Um escândalo na família, por Sergio Saraiva

bolsonaro família
Foto: Divulgação

Por Sergio Saraiva

Gilberto Dimenstein foi muito feliz ao descrever o futuro governo Bolsonaro: “Bolsonaro está começando seu governo no estado em que outros presidentes acabam”.

Isso porque escândalos e casos que costumam vitimar governos no seu final estão presentes no governo Bolsonaro, mesmo antes de sua posse. A bem da verdade, as sombras de Fernando Haddad e do PT são o principal escudo de Bolsonaro. Porém, por quanto tempo o antipetismo defenderá Bolsonaro? Eis a questão.

Há pelos menos três casos – dois escândalos de alta octanagem – que colocam o TSE, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal na encruzilhada do governo Bolsonaro.

O caixa 2 – o maior deles, denunciado pela Folha de São Paulo, o Caixa 2 para disparo em massa de mensagens via grupo de Whatsapp. Pago por empresários e não declarado na prestação de contas da campanha de Bolsonaro. Há nomes e quantias. Coisa de dezenas de milhões de reais. Nomes de quem pagou, para quem e do informante. Documentos e o roubo de dados de idosos para viabilizar as operações de disparo em massa de mensagens com fake news contra Haddad durante as eleições. O caso está com o Ministro Barroso – que aprovou com elogios as contas de Bolsonaro, mas manteve a investigação em relação ao caixa 2. Barrosianas. Esse escândalo ameaça o mandato de Bolsonaro. Mas nada acontecerá, por enquanto. Se condenado, perde o mandato. E isso acontecendo antes da metade do mandato, tanto pode dar Haddad – impensável – quanto se convocar novas eleições – Haddad de novo, impensável. Mas é possível manter-se cuidadosamente esse escândalo em banho-maria até a segunda metade do mandato. A partir de então, a bola estará com o Congresso Nacional. Foi assim com a chapa Dilma-Temer e as doações da Odebrecht. O mandato de Bolsonaro, no limite, estaria sujeito, então, aos ritos do TSE, durante toda a sua duração.

O caso Queiroz – Bolsonaro está diretamente envolvido, dado o cheque depositado na conta de sua mulher. O caso tem ares de ser um clássico. Queiroz seria o caixa de Flavio Bolsonaro – deputado estadual do Rio de Janeiro. Recolheria, além de talvez alguma mesada, os salários de funcionários fantasmas e quitaria com eles as contas da família Bolsonaro. Queiroz não é investigado e não pesa contra ele oficialmente nenhuma acusação. Uma situação estranha onde há provas, mas não há convicção. Mas isso por enquanto. Nada vai ocorrer até que Bolsonaro assuma. Depois disso, não poderá ser investigado por crime anterior ao mandato, até o fim do mandato. Sem risco de dar Haddad. Com o filho eleito senador, isso é diferente. E tudo dependerá da ação ou inação do Ministério Público Federal. E lá está Raquel Dodge. Buscando a recondução ao posto de PGR – procuradora geral da República e já rejeitada por Bolsonaro. Rejeitada, até aqui.

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E há ainda, correndo por fora, a extemporânea investigação da Polícia Federal em relação a Adélio Bispo – a pessoa que esfaqueou Bolsonaro durante a campanha eleitoral.

O caso Adélio Bispo – a questão aqui é o porquê dessa investigação. Aparentemente o caso está encerrado desde o início. Adélio foi apresentado, pela própria Policia Federal que cuidou inicialmente do caso e efetuou sua prisão em flagrante, como um desequilibrado. Um psicopata com delírios persecutórios de fundo político-ideológico que teria agido sozinho no atentado à vida de Bolsonaro. Isso atestado por psiquiatras forenses. Caso encerrado. Só que não.

Uma outra equipe da mesma Polícia Federal investiga também o caso. No mínimo, pouco usual. Preocupam-se com que poderia haver um mandante, por trás de Adélio. Então, a própria Polícia Federal que atestou que Adélio agiu sozinho é incompetente ou está acobertando um mandante de atentado político? A contradição entre a conclusão apresentada e essa investigação é gritante.

Não que não existam acontecimentos estranhos no caso.

Bolsonaro era protegido por elementos da própria Polícia Federal, nas suas caminhadas públicas durante a campanha. Como Adélio – um tipo estranho ao grupo – pode chegar tão perto de Bolsonaro? A Polícia Federal é descuidada a esse ponto? E se Adélio não foi percebido como alguém estranho ao grupo? E por que não seria?

