“Pobre de avião”, o DNA da ultra-direita brasileira, por André Motta Araújo

O pobre chegando perto avivou memórias seculares de perda de posição social, mais forte ainda nas camadas oriundas da imigração do Seculo XIX

Pobre de avião, o DNA da ultra-direita brasileira
Por André Motta Araújo

O cruzamento da fronteira social que gerou o crescimento da ultra direita brasileira, os ULTRA que são hoje a base do bolsonarismo veio do choque que a classe média sofreu com a passagem de um significativo grupo de pobres para a classe media, assumindo de imediato alguns gostos e vontades que uma nova classe emergente de imediato absorve ao mudar de andar. Um desses desejos realizados foi o de viajar de avião, meio até então restrito às classes média e alta. A invasão de aeroportos por pobres foi um choque mal absorvido e nunca digerido pelos habituais viajantes de avião.

Por um período não muito longo, pelo real aumento de renda percebido no segundo mandato de Lula e por uma combinação de fatores, as passagens de avião ficaram acessíveis aqueles que sempre viajaram de ônibus. Em certos meses, os bilhetes de avião para certos percursos podiam ser mais baratos do que os de ônibus. Isso possibilitou que nordestinos que há décadas moravam no Sul fossem visitar suas regiões em viagens aéreas. Era demais.

Vi esse fenômeno no meu entorno, na minha casa, em casas de parentes. O “pobre de aeroporto” passou a ser uma AFRONTA a certos segmentos de classe media. Em certos momentos da História, ocorreram alianças sociais, onde as classes se irmanavam, foi o que ocorreu em períodos de guerra.

Mas a classe media de raiz sente como perigo a ascensão da classe pobre em seu território, é um avanço de tomada de espaço que sinaliza perigo.

Surge ai uma atitude reacionária, a ultra direita, que é muito mais presente na classe média do que nos muito ricos. Os muito ricos não se sentem ameaçados por pobres em nenhum espaço ou momento, a não ser em conflitos reais, como tumultos, vandalismo, invasões e enfrentamentos que geralmente não são comuns nos grandes países. Muitos bilionários têm visão social e praticam alguma forma de ação de apoio, menos no Brasil e mais nos países centrais, onde grandes fortunas criaram grandes fundações filantrópicas. Nos EUA, os ativos de fundações ultrapassam 500 bilhões de dólares.

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Muitos ricos são de centro esquerda, alguns de direita, mas a ultra direita se concentra na classe media que vê perigo nos pobres chegando perto, física ou socialmente. No Brasil, esse fenômeno chegou de forma rápida e em grande escala entre 2004 e 2010, perdendo força depois e hoje recuando ao passado, os pobres emergentes voltaram à pobreza antiga e muitos retrocederam à pobreza maior ainda anterior a 2000.

Mas o sentimento de perigo percebido pela casse média no governo do PT permaneceu como memória de fogo, o pobre chegando perto avivou memórias seculares de perda de posição social, mais forte ainda nas camadas oriundas da imigração do Seculo XIX e menos nas famílias antigas brasileiras, que conviveram por séculos com pobres por perto, com certa tolerância e sem sentir medo de perda de posição.

A separação de classes se fazia pelo tipo de família e cultura, e não apenas pela capacidade de consumo. As antigas famílias brasileiras conviviam com escravos e agregados por séculos, havia um pacto secular de espaços, cada um em seu lugar. Já com as famílias imigrantes, que chegaram ao Brasil em 4ª classe de navios italianos, a ascensão social foi recente e duramente conquistada, a memória da pobreza inicial ainda está viva e ninguém quer sequer lembrar dessa pobreza associada às levas de imigração que chegaram entre 1870 e 1014, afinal os imigrantes, basicamente os italianos, vieram para substituir os escravos, em um tempo em que havia grande miséria na Itália.

