insuportável. Ela se tornará ainda maior quando as PMs ficarem sob o comando de milicianos fascistas e criminosos.

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