O Estado é necessário para um mercado eficiente, por Albertino Ribeiro

Sempre haverá o conflito capital/trabalho e, dependendo de quem governa, o pêndulo se inclina às vezes mais para direita ou mais para a esquerda.

O Estado é necessário para um mercado eficiente, por Albertino Ribeiro

Lendo uma matéria da folha de São Paulo, escrita por Paula Soprano, não pude deixar de elogiar o presidente da Magazine Luíza, Frederico Trajano, que ontem, dia 28/01/2020, no evento promovido pelo Banco Credit Suisse, afirmou que a discussão econômica no Brasil está muito exacerbada.

“Não acredito muito que nós não vamos ter que ter Estado. Eu pelo menos preciso dele para que meus funcionários trabalhem com segurança, para que eu tenha mais mão de obra qualificada para contratar, [para] não gastar tanto dinheiro com plano de saúde privado”.

Guardando as devidas proporções, é possível comparar Trajano a Robert Owen, empresário britânico do século XIX. Considerado um socialista utópico porque acreditava em um capitalismo mais justo, Owen foi pioneiro nas políticas de melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores nas fábricas de tecelagem. Contrapondo-se ao pensamento dominante da época, abriu creches para os filhos dos trabalhadores da sua fábrica, construiu alojamento funcionais dignos para os trabalhadores, reduziu a carga horária que era extenuante naquela época e impediu a contratação de crianças em sua fábrica.

Naquela época, onde o estado era completamente ausente da economia, o industrial humanista já acreditava que seus funcionários, se tratados dignamente, poderiam ser muito mais produtivos. Hoje, Trajano, em tese, não precisa arcar com esses investimentos, pois estes fazem parte da função do estado.

Sempre haverá o conflito capital/trabalho e, dependendo de quem governa, o pêndulo se inclina às vezes mais para direita ou mais para a esquerda. Contudo, é importante que ambos entendam que existe um mecanismo de retroalimentação dentro de uma empresa que poderá ser comprometido se um dos lados for abandonado à sua própria sorte.

Leia também:  Disputa no home office do genocídio, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Os empresários brasileiros, principalmente o velho da Havan, se não podem fazer conforme Owen, poderiam, pelo menos, pensar como o presidente da Magazine Luiza e parar de demonizar o estado.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora