O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou na manhã deste sábado (24) seu penúltimo ato de campanha antes da votação de segundo turno. Em caminhada pela orla de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, o candidato à reeleição aproveitou o reduto eleitoral bolsonarista para sair em defesa da democracia e fazer um apelo direto ao eleitorado feminino.
Acompanhado da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, e de aliados políticos, o petista discursou de cima de um carro de som em movimento. O formato atende à regra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que proíbe a realização de comícios fixos na véspera do pleito.
Defesa da democracia e aceno às mulheres
Antes de iniciar o trajeto, Lula classificou o oponente como o candidato de “mais baixo nível” que já enfrentou em sua trajetória política.
“Não pode levar um miliciano para dentro do Palácio do Planalto. Não é possível que a gente não consiga convencer a sociedade brasileira do risco que a democracia e que as pessoas de bem desse país correm. Amanhã eu serei eleito presidente da República outra vez”, afirmou.
Em aceno às eleitoras, o presidente citou o caso da menina Ana Clara, de cinco anos, morta por um policial militar que foi defendido na Justiça por Flávio Bolsonaro.
“Vocês sabem que quem vai ganhar essas eleições são as mulheres, cada mulher que sentiu a dor daquela mãe de perder o filho, uma menina de cinco anos, com uma bala de um policial bandido. Mulher não pode votar no miliciano”, declarou o candidato. Em outro momento, reforçou a polarização: “As pessoas votam em quem quiser, mas deixar de votar no trabalhador para votar no miliciano é demais.”
O microfone também foi repassado à primeira-dama, que endossou o pedido. “Nós, mulheres, somos as guardiãs da democracia e nós podemos entregar esse quarto mandato para o presidente Lula, porque é ele que faz as políticas públicas que mais impactam a vida das mulheres.”
Janja completou a fala com uma mensagem às eleitoras: “Eu quero que todas as mulheres pensem nos seus filhos, nos seus pais e os seus avós, e vão votar pelo futuro do Brasil“.
Soberania e direitos trabalhistas
O discurso do petista também abordou o que chamou de defesa da soberania nacional, criticando a proximidade do bolsonarismo com os Estados Unidos. Segundo Lula, os eleitores terão de escolher entre “alguém que beija a bandeira do Brasil e alguém que beija a dos Estados Unidos”.
“É questão de soberania, nós não vamos permitir que o Brasil seja quintal de ninguém. O Brasil tem dono, e esse dono se chama povo brasileiro”, declarou.
No campo das políticas públicas, o presidente acusou o adversário de ter planos de acabar com a escala de trabalho 6×1 e afirmou que “está claro” que Flávio “quer privatizar o SUS“.
Mobilização e reta final em São Paulo
A concentração para o ato começou nas primeiras horas da manhã, no Posto 5 da Avenida Atlântica. Lula chegou ao local pouco depois das 11h e subiu no veículo acompanhado de figuras como a deputada federal Benedita da Silva (PT), o atual prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, o ex-prefeito Eduardo Paes e o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves.
Ao avaliar o engajamento na campanha, o presidente celebrou o apoio popular. “A grande lição desta campanha é que sem povo a gente não ganha as eleições e não governa”, afirmou.
O petista elogiou a militância fluminense, comparando-a a potências militares: “Eu tenho que agradecer ao povo brasileiro, pois o que ele fez neste 2º turno não estava escrito em nenhuma página da nossa sociologia. O povo assumiu para si a responsabilidade de fazer a campanha. Hoje temos um exército de democratas nesse país maior que o exército chinês, maior que o exército russo e maior que o exército americano, que é o exército do Lula”.
Por fim, o candidato destacou o esforço da base aliada e revelou que sua única frustração no estado foi não ter realizado agendas na Baixada Fluminense, região para a qual prometeu investimentos em um eventual novo mandato.
“Quero agradecer ao povo do Rio de Janeiro a quantidade de manifestações. Aos meus companheiros deputados e candidatos. Nem todo mundo ganha as eleições, mas, muitas vezes, mesmo não ganhando, é uma vitória quando a campanha é bem-feita. Eu acho que o PT do Rio de Janeiro, os partidos do Rio de Janeiro, fizeram um movimento no 2º turno que muita gente não acreditava. A minha única frustração no Rio de Janeiro é que eu gostaria de ter feito uma caminhada na Baixada Fluminense”, concluiu.
A agenda de sábado do presidente se encerra em São Paulo, onde lidera uma última caminhada na Avenida Paulista antes da abertura das urnas.
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