3 de junho de 2026

Ignorância ou mau-caratismo? Ou os dois?, por Fernando Castilho

Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi hostilizado, não só por uma plateia raivosa, mas também pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Reprodução Instagram

Ignorância ou mau-caratismo? Ou os dois?

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por Fernando Castilho

Há várias definições para ignorância: desconhecimento, desinformação e inocência são algumas delas. Todas aludem a um estágio anterior ao conhecimento e parecem sugerir que a pessoa ignorante é aquela que não teve acesso ao conhecimento, razão pela qual não se pode atribuir culpa a ela por isso.

Já, para o mau-caratismo, há várias definições: cafajestismo, canalhice e desonestidade são algumas delas. Todas remetem a um comportamento inadequado dentro de um determinado grupo social. Aquele que exibe mau-caráter é aquele que busca incessantemente enganar ou ludibriar o outro para obter vantagens em detrimento dele.

Na semana passada vimos como a ignorância e o mau-caratismo quase se amalgamam, embora este último predomine sobre o primeiro.

Foi o caso da reunião do Partido Liberal (PL), em que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi hostilizado, não só por uma plateia raivosa, mas também pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Tarcísio, aliado por 4 anos do capitão, entendia que a reforma tributária proposta por Fernando Haddad, ministro da Fazenda, seria algo benéfico para o país, mas seu ex-patrão (e é aqui que entra a ignorância), sem ter lido uma linha sequer da proposta, incitou os presentes a atacarem o governador. Além disso, como se fosse o presidente do partido, praticamente ordenou que os deputados do PL votassem contrariamente ao projeto simplesmente porque (e é aqui que entra o mau-caratismo) seria algo que daria pontos ao governo Lula.

A reforma tributária não é a reforma dos sonhos dos progressistas, mas é a reforma possível e, com certeza, será muito benéfica para o país, pois, dentre inúmeros avanços como a unificação de alguns impostos que beneficiarão as empresas, pela primeira vez os jatinhos, helicópteros, iates, lanchas e jet-skis dos milionários pagarão impostos. Além disso, os produtos da cesta básica não serão mais taxados, o que barateará a alimentação dos mais pobres.

À parte a possibilidade de uma estratégia de Tarcísio para romper o cordão umbilical com Bolsonaro e se apresentar aos brasileiros como uma direita de sapatênis, aproveitando o vácuo deixado por João Doria, o governador que pode herdar o espólio dos tucanos demonstrou que de ignorante não tem nada. É muito astuto. Previu e avisou que a extrema-direita e Bolsonaro seriam derrotados e acertou. A grande mídia parece ter ficado eufórica com Tarcísio por despontar como uma alternativa a um quarto mandato de Lula.

Os vídeos com as falas de deputados bolsonaristas, tanto no plenário da Câmara, como em seus canais, logo irromperam numa torrente de mentiras (é aqui que também entra o mau-caratismo) em que não faltaram acusações de que o projeto é comunista (o conceito que atualmente serve para tudo aquilo que contraria o extremismo de direita) e que iria levar o país para o abismo. Na verdade, estávamos à beira do abismo, ou até dentro dele, até o fim do governo Bolsonaro. Agora, passados 6 meses de governo Lula, o ambiente já está consideravelmente mais despoluído e um bom futuro começa a ser construído para a nação.

Se há várias formas de definir o mau-caratismo, mais uma pode ser incorporada: a maldade.

Um dos maiores representantes da prática da maldade para atingir objetivos próprios é o senador Magno Malta. Em vídeo, transparece a quem não é incauto, (outra possível definição de ignorante) essa maldade. Esse senhor, cuja marca da maldade parece estar estampada em sua testa, NÃO QUER um bom futuro para as pessoas mais pobres do país, mas tão somente, fazer crescer seu nome para conseguir mais rebanho (rebanhos são ignorantes, puros, incautos, inocentes conduzidos por alguém mais esperto).

Um demônio incorporado numa figura humana, assim como seu mito.

Ah, quase ia me esquecendo, a reforma tributária foi amplamente aprovada pela Câmara. Vitória dos bons.

Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

Fernando Castilho

Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor. Autor de Depois que Descemos das Árvores, Um Humano Num Pálido Ponto Azul e Dilma, a Sangria Estancada.

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