Adélio foi preso em flagrante, no local do crime, acabara de esfaquear “o mito” de todos que ali estavam – mais de uma centena de homens vociferando macheza e violência. E, no entanto, a Polícia Federal, que não protegeu Bolsonaro, garantiu a segurança de seu agressor. Adélio chegou à delegacia sem que tivesse recebido sequer um tapa desferido por um bolsonarista transtornado de dor. Como se, surpreendidos pelo ato, os bolsonaristas não soubessem o que fazer. O que os surpreenderia? Não esperavam aquela ação vinda de alguém como Adélio?

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Adélio é um psicopata. Mas era também um trabalhador volante, desses que rodam o interior do Brasil – no caso dele, Minas Gerais – de cidade em cidade, sobrevivendo de pequenos trabalhos temporários e mal pagos. Seus parentes, do norte do Estado, são tão pobres que tiveram de se cotizar para que, pelo menos, um deles pudesse viajar até Juiz de Fora – no sul do Estado – para visitá-lo na prisão. O próprio Adélio estava havia poucos dias na cidade.

Como alguém assim tem um benfeitor secreto – e anônimo até para o advogado contratado – que paga R$ 300 mil para bancar a sua defesa? Defende o mandante? Há um mandante?

Em plena campanha eleitoral, Adélio não foi interrogado a ponto de dizer se obedeceu às ordens de um mandante? Adélio um ex-militante do PSOL. A Polícia não se interessou em perguntar? O PSL – partido de Bolsonaro – tampouco se interessou? Adélio se manteve estoicamente em silêncio? Não teria um telefone celular que pudesse ter rastreado as suas ligações? Como faria contato com esse suposto mandante?

Essas perguntas poderiam também ter-lhe sido feitas pela imprensa, mas o ministro Gilmar Mendes proibiu Adélio de dar entrevista. Censurou ninguém menos que a Revista Veja – sua velha amiga. Atendia a uma solicitação do TRF 3 – Tribunal Regional Federal – que temia que a entrevista pudesse atrapalhar as investigações. Como poderia? O que os jornalistas poderiam obter de Adélio que a Polícia Federal já não soubesse? O caso de um psicopata andarilho do interior justifica a atenção de um ministro da Suprema Corte?

E por fim, como Adélio – um trabalhador volante do interior de Minas Gerais – conseguiu recursos para frequentar o clube de tiro frequentado pelos filhos de Bolsonaro… em Santa Catarina?

Orbitando esse fato, a Revista Época de 14 de dezembro de 2018 traçou um perfil de Carlos Bolsonaro – filho do meio de Bolsonaro e frequentador do clube de tiro – que o retrata como uma personalidade problemática – quando não violenta, quase um psicopata também. E a mesma revista diz que Carlos estava em Juiz de Fora quando Adélio agrediu seu pai.

E o que Carlos Bolsonaro quis dizer quando postou em sua conta no Twitter que a eventual morte de seu pai “não interessa somente aos inimigos declarados, mas também aos que estão muito perto”? De quê aparentemente se defende, quando diz que fez sua parte e que é preciso entender o contexto da situação? 

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Em 21 de dezembro de 2018, a Polícia Federal invadiu o escritório do advogado de defesa de Adélio – o escritório funcional de advogados é inviolável por lei, mas, aqui, de nada adiantou a lei. Oficialmente, queriam saber se o advogado sabia o nome de quem o pagara para defender Adélio. Seria essa pessoa o mandante?

Buscavam saber se o advogado sabia o nome de quem o pagara ou buscavam confirmar e garantir-se de que o advogado realmente não sabia o nome de quem o pagara?

A pergunta acima fica no campo da teoria da conspiração. Mas imaginemos, por um momento, que Adélio tenha sido recrutado – e sabe-se lá com que propósito – por alguém próximo a Bolsonaro. A campanha de Bolsonaro foi uma polifonia de muitos grupos de apoio sem um comando centralizado. Parece loucura? Não, não creio que essa hipotética pessoa que teria hipoteticamente arregimentado Adélio seja mandante de um atentado. Apenas alguém que desavisadamente teria aproximado um psicopata do candidato vencedor das eleições de 2018. Isso traria respostas para muitas das indagações acima. E colocaria a Polícia Federal de posse de uma informação que deveria ser tratada com todo o sigilo que a sensibilidade de sua não revelação exige. Sabemos que a Polícia Federal não vaza informações, mesmo quando isso possa ser do interesse de algum ator político em particular.

Então, nesse caso, ao menos, o governo Bolsonaro pode ficar tranquilo. Até porque Sergio Moro – no Ministério da Justiça – comandará a Polícia Federal. E Moro é conhecido pelo trato sigiloso que dá às informações a que tem acesso e jamais agiu em interesse próprio, nos casos de que cuidou.