Constantino Ianni, o grande historiador da imigração italiana para o Brasil descreve com cores fortes a miséria do imigrante do Risorgimento e o Brasil foi o País do mundo que mais recebeu imigrantes italianos, 2,6 milhões, contra 1,5 milhões para os EUA e 1,2 milhões para a Argentina. Então, a classe media descendente da imigração fornece a matéria prima potente para a aglutinação de uma ultra direita mais social do que econômica, já que boa parte dos ricos do Brasil nunca se incomodou com o PT ou com o varguismo sindicalista nacional desenvolvimentista.

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Ao contrário, muitos eram aliados e apoiadores no mesmo período em que a UDN carioca, a primeira ultra direita da fase pós redemocratização, era basicamente de classe media, havia mais ricos no PTB do que na UDN de ultra direita, de onde vem após longa trajetória o bolsonarismo de hoje. Ela é muito mais social, de costumes e de visão de mundo do que de categorização de fortunas, a ultra direita classe media não teme os ricos, aliás os adula. Ela teme os pobres e os miseráveis, esses são os inimigos.

A ESCASSEZ DAS BOAS DOMESTICAS

Uma das queixas mais constantes das “patroas” de classe media alta de São Paulo é a dificuldade em encontrar boas empregadas domésticas, como no passado. A razão é obvia. As filhas das antigas domésticas estudaram e querem ser qualquer coisa na vida, menos serviçais de casa. Houve uma evolução social e cultural real nas novas gerações da classe C do grandes centros brasileiros.

Essa é também uma “revolta” dessa classe media, que vê os filhos das domésticas concorrendo no mercado de trabalho, muitos já com formação universitária. Tenho casos reais na minha família, filhos de domésticas que trabalham ou trabalharam para a família por décadas, vários se formaram em engenharia, há uma advogada, um químico, mas isso move as camadas sociais e gera uma reação que politicamente entra na categoria do “pobre de avião”, uma classe subindo, empurrando e deslocando quem se achava seguro no seu espaço, pior ainda, vê aquele que achava “inferior” agora querendo concorrer com o “superior”.

OS EFEITOS ECONÔMICOS NA POLÍTICA

Os substratos sociais têm efeito imediato na política. Nos EUA, a presença crucial de 40 milhões de imigrantes basicamente latinos criou o principal material de campanha do “TRUMPISMO”, uma grosseira expressão de ultra direita tosca. Os imigrantes latinos são ESSENCIAIS hoje na economia americana. São eles que limpam banheiros, aviões, shopping centers, hoteis, são a base dos serviços em restaurantes, lanchonetes e aeroportos, são os que colhem as uvas nos vinhedos da Califórnia, que constroem casas e prédios em Washington, onde hoje a maioria dos carpinteiros são brasileiros.

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Os imigrantes são também os taxistas, os varredores de parques, mas a segunda ou terceira geração já começa a lutar por empregos na área tecnológica ou comercial, ai o TRUMPISMO pega eleitores. Os filhos de latinos estão “tirando empregos” dos legítimos americanos, segundo essa leitura, esse é o eleitorado trumpista, a ultra direita social, cultural, de costumes, Trump nos seus discursos anti-imigratórios insulta os imigrantes latinos como sendo bandidos, estupradores e traficantes.

Uma classe media ou media baixa que sente ter concorrentes batendo na porta, “é preciso combater esse mais pobre que quer o lugar de meu filho”. Essa classe media que não vê como inimigo os SUPER RICOS ou o CAPITALISMO FINANCEIRO, porque sequer entendem o processo de acumulação mas entendem de pobre em aeroporto, é a massa de manobra dos neopopulistas de direita pelo mundo.

O fenômeno evidentemente tem várias “capas”, de acordo com as condições de cada País, mas ele se expressa pelo populismo de direita, pode ser o BREXIT inglês, ou o TRUMPISMO americano, ou o BOLSONARISMO brasileiro. A raiz é o pobre empurrando a classe media, esta não está de modo algum contestando a CONCENTRAÇÃO DE RENDA e o CAPITALISMO FINANCEIRO, que são os verdadeiros problemas, porque não entende o processo e acha que essa construção é da natureza das coisas.

