23 de outubro de 2026

Robôs não mentem, por Felipe A. P. L. Costa

O candidato do PL ignorou todas as perguntas; limitou-se a repetir o que costuma fazer diante de um microfone: despejar mentiras e perdigotos

Debate presidencial na Band expôs grosserias e falta de propostas do candidato da extrema direita, gerando preocupação em eleitores.
IA da Meta afirmou que Flávio Bolsonaro defende submeter o Brasil a interesses dos EUA e grandes corporações, segundo artigo do PT.
Candidato do PL ignorou perguntas e repetiu mentiras no debate, contrastando com postura do presidente Lula, segundo análise do autor.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Robôs não mentem, por Felipe A. P. L. Costa [*].

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As repetidas e insistentes molecagens e grosserias vistas no debate presidencial promovido pela Band, ontem à noite (18/10), acenderam um sinal vermelho em muitos eleitores indecisos.

Serviram também para escancarar duas coisas: (i) no plano pessoal – crescer em uma família carioca de classe média alta, sob a liderança de um militar frustrado e corrupto, tende a converter as crianças (notadamente os meninos) em adultos mimados, grosseiros e igualmente corruptos; nesse tipo de ambiente familiar, honestidade e boas maneiras parecem ser vistos como sinais de frescura ou fraqueza; e (ii) no plano político – sem propostas concretas para os problemas do país, a extrema direita abusa dos efeitos especiais: mentir, mentir, mentir e, se necessário, mentir berrando ou até espancando o interlocutor; e assim tem sido, seja aqui, seja em outros países.

Veja agora a situação irônica e grotesca em que nós, brasileiros, nos encontramos neste exato momento. Em resposta a uma consulta feita por uma cidadã brasileira, a IA da própria Meta informou o seguinte: “[Flávio Bolsonaro é] um candidato que abertamente defende submeter a política externa, econômica e regulatória brasileira à vontade de Washington e das grandes corporações norte-americanas. Para a Meta, isso é o cenário ideal”.

Soube desse caso da IA hoje (19), lendo artigo de autoria da gentil e bem-educada jornalista mineira Eliara Santana, publicado no sítio do Partido dos Trabalhadores, dias atrás (ver aqui).

CODA.

Ontem à tarde, algumas horas antes do debate, troquei mensagens pelo celular com alguns amigos e colegas. Uma das teses a circular nessas conversas foi mais ou menos a seguinte:

“Cá entre nós: há um debate marcado para a noite deste domingo (18) na Band. A ideia seria colocar o presidente Lula diante do seu opositor, o candidato da extrema direita. Ocorre que, além de profundamente corrupto, covarde e inepto, o candidato do PL é um pastel de vento: não tem propostas nem tem preparo para discutir com quem quer que seja. Muito menos com um estadista. Não vai ser hoje que o cérebro dele vai mudar. Não vai. Diante de flagrante assimetria, duas alternativas são possíveis. (i) Alegando dor de dente ou uma unha encravada, o candidato do PL vai faltar ao debate; ou (ii) com ajuda de terroristas profissionais (e.g., agentes do Mossad), a extrema direita vai forjar alguma notícia bombástica de última hora – e.g., uma bomba no metrô, um novo incêndio no Museu Nacional ou uma nova facada. (Em tempo: vale lembrar que o ar de Manaus está irrespirável há duas semanas ou mais. A causa: incêndios florestais – criminosos? – promovidos no entorno da cidade.) Fato é que eu duvido muito que nós venhamos a ter um debate sério hoje à noite.”

De fato, não houve qualquer debate. O candidato do PL ignorou todas as perguntas; limitou-se a repetir o que costuma fazer diante de um microfone: despejar mentiras e perdigotos malcheirosos. O sujeito aprendeu a agir assim aos 19 anos, quando entrou na vida pública pelas mãos de um pai corruptor (ver aqui). E mentiras são tudo o que esse sujeito tem a oferecer. É a vida dele. A menos, claro, que comece a ser duramente questionado por jornalistas, o que não foi o caso de ontem, ou comece a ser interpelado por autoridades policiais.

Comparado ao presidente Lula, o candidato do PL é um rascunho mal-acabado de homem, uma figura triste e doente; um morto-vivo com areia até o pescoço. Ele me faz pensar naquele tipo de gente que, quando se vê em uma encruzilhada, no meio de um redemoinho, faz logo um trato e sai correndo pela tangente. Gente que é movida pelo medo, a ambição e o desejo desmedido de ter cada vez mais; gente que já acorda e levanta da cama rangendo os dentes, sem qualquer perspectiva de levar uma vida honesta e honrada.

* * *

NOTAS.

[*] Para adquirir os livros do autor, faça contato pelo endereço [email protected]. Para conhecer outros artigos ou obter amostras dos livros, v. aqui.

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O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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