do Substack: Amanhã não existe ainda
Não vamos desistir no Brasil
por Luis Felipe Miguel
Falamos tanto, nestas últimas semanas, que parece que não há mais o que falar.
Os maiores especialistas do Brasil, em suas respectivas áreas, mostraram – com dados, com argumentos, com reflexão – o desastre que seria um novo governo da família Bolsonaro. Os maiores artistas do Brasil usaram a sua sensibilidade para transmitir horror que seria um novo governo da família Bolsonaro. O que existe de melhor no jornalismo profissional brasileiro, em veículos como o Intercept Brasil e a revista Piauí, revelaram ao Brasil muitas facetas da podridão da família Bolsonaro (tenho certeza de que ainda não todas, porque uma nova barbaridade aparece praticamente a cada dia).
Artistas visuais, designers, humoristas, influenciadores, publicitários, se somaram para produzir memes e esquetes, para fazer com que mesmo os mais desavisados, os que se dizem apolíticos, os que estão manipulados pela desinformação da direita, fossem informados sobre o horror que seria um novo governo da família Bolsonaro.
Milhões de pessoas foram às ruas, vestidas de vermelho ou recuperando as cores da bandeira nacional, para mostrar que precisamos defender a democracia, as liberdades, a classe trabalhadora, as mulheres, o meio ambiente, a nossa soberania.

Milhões de pessoas se engajaram na guerrilha digital, para levar essa mensagem a todos, aos iludidos, às vítimas da desinformação.
Cada um conversou com quem estava ao seu alcance. Com familiares, com colegas, dentro do ônibus, na fila do comércio, montando banquinhas em locais de fluxo de pessoa para falar com quem estivesse pensando.
Foram semanas, as últimas três semanas, de trabalho ininterrupto. Tenho certeza de que muitos estão como eu: insones, exaustos, apreensivos, oscilando momentos de angústia e de esperança.
Sabemos da importância dessa luta e por isso mergulhamos sua cabeça nela. Vamos continuar, até fechar a última urna.
Não temos como saber qual é o resultado que virá desta eleição. Isso já é uma vitória, já que saímos do primeiro turno derrotados – não apenas nos números, mas sobretudo interiormente.
Esse ânimo, essa garra, que nós demonstramos nestas três semanas vão ser muito necessários nos próximos tempos, seja qual for o vencedor.
Agradeço a cada uma e cada um de vocês que estiveram e ainda estão nesta luta, por seu amor à democracia e por seu amor ao Brasil e ao seu povo.
Luis Felipe Miguel é professor do Instituto de Ciência Política da UnB. Autor, entre outros livros, de O colapso da democracia no Brasil (Expressão Popular). Coordenador do Grupo de Pesquisa sobre Democracia e Desigualdades (Demodê).
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