Ainda que tenha quem diga que sua indicação ao cargo de ministro da Justiça, após ter mandado para a prisão o principal adversário de Bolsonaro, já seria por si só um escândalo.

 

PS: Oficina de Concertos Gerais e Poesia – um olhar torto vendo as coisas como elas são.

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15 comentários

  1. Uma crise porca antes da posse

    O disparo de msn é uma bobagem sem provas questionada até pela umbusdman do jornal. Concordo que Adélio é simplesmente um maluco sem mandantes e duvido que haja alguem pagando pela defesa. Trata-se de um advogado mentiroso em busca de holofotes. Só isso. Resta o caso Queiroz. É grave. O MP está pegando leve com ele, protegendo Bolsonaro. A entrevista que deu ao SBT foi um desastre. Torço pela decretação de uma preventiva para que ele confesse o que já sabemos e desmoralize o Flavio Bolsonaro e vá em cana. O Presidente que se dane com o desgaste político provocado pelo filho e pelo deposito em conta da esposa. E o novo Governo que siga em frente. Vamos ver no que dá. Não será pior que Dilma, espero. Não votei em Bolsonaro e não acho que o PT seja um mar de honestidade e competência.

    • Não sou chegado as teorias de
      Não sou chegado as teorias de conspiração, mais tenho algumas duvidas sobre a facada no Bolsonaro…
      1)Adelio se quer tomou um tapa dos seguidores do mico.
      2)Não ví nenhuma imagem de sangue na sua camisa amarela.
      Pergunto, não haveria a possibilidade dele ter que fazer uma cirurgia, assim sendo conseguiram encaixar este enredo para dar uma turbinada na sua campanha?

  2. Meu nome é trabalho e Zé Meningite
    Com qual desses dois personagens, o Fabrício Laranja Queiroz se pareceu menos, durante a entrevista concedida ao $istema Bolsossauro de Televisão.

    O Queiroz, tal qual o Zé Meningite, foi só enfermidade, e tal qual meu nome é trabalho, pois é multifuncional, é pau prá toda obra e sabe fazer dinheiro… nas costas dos pobres assessores

  3. Outras questões

    Quanto ao atentado contra Bolsonaro, há mais perguntas a serem feitas:

    1. Imedatamente à suposta facada surge um carro no meio da multidão para transportá-lo para o hospital. O carro estava de plantão?

    2. Como surgiu um pano branco (ou camiseta branca) para tampar o suposto ferimento? Já estava preparada?

    3. Como uma equipe cirúrgica que teve o cuidado de vestir o jaleco cirúrgico se esqueceu de botar as luvas?

    4. Como numa sala cirúrgica se admite uma haste de suspensão de bolsas de soro e sangue em estado lamentável de consrvação e higiene?

    5. Porque não há um lençol cirúrgico cobrindo o paciente?

    6. Será que algum jornalista mais arguto submeteu o filme do atentado a uma investigação mais acurada?

    São questões que nós, todos os brasileiros, temos direito a uma resposta.

  4. BOLSONARO tem um passado de

    BOLSONARO tem um passado de MENTIRAS, intrigas e de TERRORISMO.

    NUNCA foi punido pelas barbaridades que sempre ofenderam a democracia e as LEIS do pais.

    O BRASIL desde 2015 vem num GOLPE urdido pelas FFAA, Judiciário, elite destronada e EUA.

    O Principal candidato adversário foi impedido de concorrer e esta ILEGALMENTE preso em Curitiba a mando do futuruo Ministro da Justiça que terá TODOS OS INSTRUMENTOS pra proteger esta família que chega a Brasilia.

    Porque nos fazemos de tolos ????  ..claro que esta tudo muito claro aos minimamente informados (com STF e tudo)  ..embora há muitos casos ainda pra esclarecer  ..por exemplo

    – o fim dado aos recursos de DIVERSOS ANOS, que passaram pela conta do Queiroz, filha e esposa  ..do outro assessor que nunca trabalhou e esta na Europa, e demais funcionários dos gabinetes  ..ou mesmo da VAL do AÇAI

    – sobre o atentado dado ao MITO, pq ainda não esta fechado ?

    – sobre a virada eleitoral que afetou, contra todas as pequisas, importantes lideranças progressistas que estavam disparadas na frente  (Suplicy, Requião, Dilma, Graziotin e Viana)

    e se vc tiver certeza da lisura que nos cerca, então assista ao vídeo que esta disponível no youtube.

    em tempo – importante medica cancerologista da USP (ativista), até bem pouco, exibia no Facebook a versão de que há tempos o tal mito estava com cancer

    https://youtu.be/8hv1D6EgWfc

    • Sobre a lisura e outras coisas
       

      Nunca se ponha em dúvida a lisura do novo lider danação.