Mas como todo ciclo histórico de circunstância, os POPULISMOS DE ULTRA DIREITA serão um fenômeno passageiro e uma nova geração mais inteligente que já percebe a real configuração dos riscos do NEOLIBERALISMO FINANCEIRO está chegando à capacidade de influir na política. É o que se vê hoje no campo do PARTIDO DEMOCRATA dos EUA, muitos jovens brilhantes e combativos se interessando por politica, um novo ciclo mundial. Os espasmos dos NEOPOPULISMOS DE DIREITA serão uma nota de rodapé na História, como foi o “colaboracionismo” francês de 1940.

 

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33 comentários

  1. Boa tarde André
    Grande comentário, e espero que seu otimismo se confirme; e que o bozonarismo não seja lavado com sangue

  2. André
    Segundo fontes americanas e italianas entre 1880 e 1914 cerca de 4 milhões de italianos emigraram para os USA.

    • https://revistagloborural.globo.com/Noticias/Cultura/noticia/2018/02/dia-do-imigrante-italiano-brasil-tem-cerca-de-30-milhoes-de-descendentes.html
      As estatisticas de imigração europeia anteriores a Grande Guerra são meras estimativas, não havia
      registros oficiais confiaveis. O Brasil, segundo a Embaixada da Italia em Brasilia, é o pais do
      com maior numero de descendentes de italianos, 30 milhões. Por extrapolação significa que foi o
      Pais com maior numero de imigrantes italianos aportados. O numero de 4 milhões para os EUA
      é irreal, inteiramente desproporcional com a população da Italia na época, se assim fosse haveria
      mais descendentes de italianos nos EUA do que no Brasil, o que não é verdade.

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      • De acordo com a Wikipedia, o número de imigrantes italianos que entraram nos EUA entre 1820 e 2004 corresponde a 5,5 milhões. O maior número entrou entre 1880 e 1914 correspondento a 4 milhoẽs no período. Ainda segundo o historiador inglês Paul Johnson, na década de 10 (1900-1910) entraram nos EUA 5,5 milhões de imigrantes italianos e 2,5 milhões de judeus vindos do Cáucaso (entre eles o avô do Bob Dylan). Foram os dois grandes contingentes de imigrantes “diferentes”, digamos assim, considerando que entre 1602 e 1900 entraram nos EUA cerca de 40 milhões de imigrantes (mais uma vez, segundo Paul Johnson), mas praticamente todos eles do norte da Europa. Das minhas leituras aprendi que o total de imigrantes que entrou no Brasil de 1825 (quando começaram a chegar os primeiros imigrantes de verdade, familias alemãs no Rio Grande do Sul) até 1950 entraram no Brasil cerca de 2,2 milhões incluindo os japoneses. Portanto o número citado pelo André de 2,6 milhões de italianos está incorreto. Aqui é muito difícil obter estes dados, mas eu creio que, no Brasil, entraram no máximo 1 milhão de imigrantes italanos chegados principalmente no fim do século XIX e começo do século XX. Estes vieram, assim como um certo contingente de espanhóis para trabalhar na lavoura cafeeira paulista, a qual havia ficado sem mão de obra devido à libertação dos escravos em 1888.

  3. Este é um artigo de antologia, escrito por que conhece e compreende o símbolo essencial da história do Brasil, ou seja, a bola de ferro que nos impede de seguir adiante: a inveja que os remediados têm dos pobres que apresentam potencial de subir de vida.

