10 de junho de 2026

Manifestos pela logística, por Augusto Rocha

Há um desconhecimento profundo sobre as potências nacionais. Perdemos a capacidade de ver o país como grande, pois só se faz projeto pequeno
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Manifestos pela logística

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por Augusto Cesar Barreto Rocha

O Fórum da ABRAPA, AMPA e Aprosoja lançou no dia 19/09/2025 o “Manifesto pela Logística do Agro Brasileiro – investir agora para garantir um futuro competitivo”. Ele começa reconhecendo que o país é uma “potência agrícola”. O Brasil todo é uma potência, mas nos perdemos nos nortes geopolíticos e de grupos de interesse. A ausência de ações (e não de planos) para a correção dos problemas de infraestrutura é mais do que relevante.

Todo os setores produtivos desta enorme economia, que é a do Brasil, deveriam se levantar contra o tempo que se perde nas pautas públicas com o que não interessa. Passamos meses discutindo como dar ré nas vitórias da democracia, passamos incontáveis horas deliberando sobre o que e como os EUA estão construindo sobretaxas aqui e acolá. Todavia, não gastamos nem alguns minutos sobre como corrigir as deficiências do país. Olhamos para todos os comentários de economistas do capital financeiro e não ouvimos nem por um minuto os economistas do setor produtivo agrícola, comercial ou industrial.

Estamos com as nossas bússolas de interesse completamente comprometidas e subordinadas com pautas que não interessam nem ao capitalismo nacional, nem à sociedade nacional, pois estamos em um ambiente de desemprego mínimo histórica, altas nas bolsas de valores, mas as pautas públicas seguem em crise, como se estivéssemos no meio da maior crise histórica do país. Estamos em uma crise de percepções. Precisamos de mais manifestos, como este do agro, mas que levem para muito além do interesse da exportação. Precisamos de correções de rumos e de bússolas.

A logística brasileira será corrigida a partir do momento em que se fizerem pesquisas, planos, projetos e obras continuadas para a redução das desigualdades, com uma matriz de transporte voltada para a geografia e a economia do país. Um olhar de desenvolvimento gerará desenvolvimento, com investimentos continuados de 2,5% do PIB nacional. Precisamos recuperar a capacidade de raciocinar para o longo prazo e de perceber o país como uma potência econômica, ao invés de apequenar as expectativas, como se fôssemos uma economia muito menor.

Há um desconhecimento profundo sobre as potências nacionais. Perdemos a capacidade de ver o país como grande, pois só se faz projeto pequeno, pouco ambicioso e sequer temos tido a capacidade de manter as infraestruturas. Os projetos em curso são muito mais interessantes do que o que tivemos na década passada, mas estão focados em áreas desenvolvidas, mantendo e ampliando as assimetrias regionais. Estimo que este Manifesto do agro ecoe para as demais cadeias econômicas, da indústria, do comércio e dos serviços.

Precisamos retomar o interesse pelo crescimento nacional e parar de querer retroceder a história. Um país que se dizia “país do futuro” precisa parar de flertar com o passado e com a percepção que não pode investir em si. O crescente risco da ordem financeira internacional, destacado pela Robeco, atribuindo probabilidade de 35%, dentre incontáveis fatores geopolíticos demandam ações firmes e rápidas para acertarmos nossos caminhos, antes que seja tarde e sejamos mais uma vez tragados por algum contrapé da história.

Augusto Cesar Barreto Rocha – Professor da UFAM.

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Augusto Cesar Barreto Rocha

Augusto César Barreto Rocha é Professor Associado da UFAM. Possui Doutorado em Engenharia de Transportes pela UFRJ (2009), mestrado em Engenharia de Produção pela UFSC (2002), especialização em Gestão da Inovação pela Universidade de Santiago de Compostela-Espanha (2000) e graduação em Processamento de Dados pela UFAM (1998).

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