      O bicho é liso e ensaboado.

      Sobre o atentado e o autor.

      Um fato curioso, que tem me chamado a atenção é o poder dos bispos na vida do eleito.

      O Bispo Macedo e outros santos o elegeram

      O Adélio Bispo, pela vontade de deus o teria esfaqueado.

      E os pastores da última hora “ungiram a pança do bolsonaro” por que deus mandou.

      Dizem, foi uma profecia (sic)

       

      Uma imagem publicada pelo pastor Reuel Bernardino, presidente do Gideões Missionários da Última Hora, mostra um pastor e uma mulher orando pelo abdômen do presidenciável Jair Bolsonaro.

      Eles colocam as mãos literalmente na barriga de Bolsonaro enquanto oram, e segundo Reuel [que não aparece na foto], o pastor que orou sentiu a vontade de abençoar o abdômen do presindenciável.

      Isso aconteceu no dia 29 de Abril, durante o Congresso Gideões Missionários da Última Hora (GMUH), deste ano, por tanto, alguns meses antes de iniciar oficialmente a campanha eleitoral, e claro, antes do atentado em  que um homem com uma faca atingiu exatamente o local onde Bolsonaro recebeu a oração.

      https://gospelplanet.com.br/profecia-foto-de-pastor-orando-pelo-abdomen-de-bolsonaro-antes-do-atentado-revela-providencia-divina/

       

  5. Ele não agiu sozinho

    Ele não agiu sozinho.

    Vejam o documentário no link abaixo ( A facada no mito). É um pouco longo mas vale a pena assistir.

    Os rostos de diversas pessoas que participaram efetivamente da ação, são facilmente identificáveis.

    O vídeo mostra detalhes que não poderiam deixar de ser observados pela Policia Federal e MP, inclusive uma primeira tentativa frustada, que deixa margem a interpretação de um “talvez”, como sugere o final do referido documentário

    Seria necessária uma investigação de fato 

     

    https://www.youtube.com/watch?v=8hv1D6EgWfc&feature=youtu.be

  6. Benemerencia……..e a

    Benemerencia……..e a jato…….

     

    Corerram a acudir o coitadinho………….sumiu, escafedeu-se, apareceu, cresceu o nariz e os beneméritos acudiram……

     

    Afinal, a lojinha existe para isso mesmo……acudir lojistas……Lula? Já viu operário ter influencia? Pra esses danados, a lei, oras………senão, pra que elas serviriam, não é?

  7. Muitos perguntam como pode,

    Muitos perguntam como pode, depois da facada, nenhu dos presentes que cuidou do esfaqueado, segurano-o, conduzindo-o de um ponto ao outro, não apresentaram uma marca de sangue, nem mesmo no esfaqueado foi visto manchas vervelhas.

    Essa de um mito, rodeado de marombados, cheios de murros pra dar, sequer terem dado um cascudo em Adélio, que, também, pôde chegar com uma faca até o mito sem que ninguém visse, …

    Tem uma coisinha que eu também não consigo engolir. Um filho ou irmão do mito apareceu twitando o seguinte, já com o pai hospitaliado, e horas depois do atentado: “GRAÇAS A DEUS ELE ESTÁ BEM, SEM CONSEQUÊNCIAS”. Foi mais ou menos o que ficou gravado em minha mente. 

    Se o próprio familiar chega pra dar o boletim médico garantindo que tava tudo bem, sem consequências, como entender que o negócio partiu pro intestino grosso, na parte mais baixa do abdomen? 

    O local da facada nunca foi visualizado por ninguém. Poderia, afinal, pra quem é considerado mito, e vitimizado por besteira, seria uma oportunidade para se vitimizar mais, e com provas cabais.

    Especulações não hão de faltar quanto a essa facada, a Adélio e sua vida particular, bem como a esse estado de saúde, que ora se revela como incapacitante ao paciente para não poder estar na Globo, ora estará na Record. Ora não pode não sei o quê, e logo estará num campo de futebol erguendo uma taça com desenvoltura de um atleta. Essas coisas são enigmaticas, mas nem tanto. 

  8. O quarteto divino.

    Por quatro anos governará o Brasil, O Messias e seus três arcanjos. Ou serão MIBs, os temíveis homens de preto alienígenas?Se completará seu mandato só Deus sabe.

  9. Desfazendo mal-entendidos
     

    De uma vez por todas e para encerrar especulações é de se esclarecer que a faca que adentrou o abdomen do mito, embora serrilhada, não trouxe nem sangue e nem tecido em sua lâmina por um único motivo : insetos  não têm  sangue

  10. + comentários

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