Sobre títulos, páginas e livros, por Cristiane Alves

 
Sobre títulos, páginas e livros
 
por Cristiane Alves
 
Durante boa parte da Idade Média e Moderna o povo europeu foi levado a crer que conhecimento enlouquecia, que banho trazia doença e preguiça, que ler podia cegar.
 
O que nos distancia das trevas? 
 
Talvez tenham todos os povos do mundo que cumprir o carma dos períodos históricos.
 
Se em plena globalização nos deparamos com pessoas livres que protestam pela perda de seus direitos civis, pessoas que valorizam mais o aparelho celular que o ser humano, que preferem o status à pessoa. 
Quanto evoluímos?
 
Quem me mostrou a importância da leitura não pode completar o segundo ano primário, mas nunca lhe faltou um livro.

 
Humano mesquinho aquele que crê que educação formal é requisito único para a inteligência.
Sabedoria é a prática do conhecimento e conhecimento não tem endereço fixo. É andarilho cuja bagagem se completa em cada paragem.
 
Em tempos de fé cega em fake news, livro causa mais incredulidade que discos voadores.
Gostaria de dizer que sim, existem gênios que nunca estiveram em escolas. Existem habilidosos e superdotados que nunca serão descobertos, mesmo dentro das escolas. Muitos são tratados tão mal que desenvolvem aversão às escolas e professores.
 
Muitos desses são destaques em algumas das inteligências, mas completos desastres em outras competências. Muito frequentemente pensamos em estudantes brilhantes em exatas, mas péssimos em comunicação, por exemplo.
 
Liderança e comunicação são áreas da Superdotacão, portanto não se espante, nordestinos, pobres e mal formados podem ser geniais. E são, muitos.
 
O povo se regozija com relatos de grandes homens e mulheres estrangeiros cuja origem não lhes permitiria quase nada não fossem suas capacidades muito acima da média. Os têm por exemplos motivacionais, mas preferem depreciar a origem humilde de alguém que se tornou a maior liderança da esquerda da atualidade.
O autopreconceito é a maior desgraça de um povo.
 
Muitos compartilham em suas redes sociais fotos e vídeos de jovens pobres de diferentes etnias em seus atos criativos, mas dizem sem o menor pudor que nunca contratariam certos profissionais formados através do sistema de cotas raciais.
 
Estudiosos da educação especialistas em inteligências garantem que raça e gênero não são  determinantes às capacidades. Disso podemos ponderar o porquê de mulheres e negros serem menos elencados nos rols dos gênios conhecidos pela humanidade. Talvez seja um bom caminho para o questionamento.
 
Infelizmente nos acostumamos a ver sempre os mesmos nomes nos lugares de destaque, somos condicionados a acreditar que os mesmos são os que nascem predestinados ao poder e à glória. A injustiça travestida de merecimento.
 
Quando não, nos tiram todos os meios, nos sobrecarregam, nos anulam e depois nos dizem que não nos esforçamos o suficiente, não tivemos fé o bastante. Somos preguiçosos, somos a personificação do mimimi.
 
É que ter inteligência e habilidades acima da média não garante que seremos nada. A meritocracia hereditária é mais forte que nossa capacidade de mudar o mundo.
 
Quando uma pessoa genial incomoda os indoutos poderosos, esses o emparedam ou desmoralizam. Então contamos com a justiça da História, mas a História as vezes sofre delay.
 

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