10 de junho de 2026

Para que serve o populismo?, por Luís Felipe Miguel

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Para que serve o populismo?

por Luís Felipe Miguel

O pensador liberal residente da Folha de S. Paulo, Hélio Schwartsman, condena hoje a ideia – que Lula lançou na entrevista ao jornal espanhol El Mundo – de um referendo revogatório dos retrocessos do governo ilegítimo ora no poder. Proposta, diga-se de passagem, que, caso mantida e levada adiante de forma consequente, representa um passo claro do ex-presidente para garantir um perfil popular e à esquerda para sua candidatura.

Schwartsman reconhece que o governo Temer “é um horror”. No entanto, está pondo “ordem na barafunda econômica legada por Dilma”. O referendo anunciado por Lula ameaçaria isso, sendo, portanto, classificado na categoria “flertes com o populismo”.

A menção a uma “barafunda econômica” passa a ideia de que as decisões de política macroeconômica não são propriamente decisões, mas a adequação ou não a uma determinada ordem pré-estabelecida, que é o “certo”. Fugir dela é estabelecer confusão, caos, “barafunda”. É o mantra do neoliberalismo, emblematizado na doutrina TINA, de Margaret Thatcher: there is no alternative. O fato de que a aplicação da doutrina só tenha resultado em injustiça, privação e crise não abala seus defensores.

E o fato de que a receita para resolver a barafunda sejam as medidas antipovo de Temer mostra que essa ordem econômica única e natural é aquela que beneficia os proprietários e os ricos retirando qualquer proteção sobre a classe trabalhadora e as populações pobres em geral. Schwartsman gosta de ostentar seu ateísmo militante, mas em seu raciocínio é como se o capital reinasse por direito divino.

A cereja do bolo é a menção ao “populismo”. Na linguagem acadêmica, o conceito de populismo é complexo e disputado. No jornalismo, serve para isso: estigmatizar qualquer tentativa de ampliar o controle popular nas decisões coletivas ou de levar em conta os interesses das maiorias. “Populismo” é um escudo contra o risco de que haja algum grau de democracia.

 

Luis Felipe Miguel

Luis Felipe Miguel é professor do Instituto de Ciência Política da UnB. Autor, entre outros livros, de O colapso da democracia no Brasil (Expressão Popular).

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10 Comentários
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  1. vera lucia venturini

    24 de outubro de 2017 11:40 am

    Pensador Hélio não sei das

    Pensador Hélio não sei das quantas o cacete. Caixa dois de corporação finaceira é o que ele é. E foi-se o tempo que a Folha de São Paulo merecia respeito e servia para discutir e refletir rumos para o Brasil.

    A Folha é um jornal mentiroso, cujos donos são golpistas e autoritários. A única coisa que o golpe trouxe de bom para o país foi o desmascaramento da elite brasileira, do Judiciário e da imprensa. Vai demorar décadas mas essa gentalha vai ter o destino que merece na história: o de ridículos substitutos modernos dos broncos militares tão bem descritos pela literatura latino americana.  

  2. Antonio Carlos Silva - Brasil

    24 de outubro de 2017 11:58 am

    Nos deixem em paz !!!

    Voos São Paulo – Telaviv  = De R$3.000,00 à R$ 6.000,00

    Voos São Paulo – Miami = De R$3.000,00 à R$ 6.000,00

    Por que este sujeito, Illan Godfrajn etc…, não arrumam as malas e partam em definitivo para a “terra prometida” ou para Miami ?

    [video:https://youtu.be/dPgCl_qOAtk%5D

    [video:https://youtu.be/ahBzlu_dGZI%5D

  3. jose carlos vieira

    24 de outubro de 2017 12:38 pm

    populismo

    populismo pra coxinha internacionalizado (Othon) é qualquer política com fedor de povo.

    e, não esquecer, a linguagem acadêmica é predominantemente coxinha internacionalizada.

  4. cspimentel

    24 de outubro de 2017 12:53 pm

    Singela homenagem aos

    Singela homenagem aos pensadores “liberais” do terceiro mundo:

     

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=XcAl93uEYUA align:center]

  5. Ana Resende

    24 de outubro de 2017 1:17 pm

    https://jornalggn.com.br/comment/reply/1400847

    Além de tudo, ele, o Schwartzman, é mentiroso. Basta relembrar o artigo “A Marcha dos Insensatos” , de Mauro Santayana, para ver que “barafunda econômica” existia era no tempo do FHC.

    Mentiroso e entreguista. Safado!!!

  6. Frederico Firmo

    24 de outubro de 2017 1:57 pm

    Populismo

    Populismo – da palavra povo, criado de forma pejorativa para atacar todo aquele que defende direitos que não sejam  empresários, banqueiros ou grandes proprietários de Terra.  Termo sazonal que aparece toda vez que um governo que se instala instaura um diálogo  ou  favorece classes menos favorecidas.

    em um outro dicionário ( de nome sofisticado mas que não me lembro o nome)

    populismo: políticas que são contrárias aos interesses  naturais de uma elite natural   de longa tradição no país. Exemplo: lutar contra leis que “flexibilizem” a noção de relações de trabalho, como  terceirização e ou escravidão

  7. Paulo P Ribeiro

    24 de outubro de 2017 2:37 pm

    O tal pensador neoliberal não

    O tal pensador neoliberal não está atento ao avanço do fascismo, que pode cair sobre a sua cabeça e a sua família caso o grupo comandado por Michel Temer continue em 2018. Sempre oportuno recordar Bertolt Brecht: 

    Primeiro levaram os negros

    Mas não me importei com isso
    Eu não era negro

    Em seguida levaram alguns operários
    Mas não me importei com isso
    Eu também não era operário

    Depois prenderam os miseráveis
    Mas não me importei com isso
    Porque eu não sou miserável

    Depois agarraram uns desempregados
    Mas como tenho meu emprego
    Também não me importei

    Agora estão me levando
    Mas já é tarde.
    Como eu não me importei com ninguém
    Ninguém se importa comigo.

  8. Paradoxo

    24 de outubro de 2017 3:32 pm

    Todo poder emana do mercado

    Que tal revogar o art 1º da constituição, no qual se diz : Todo poder emana do povo. Sem povo não há populismo. No lugar deste artigo Shwartsman poderia colocar um outro tão ao gosto de nossa Mídia: Todo poder emana do Mercado, que o exerce por meio da mídia e das instituições governamentais a ela subordinada.

     

  9. Paradoxo

    24 de outubro de 2017 3:32 pm

    Todo poder emana do mercado

    Que tal revogar o art 1º da constituição, no qual se diz : Todo poder emana do povo. Sem povo não há populismo. No lugar deste artigo Shwartsman poderia colocar um outro tão ao gosto de nossa Mídia: Todo poder emana do Mercado, que o exerce por meio da mídia e das instituições governamentais a ela subordinada.

     

  10. Serjão

    24 de outubro de 2017 7:37 pm

    Vai Passar

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