8 de junho de 2026

Há mais mistérios sob a peruca de Fux do que a de Luiz XIV, por Armando Coelho Neto

O Rei Sol era absolutista, ponto do qual Fux se aproxima, ao nutrir simpatias com o ideário bolsopata e seus contornos ditatoriais.
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Há mais mistérios sob a peruca de Fux do que a de Luiz XIV

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por Armando Coelho Neto

O Rei Luiz XIV (França) teria sido uma criança diferenciada, e segundo a lenda, já teria nascido com dois dentes. Crescidinho, não gostava de ler, adorava dançar, admirava artes militares. Sua vida sexual teria começado cedo por influência da mãe, que colocou no seu caminho uma mulher vinte e cinco anos mais velha que ele, conhecida por Kate Caolha. Tornou-se garanhão e um tanto quanto misógino.

O outro Luiz (Fux) nasceu 315 anos depois. Esse sim, gostava de ler, mas tudo indica que não leu nada sobre o nazismo, e se leu esqueceu. Sem preciosismo linguístico, Luiz flerta com o extremismo, muito embora o seu pai tenha vindo para o Brasil fugindo do regime que protagonizou holocausto contra judeus (que também parecem ter esquecido disso e patrocina, hoje, o mesmo destino ao povo palestino).

O Rei Sol era absolutista, ponto do qual Fux se aproxima, ao nutrir simpatias com o ideário bolsopata e seus contornos ditatoriais. Mas, se de um lado o rei lutou contra as elites políticas e econômicas e as potências estrangeiras, o juiz soa alinhado ao pensamento inverso. Na traição ao Brasil promovida pela Máfia de Curitiba, Fux ganhou do ex-juiz picareta o selo “In Fux we Trust” (Em Fux nós confiamos).

Há quem diga que durante toda sua vida, Luiz XIV teria tomado apenas três banhos. Entretanto, seu palácio era conhecido como a “A Corte Perfumada”: havia tigela de pétalas, móveis redolentes, e todos visitantes que adentravam ao recinto eram borrifados com essências aromáticas. Suas concorridas festas abrigavam mais de mil pessoas, que se divertiam com danças, banquetes, bebedeiras, jogos…

Festas! Num outubro de 2013*, Fux deu uma suntuosa festa para mil convidados no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Era o casamento de sua filha, para quem deu de presente uma música de sua autoria, na qual trata a filha pelo nome de Flor. Já Luis, o rei, ganhou de presente a canção “Deus Salve o Rei”, letra que mais tarde fora roubada por um inglês, e que acabou se tornando o hino nacional britânico.

Canção à parte, melhor presente para Flor ainda estaria por vir, e foi conquistado com muito tráfico de influência e apelos emocionais, do gênero, “É o sonho dela”… por favor, “É tudo que posso deixar para ela”, choromingava o pai. Perdeu horas ao telefone, indo de porta em porta, visitando redações, advogados, desembargadores e até políticos depois condenados a quatro séculos por corrupção. Cabral e Pezão?

Na ferrenha luta, teve outra festa de arromba em Petrópolis (RJ), onde alguns acólitos e cortesãs chegaram até de helicópteros. As conversas giraram sobre o mesmo tema, ou seja, arranjar uma boquinha para Flor, a mais jovem e inexperiente candidata à uma concorrida láurea. Um dos assediados foi Wadih Damous, já então ex-presidente da OAB/RJ, que teve a coragem de dizer não para Fux/Flor.

Para ser indicada, Flor tinha que provar o mínimo de dez anos de atividade jurídica, por meio de petições, pareceres e ou relatórios. Eita! Flor apresentou uma carta de um advogado amigo de seu pai, atestando que ela atuara por anos em “processos sigilosos” para ele. Suspeitíssimo, não? Não, não é crime pedir voto para filha, mas abre dúvidas moral e ética por parte de seu pai, sobretudo por ser ministro do STF.

Flor, filha de Luiz, não conseguia provar que preenchia os requisitos. Chegou ao ponto de 28 conselheiros da OAB/RJ, pedirem a impugnação de sua nomeação. Mesmo assim, “Foram tantos os pedidos, tão sinceros tão sentidos” (obrigado, Chico!) que outros tantos “dominaram seu asco”. Dona Flor, filha de Luiz, foi laureada sob protestos. Sua impugnação foi julgada em apenas cinco horas. Bingo!

Traz-se à baila tal perfil moral, diante da tentativa de golpe em julgamento. Luiz Fux soa comovido com os réus da trama golpista, que tentam obstruir os trabalhos do STF e fazem coro com Trump nos ataques à soberania nacional. Até defende o direito do ex-capitão dar entrevista (sem que isso tenha sido proibido), mas, foi ele quem proibiu Lula de dar entrevista. Que posto teria Fux se o golpe se consumasse?

Num país de miseráveis, Fux engavetou projeto bilionários garantidor de penduricalhos para juízes, com aval de Michel Temer. Com sua verve sombria e hermenêutica idiossincrásica, sabe-se lá o que esconde sua escorreita peruca. Menos mistérios havia sob a peruca de Luiz XIV, a qual escondia tão somente vaidade, fantasias sexuais, piolhos e uma calvície prematura decorrente de sífilis.

• https://piaui.folha.uol.com.br/materia/excelentissima-fux/

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo

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Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo.

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2 Comentários
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  1. AMBAR

    3 de setembro de 2025 4:34 pm

    Que não se ataque a filha Flor de Fux, cuja ascensão à magistratura deu-se tão somente pelo instituto da meritocracia. Ela foi indicada por listra tríplice (aliança?) e teve a aceitação de seus pares (parentes?) Neste país todo esforço é compensado.(he!he!)
    Outrossim, apreciando a figura que ilustra o post, se de Luiz XIV, passo a acreditar em reencarnação.

    1. Moacir Rodrigues de Pontes

      18 de setembro de 2025 8:39 pm

      Acredito, no máximo, em recapilarização!

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