Debate: um ganhou na forma, outro no conteúdo, por Pedro Costa Jr.
Péssimo nível do debate:
1- Lula não foi bem e adotou uma estratégia equivocada. Estava nervoso e mal preparado. Tentou jogar xadrez com um pombo. Salvo alguns vislumbres, encarnou o candidato da velha política e do mais do mesmo. Defendeu mal seu legado e deixou de atacar Flávio de forma mais incisiva em temas cruciais. Ainda assim, teve bons momentos, especialmente ao abordar a questão da soberania e da Petrobras. O mais importante, porém, foi o desafio de abrir as contas. Essa pode ser a grande repercussão do debate.
2- Flávio estava bem preparado para as câmeras e soube administrar o tempo. Foi bem treinado e demonstrou maior controle emocional. Ganhou na forma, mas não no conteúdo. Não respondeu a nenhuma pergunta nem apresentou propostas ou projetos. Falou muito para a própria bolha. Explorou bem o tema da prosperidade, tão presente nas pesquisas. No entanto, fica a marca da fuga do grande desafio de abrir as contas, além do cinismo e de certa arrogância. O eleitor pode não perdoar isso.
3- Em suma, um ganhou na forma, e o outro, no conteúdo. Espero que o cinismo de Flávio não passe impune aos olhos do eleitor. Fica, por um lado, a imagem de um senhor um tanto cansado e sem saídas aparentes, e do outro lado, a de um playboy arrogante, cínico e mentiroso.
4- PS: Oinegue, um imprestável. Sobrou tudo para a ótima Adriana Araújo.
Pedro Costa Júnior é doutor do Departamento de Ciências Políticas (DCP) da USP e autor do livro “O Poder Americano no Sistema Mundial Moderno: Colapso ou Mito do Colapso?”, Curitiba: Appris, 2019.
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