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  4. Sr. Araújo, eu tenho a plena convicção de que o grande pecado de Dilma foi o ter acabado com a escravidão das empregadas domésticas. Isso transformou totalmente a sociedade brasileira. De um dia para o outro, uma significativa parte da população teve que lavar um prato. Estou falando de milhões de pessoas. Dizia-se que “na minha casa tem cozinha, mas não sei onde fica” e isso acabou e foi doloroso demais porque esse esclavagismo esta arraigado na maioria da população inclusive classe média baixa. Foi preponderante para atiçar ódios à esquerda representada pelo lulismo.

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  5. “Muitos ricos são de centro esquerda, alguns de direita, mas a ultradireita se concentra na classe média que vê perigo nos pobres chegando perto, física ou socialmente”

    Pobre em aeroporto e falta do boas empregadas domésticas… o AA preciso como sempre!
    Batata!
    Na mosca… aliás, no coração da mosca.

    O fenômeno da ascensão social e consequente reação da classe média, em que pese quase nunca falado foi o estopim do descontentamento que se seguiu a 1968: uma classe social, os militares, empoderados e expostos à visibilidade total pelo status que assumiram, muito mais que pelos excessos praticados. Estes, os excessos, que pesaram mesmo foi o “exibicionismo de marajá dos analfabetos milicos”… isso foi imperdoável para os pretensos nobres “cidadãos respeitados que ganhavam acima de quatro mil cruzeiros por mês, conseguindo comprar um Corcel 73”. Na esteira da ascensão militar veio também a ascensão proveniente dos benefícios colhidos de políticas macroeconômicas, logo públicas.
    Um caso ilustrativo é o que ocorreu em minha cidade. De 5,7 mil habitantes urbanos em 1950 pulou para 11 mil em 1960, e, mesmo arrefecendo um pouco o ímpeto de crescimento, em 1970 cravava 16,4 mil em 1970. Foi um choque para os cidadãos de uma cidade de dois séculos de estagnação, fazendo surgir toda a sorte de segregação, discreta ou às claras, mas o pior não foi o choque entre os habitantes urbanos e rurais; o mais sensível deu-se quando a população estudantil local, que viveu séculos desassistida pôde contar com ensino médio gratuito e de excelente qualidade e começou a “tomar” as vagas dos filhos da nobreza do estado, quase todos vivendo na capital, nas faculdades de direito, química, odontologia e na cereja do bolo: medicina… da capital.
    Infelizmente na maioria daqueles vencedores segregados de ontem estão 9 em cada 10 da ULTRADIREITA de que fala aqui o André, repetindo o padrão nacional, inclusive do pessoal do coturno.
    Como se diz no popular: “porco nunca se lembra que já foi bacorinho”.

  6. “Muitos ricos são de centro esquerda, alguns de direita, mas a ultradireita se concentra na classe média que vê perigo nos pobres chegando perto, física ou socialmente”

    Pobre em aeroporto e falta de boas empregadas domésticas… o AA preciso como sempre!
    Batata!
    Na mosca… aliás, no coração da mosca.

    O fenômeno da ascensão social e consequente reação da classe média, em que pese quase nunca falado foi o estopim do descontentamento que se seguiu a 1968: uma classe social, os militares, empoderados e expostos à visibilidade total pelo status que assumiram, muito mais que pelos excessos praticados. Estes, os excessos, que pesaram mesmo foi o “exibicionismo de marajá dos analfabetos milicos”… isso foi imperdoável para os pretensos nobres “cidadãos respeitados que ganhavam acima de quatro mil cruzeiros por mês, conseguindo comprar um Corcel 73”. Na esteira da ascensão militar veio também a ascensão proveniente dos benefícios colhidos de políticas macroeconômicas, logo públicas.
    Um caso ilustrativo é o que ocorreu em minha cidade. De 5,7 mil habitantes urbanos em 1950 pulou para 11 mil em 1960, e, mesmo arrefecendo um pouco o ímpeto de crescimento, em 1970 cravava 16,4 mil em 1970. Foi um choque para os cidadãos de uma cidade de dois séculos de estagnação, fazendo surgir toda a sorte de segregação, discreta ou às claras, mas o pior não foi o choque entre os habitantes urbanos e rurais; o mais sensível deu-se quando a população estudantil local, que viveu séculos desassistida pôde contar com ensino médio gratuito e de excelente qualidade e começou a “tomar” as vagas dos filhos da nobreza do estado, quase todos vivendo na capital, nas faculdades de direito, química, odontologia e na cereja do bolo: medicina… da capital.
    Infelizmente na maioria daqueles vencedores segregados de ontem estão 9 em cada 10 da ULTRADIREITA de que fala aqui o André, repetindo o padrão nacional, inclusive do pessoal do coturno.
    Como se diz no popular: “porco nunca se lembra que já foi bacorinho”.

