7 de junho de 2026

O Hino da Polícia Federal num país de gangsters. E aí, Dudu?, por Armando Coelho

Exceções à parte, o parlamento brasileiro vive um apagão moral, e a vergonhosa abertura de novas vagas amplia o espectro de gangsterismo.
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O Hino da Polícia Federal num país de gangsters. E aí, Dudu?

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por Armando Coelho Neto

Canalhas, canalhas, canalhas! A depender do Congresso Nacional, essa fala do jornalista Paulo Henrique Amorim não morre tão cedo. Respeitadas as exceções, canalha é pouco e poderia ser acrescida de vira-lata, sabujo, traidores. Sim, “Porrete da adjetivação deforma jornalismo”, pontifica o mestre Carlos Chaparro (USP). Mas tem hora que o adjetivo flui como o palavrão depois da topada. Perdão mestre!

Essa é uma fala movida a indignação, e a expressão canalhas estava engasgada desde o final do ano passado, quando por conta das tramoias na corrupção do dito mercado, um deputado federal paraibano exibiu orgulhosamente, uma nota falsa de 6,20 dólares. Junto com outros deputados corruptos, houve comemoração em nome do quanto pior melhor, em mais uma das 95% previsões que erraram.

Em meio à especulação que por certo encheu os bolsos de muitos, preferiam apenas tripudiar do governo Lula, em vez de tirar satisfações sobre as razões. Ou melhor, aferir as corruptas práticas de agiotagem praticadas pelo mercado, por intermédio do Banco Central. Nenhum projeto, nenhuma indagação séria ou gesto de compromisso com a sociedade, respeito aos eleitores. Patriotismo zero.

Como reflexo de um parlamento hostil ao país, a máscara do nacionalismo caiu no dia 8 de janeiro de 2023. Servidores civis e militares tentam explicar o porquê fizeram tudo certo e deu tudo errado, bem como velhinhos com bíblias na mão, conseguiram depredar patrimônio público e vandalizar símbolos de “forma pacífica”. Agem como raposas com as bocas cheias de pena negando terem comido as galinhas.

Exceções à parte, o parlamento brasileiro vive um apagão moral, e a vergonhosa abertura de novas vagas amplia o espectro de gangsterismo. Acentua sinais de degradação que casam com espetáculos degradantes, ora pela postura antipovo, ora pelo descaramento no uso de emendas, além das falas e posturas misóginas, homofóbica, defesa da ditadura, leniência com vândalos e golpistas. É isso mesmo?

Ladrões e estelionatários pérfidos assumem publicamente a condição de traidores da Pátria dentro da Casa do Povo. E já não disfarçam a quem defendem ou a quem rendem homenagem. Fazer apologia a Donald Trump dentro Congresso Nacional nesse contexto daria cassação de mandato. O mesmo se diga da conivência com um parlamentar que trama no exterior as mais sórdidas mazelas contra o Brasil.

No momento, num gesto de traição, parte do Congresso Nacional flerta com a chantagem promovida pelos EUA, um país quebrado, cuja dívida ultrapassada US$ 36,2 trilhões (R$ 196 trilhões), leia-se, 120% do PIB norte-americano (dados do Tesouro estadunidense). Cerca de US$ 29 trilhões (R$ 157 trilhões) correspondem a títulos da dívida, dos quais países como China vem se livrando.

Eis que, de soslaio, o encarregado de negócios da embaixada norte-americana em Brasília, Gabriel Escobar, pisca o olho para as denominadas “terras raras nacionais”. Sinaliza com barganha e condicionantes para debater e ou rever a tarifa de 50% imposta ao Brasil. No rol de chantagens estão o fim do processo do ex-capitão, suspensão de vistos de ministros do STF, além de um bote no PIX…

Desde eleito, Donald Trump não esconde querer ser imperador do mundo, e com esse foco, tenta impedir que países pobres busquem alternativas de mercado. É nesse cenário que temas como Brics, desdolarização, guerra econômica dos EUA contra a China ganham força. E aqui, cabe voltar aos canalhas, canalhas, canalhas que transformam a luta contra Lula numa batalha traidora contra o Brasil.

Por falar em China, não custa lembrar aos traidores da Pátria, que entre os anos de 1842 e 1949, esse país viveu o denominado “Século da Humilhação”, quando sofreu várias derrotas para grandes potências. Numa das quais, ela foi obrigada a pagar indenizações, abrir seus portos ao livre comércio estrangeiro, além de entregar Hong Kong para os britânicos – ilha que só recebeu de volta em 1997.

Aos canalhas mais um registro: entre 1927 e 1949, facções políticas disputaram o controle do país, no qual o Partido Comunista saiu vencedor. Mas, em pleno embate fraticida (1937), quando a China foi atacada pelo Japão (Guerra Sino-Japonesa), os chineses que lutavam entre si uniram-se contra o inimigo comum. Nenhum deputado ou representante chinês fugiu ou renegou a pátria para virar sabujo do agressor.

É. Restou culpar o presidente por não ser vira-lata abanando rabo, rosnando “I love you”, nem beijar a bandeira estadunidense. Quanto ao traidor Dudu Bananinha, consta ser policial federal, mas deve ter esquecido o trecho do hino da PF: “que à chamada da Pátria insultada saberemos cumprir com o dever”.

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo

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Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo.

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  1. Benedito Bergamo

    30 de julho de 2025 9:59 am

    Muito bo!

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