5 de junho de 2026

Uma visão metafórica e outra existencial sobre fim de Israel, por Armando Coelho

“Netanyahu irá, mas o Estado morrerá com ele" é o título da análise de Landismann sobre o processo de desgaste mundial do Estado de Israel.
Benjamin Netanyahu - Flickr

Netanyahu é acusado de enfraquecer instituições de Israel, gerando divisão social e crise política no país.
Jornalista israelense afirma que o Estado de Israel pode “morrer” com Netanyahu, devido a polarização e conflitos internos.
Ex-oficial dos EUA alerta para possível colapso estratégico de Israel, com riscos de uso de armas nucleares e derrota militar.

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Uma visão metafórica e outra existencial sobre fim de Israel

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por Armando Coelho Neto

Não existe registro de que Benjamin Netanyahu tenha dito a frase “O Estado sou eu”, do mesmo modo que há quem possa duvidar — e se coloca em dúvida — que Luís XIV, o “Rei Sol” da França, a tenha dito. Mas, pela forma de agir, em ambos os casos, se não disseram, é como se tivessem dito. Luís XIV à parte, desde a reforma judicial de 2023 tal fala ganhou forma contra Netanyahu.

O fato é que os poderes reais, supostos ou atribuídos ao líder israelense vêm despertando especulações, em especial quando se difunde cada vez mais a ideia de que Netanyahu, via poder econômico dos judeus nos EUA, “é o rabo que está balançando o cachorro”, numa alusão a essa ascendência do israelense sobre o presidente norte-americano. Trump deu a Israel a guerra que Israel queria, dizem.

Especulações sobre essa inversão de poderes têm sido comuns entre analistas internacionais como Glenn Diesen, Danny Haiphong, Scott Ritter e seus entrevistados nos canais do YouTube. Do mesmo modo, o absolutismo de Benjamin Netanyahu foi tema de um desses programas, em que foi desenterrado um artigo da jornalista israelense Carolina Landsmann, do jornal Haaretz (Israel), datado de 2023.

“Netanyahu irá, mas o Estado morrerá com ele” é o título da polêmica análise da jornalista sobre o processo de desgaste mundial do Estado de Israel. Querendo ou não, a autora reforçou a ideia do “O Estado sou eu”, talvez até numa ironia à afirmação de Netanyahu, que em discurso afirmou “Nós somos o Estado”. Seja como exagero, mera retórica política ou catastrofismo, a fala saiu da imprensa local.

Benjamin Netanyahu não teria apenas enfraquecido um governo, mas corroído instituições inteiras de Israel, diz Landsmann. A sociedade israelense estaria profundamente dividida, e ela cita como agravantes o fato de se ter um Judiciário intimidado, um Parlamento desequilibrado e um Exército enfraquecido. Para piorar, a mídia estaria patinando entre o superficial e a manipulação.

No artigo, a autora afirma que a perspectiva real de solução para a questão palestina caiu no vazio, de forma que não haveria sequer “caminho de volta ao que existia antes. Não há futuro para o Estado como ele era. O Estado é ele (Bibi), e o fim dele será o fim do Estado. Ele o matou.” Cáustica, ela fala em ganhar tempo “esperando remover o tumor e salvar o corpo, mas já é um caso sem esperança. É tarde demais.”

Entre a metáfora e a profecia, Israel não seria literalmente destruído nem vai desaparecer imediatamente. Os danos sofridos pelo país, entretanto, são ou seriam irreversíveis após anos de polarização, conflitos internos e guerra. A visão é crítica e fatalista sobre um Israel que, nas circunstâncias de então (hoje agravadas, cabe lembrar), o “morrer” seria o fim da democracia e da estabilidade do Estado.

Se, de um lado, a visão sobre a morte ou destruição de Israel pode estar presa a valores — sejam religiosos, morais ou históricos —, há outra visão que soa como retórica política. No Brasil, por exemplo, partidos de extrema esquerda usam expressões como “Israel ou estado sionista vai ser varrido do mapa”. Na prática, reflete mais um anseio com ares retóricos de opositores de Israel pelo mundo afora.

Sem metáfora, o fim de Israel soa concreto para o ex-oficial de inteligência dos EUA Scott Ritter. Seus textos antigos voltaram ao debate, e análises recentes (2024–2026) são taxativas quanto ao fato de que Israel está em um processo de colapso estratégico e existencial. O possível uso de armas nucleares por Israel tornaria mais rápida sua própria aniquilação, pois as respostas seriam inevitáveis.

Em “A Queda de Israel”, Scott Ritter especula sobre o fim de Israel. Há prenúncios na quebra de mitos, como a inviolabilidade defensiva, com os ataques de mísseis iranianos e drones do Hezbollah. Os sistemas de defesa de Israel podem ser saturados e superados. A derrota estratégica em Gaza e a superioridade tática das IDF (Forças de Defesa de Israel) — o Hamas sobrevive política e militarmente.

Com repúdio mundial crescente em todas as áreas, talvez fique em aberto se “Israel desaparecerá amanhã”, já que a dúvida real, sem fatalismo, pode ser se o mundo permitirá que o Estado de Israel continue existindo da mesma forma como existia antes. Mais ainda, cabe perguntar se o que resta de humanismo no povo israelense permitirá o fatalismo histórico do oprimido no sangrento papel de opressor.

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo

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Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo.

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  1. PAULO MAURICIO GONCALVES

    15 de maio de 2026 3:56 pm

    “L’état c’est moi”.
    Vários e diversos opressores devem ter dito tal máxima, ao menos em seus próprios pensamentos. Pessoas que se julgavam deuses, ou semideuses. Um dos opressores de plantão, Netanyahu, também “goza” seu momento. Também vai cair na desgraça política. Essa é a Lei da História.

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