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  7. André, aí vai uma informação. Conhecida fez passeio nesses dias pela Amazônia. Politicamente a esquerda, procurou sondar os ribeirinhos. Todos Bolsonaros. Agora é sentar e entender.

  8. Lembrando também os infames “rolézinhos” nos templos de consumo da capital.

    Dos parachoques:
    Quem mais maltrata pobre é ex-pobre.

    Quem mais ferra com imigrantes é imigrante que chegou antes.

    Um imbecil armado é perigoso, um imbecil rico é muito mais perigoso.

  9. Ótimo artigo André.
    Você dissecou com maestria o “grande medo” da classe média.
    Tudo o que você escreveu que viu de reações contra a “concorrência” dos pobres eu também vi.
    Muitas das madames perderam totalmente a compostura e ficaram como cadelas raivosas a praguejar contra pobres em restaurantes que eram só deles, pobres com sapatos e bolsas caras, pobres com iphone, pobres na faculdade tomando o lugar de seus filhinhos, etc etc e claro, pobre no avião.

  10. Mas como explicar que os benficiados…fiquem contra a esquerda que os ajudou….!!! O que há de fato é a existência de um bando de mal agrdecidos de alto a baixo

  11. Dividir para conquistar…. primeiramente não deveria existir essa classificação de.classes, o correto seria classe assalariada, empreendedores ( om um certo capital) e elite….ora, quem ganha 20.000 de salário não é rico é assalariado …..por quanto tempo o cabra conseguiria sobreviver se perdesse o salário?

  12. Sr. André, parabéns por mais um artigo! Ilustra bem nossa estratificação social. Senti falta de um elemento: o crescimento de igrejas evangèlicas (ou neopentecostais) na classe média. Até recentemente, essas igrejas tinham espaço garantido nos estratos sociais menos favorecidos. Também atuavam de outra forma, gostem muitos leitores e comentaristas. Digo isso, porque meu sogro e um cunhado foram pastores por quase 20 anos e morreram pobres. Eram boas pessoas. Minha visão hoje, é que avançaram sobre a classe média. Só ver surgimento de igrejas com outro enfoque. Ou a mudança de abordagem de algumas, de forma sutil.

    • Muito bem lembrado, não tratei do tema das “igrejas” não historicas para não complicar o artigo
      MAS elas são um elemento fundamental nessa visão de classe media ultra direita, elas dão um
      SALVO CONDUTO para quem acha que é pobre é pobre porque é vagabundo.

  13. Prezado, recomendo a leitura do livro “a classe média no espelho”, do sociólogo Jessé Souza, para uma maior clareza sobre as boas observações de seu texto.

    • Outro livro interessante para entender o avanço pentecostal foi escrito há 32 anos pelo Délcio Monteiro de Lima: Os diabos descem do norte, que traça um painel abrangente da já então significativa presença em todo o Brasil dessa cabeça de ponte do capitalismo americano. Pena que tal fenômeno, que foi se desenvolvendo desde a década de 1960, passou despercebido pelo debate acadêmico por ser, na visão predominante, um assunto menor. O próprio autor chama as igrejas de seitas. Era como se dizia na época, com um tom carregado de desdém, enquanto o Edir navegava, quem não se lembra, carregado de dinheiro.

