Quando a situação poderá se estabilizar?, por Rogério Maestri

Quando a situação poderá se estabilizar?

por Rogério Maestri

Comentário ao post ‘Xadrez do fim do governo Bolsonaro, por Luis Nassif

No início do xadrez, Luiz Nassif coloca um título que talvez explique melhor o que se pode esperar no futuro, “a dinâmica dos escândalos políticos”, eu estenderia este título para um mais genérico que seria “A Dinâmica da Política”. Deste título mais genérico a palavra mais importante é “Dinâmica”, pois quando se utiliza termos de origem na Física para interpretar eventos sociais, tem-se que levar em conta uma série de características do comportamento de sistemas “Dinâmicos” em Física que por analogia se ocorrem também em sistemas sociais.

Explico melhor, sistemas físicos, por exemplo sistemas mecânicos, tem uma propriedade de extrema importância que deve ser levado em conta quando um projetista produz um “Sistema Mecânico”, a “Estabilidade”. Sistemas mecânicos de vários componentes tem uma característica que deve ser levada em conta, eles devem serem estáveis para serem previsíveis. Ou seja, um sistema mecânico não estável o seu comportamento pode se tornar errático, caindo no que se chama “caos” que conforme o número de variáveis pode degenerar no que se chama um sistema turbulento.

No comportamento das sociedades humanas, pode-se ter sistemas estáveis dentro de determinados limites que periodicamente devem sofrer pequenas correções para que os mesmos permaneçam previsíveis, quando as condições desta sociedade começam a degenerar e não há quem possa fazer estas pequenas correções, a tendência é partirmos para uma situação caótica. Porém quanto maior for a instabilidade dessa sociedade as correções necessárias não serão mais pequenas, mas aumentando quanto maior a instabilidade da mesma.

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Num sistema social, as correções que deverão ser feitas para que não caiamos no Caos, devem ser feitas principalmente nas condições de contorno, ou seja, de preferência por fatores externos a esta instabilidade que pode levar ao caos. Para ser mais concreto, numa situação como a brasileira, instituições que deveriam tentar preservá-la do caos, como o STF, ou mesmo os militares, não são soluções viáveis, pois elas no momento fazem parte do problema e não da solução. As manobras do supremo que mais criaram instabilidade do que estabilidade, a participação maciça das forças armadas no governo que tende a se tornar caótico, fazem que estas duas instituições, não por supostas ou reais venalidades que possuam, lhes torne impossível de estabilizar a situação, simplesmente porque como estão dentro da geração da instabilidade qualquer movimento que façam com o objetivo de resolver o problema ao mover algumas peças neste xadrez ela deixarão a descoberto outros setores.

Dando um exemplo mais concreto, se Jair Bolsonaro, cair e por exemplo, as Forças Armadas apoiando a posse do general vice, como estas estão intimamente ligadas ao esquema Jair Bolsonaro, rapidamente seus movimentos internos, mesmo que sejam de fechamento político com extrema truculência, serão ligados ao passado e com a própria politização das mesmas forças armadas, frações que não ficarem satisfeitas com a Proposta Mourão de substituir Bolsonaro, naturalmente ficarão descontentes. Sem contar que além das Forças Armadas temos as forças policiais, que com a substituição de Bolsonaro por Mourão ficarão extremamente aborrecidas, para não dizer furiosas.

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Supondo que a solução de uma queda de Bolsonaro resulte na ascensão de Mourão ao poder, certamente este último não será uma unanimidade no grupo que levou Bolsonaro ao poder, muitas vozes dissonantes dentro e fora do esquema de poder se manifestarão energicamente. Fazendo uma espécie de previsão sujeita a chuvas e trovoadas, poderemos ver um triunvirato militar assumir no lugar de Mourão, porém como se sabe desde os tempos de Roma, nunca os exércitos podiam ultrapassar o Rubicão, pois deviam-se manter longe do poder. Porém Júlio César atravessou, e daí por diante cai o senado, uma guerra civil se instala e muitos apesar de reconhecer que o Império Romano ainda se expandiu, na travessia do Rubicão está o germe da decadência de Roma.

Já estou chegando longe demais nas elucubrações do futuro do Brasil, logo aguardemos mais um passo, para aí sim seguir na futurologia temerária e na maior das vezes completamente equivocada, mas o papel aceita tudo!

 

 

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4 comentários

  1. Interessante!

    Caro Maestri,

     

    como as previsões, mesmo considerando temerária. ouso perceber em você um engenheiro… provavelmente mecânico. Transformou em lógica compreensível alguns dos mecanismos do atrual caos político em que vivemos. A matéria na qual enfrentei o tema chamava-se “Regulação de Máquinas”, mas foi há muito tempo.

    A par de ter tido o cuidado em não se aventurar em previsões, não deixou de fazer várias e… muito consistentes.

    Gostei.

     

    Abraço!.

     

     

     

    • São especulações, baseadas em probabilidades de ocorrência, mas

      São especulações, baseadas em probabilidades de ocorrência, mas deixei claro, são especulações.

      Previsões em governos que não se tem nenhuma informação do núcleo duro do poder, os militares, são extremamente temerosas, mas alguém deve fazê-las.

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