O Brasil à espera dos bárbaros
por Rômulo Paes de Sousa
Estamos à espera dos bárbaros. O tarifaço extra de 50% sobre os produtos brasileiros determinado por Trump deve passar a valer no dia 01/08. Os bárbaros do conhecido poema de Kavafis podem se apresentar como inimigos externos ou como os que surgem no nosso meio. Trump com poder assimétrico e Bolsonaro et caterva, que são os nossos bárbaros íntimos, são os vilões do enredo da semana.
O cálculo político domina essa ação econômica. Trump quer subjugar o Brasil, para fazer valer o seu entendimento de grande América; Bolsonaro e filhos querem continuar dominando esse fluido campo da direita (e, acima de Deus e de tudo, escapar da cadeia); governadores bolsonaristas querem subverter a interpretação dos fatos para colar em Lula a responsabilidade pela agressão norte-americana; os empresários querem que Lula os salve sem com isso incendiar as maiores lideranças da direita (Bolsonaro e Tarcísio) no fogo de suas mesquinharias e tolices.
Lula está no centro de um dos maiores desafios de sua vida. Novamente, é o líder de uma multidão de trabalhadores que enfrenta uma cruel elite empresarial global. A sua volta, todos lhe pedem sensatez e sacrifício pessoal, sem que façam a mesma cobrança pública a quem deu o enredo da intervenção e aos que se esquivam de contribuir com a união do país para enfrentar uma agressão de uma potência estrangeira.

Como conclui o poema de Kavafis, uma invasão bárbara pode ser também uma solução. Para os bárbaros de dentro dos portões, seria o sucesso do golpe que fracassou no início de 2023; para o Executivo, seria a possibilidade de obter um equilíbrio maior na relação com os outros poderes; para o Judiciário, seria elevar-se pela segunda vez em um período recente, como a força estabilizadora de nossa disfuncional democracia; para o Legislativo, seria a possibilidade de apresentar-se com decência e decoro frente a uma indignada nação.
Os bárbaros estão nos portões, esperamos que os cidadãos dessa nação estejam à altura do que precisam ser.
Rômulo Paes de Sousa – Coordenador do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE-Fiocruz) e presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco)
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Carlos
29 de julho de 2025 12:01 pmA coisa de responsabilizar Lula pela extorsão praticada por trump ultrapassa a barreira da escrotidão.
Editorial que li há pouco afirma que Lula tem obrigação de ligar para trump. Ou seja, não serve para o Brasil o mesmo raciocínio americano que não se negocia com terroristas. No nosso caso; chantagistas.
Até um dos senadores acena dos eua que Lula t obrigação de procurar trump pois assim fizeram japão e ue. Fácil, lá não existe a rataria dos bolsonaro, enfiados no rolo para realmente não haver conciliação.
O que o débil mental colocou na mesa para jogo não se negocia: Soberania.