  14. André;

    A classe média, antes conhecida como “remediados”, hoje se remenda em um arremedo de classe medíocre; tudo isso combinado com o apoio dos pobres (assalariados precarizados, também pode-se chamar de classes C e D) de direita.

    No mais, um artigo de precisão cirúrgica sobre as mazelas do Brasil.

  15. Pegou um exemplo familiar e extrapolou para o universo da classe média. Puro achismo! Nenhuma metodologia na tese. Esqueceu de dizer que foram esses imigrantes do séc. XIX que construíram SP, por exemplo, e dentro do pensamento “que o sol nasceu para todos”.

    • Os que construíram SP foram uns. Os seus descendentes, os que tiveram o caminho amaciado pelos que efetivamente lutaram para ter o sol que nasceu para todos é que, como disse o José de Almeida Bispo mais acima, os porcos que esqueceram que já foram bacorinhos.

      • Sou da terceira geração de imigrantes. Convivo na comunidade italiana e espanhola, onde realmente se pensa que “o sol nasceu para todos”. Considerando a lógica do autor, o surgimento dos “ultra bolsonaristas” se deveu aos descendentes europeus…. Triplo mortal carpado

  16. Esse texto do André Araújo me remeteu a um comentário feito num artigo do próprio André Araújo:

    “Segundo seu argumento, um favelado de hoje que tenha celular pré-pago e chuveiro elétrico em nada invejaria o rei Luís XIV, pois pode tomar banho quente na hora que quiser e falar instantaneamente com uma pessoa do outro lado da cidade.

    A riqueza também é percepção de riqueza. Na verdade os EUA da década de 30 eram tão desiguais quanto hoje, e nesse intervalo houve um hiato da 2ª guerra até o final da década de 70, justamente a época em que o governo americano mais interveio na economia, até Reagan – quando a desigualdade voltou a crescer. E o que há de americano com saudade daqueles tempos você não imagina.

    Por fim, não existe nem jamais existirá complexidade que justifique metade da população humana ter o mesmo que OITO PESSOAS. Claro que qualquer argumento contra uma insanidade dessas deve ser classificado por você como “socialismo” e, portanto, ser uma heresia… ESSA versão do capitalismo ultra-egoísta que você defende é contrária ao próprio funcionamento do capitalismo”. – André Elebê, em resposta a um comentário do Pedro ABBM

    https://jornalggn.com.br/eua-canada/trump-em-duzentos-anos-de-historia/

  17. E as companhia aéreas jamais reclamaram quando começaram a perder tais clientes. Nem os hotéis, nem a CVC, nem as construtoras, nem as montadoras de automóveis, nem as seguradoras, nem ninguém…Aliás nas páginas do UOL/Folha deu para ouvir os que tais pensam…Confetes desde Temer, mesmo (a expressão mais precisa) com os negócios se fodendo. Mas para que a preocupação? “Tenho aplicações financeiras aqui e algum sonegado no exterior. “

  18. Andy , minhas congratulações.
    O primeiro a negar a sua proximidade com o escravo desde o tempo da Colônia era o liberto….

  19. Muito bom o artigo do AA, como quase sempre (risos). Mais importante que o diagnóstico é como sair dessa roubada e letargia que se meteu a classe média e média alta !! A maioria não tem auto conhecimento, cultura e educação suficiente para assumir e admitir o erro e se redimir, infelizmente.
    AA, vc que está mais próximo da elite, como explicar que empresários tão brilhantes (como o JPLehmann) tenham caído nessa armadilha de apoiar o golpe, simplesmente não consigo entender. Ontem vi uma nota de que a Azul linhas aéreas fez prejuizo de mais de R$ 400 milhões no 3o trimestre 2019.

  20. + comentários

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