Cinco palestinos foram mortos nesta terça-feira (14) por forças israelenses no bairro de Shujayea, na Cidade de Gaza, poucas horas depois do anúncio do cessar-fogo entre Israel e Hamas. O exército de Israel confirmou o ataque sob a justificativa de que os alvos “se aproximavam de seus soldados” quando foram alvejados. O episódio reacende a tensão no território e levanta dúvidas sobre a efetividade da trégua mediada pelos Estados Unidos, Egito, Catar e Turquia.

De acordo com a rede Al Jazeera, fontes dos serviços de emergência de Gaza também informaram que um número indeterminado de palestinos ficou ferido por tiros disparados por soldados israelenses na área de Halawa, em Jabalia.
Os casos ocorrem quando muitos palestinos aproveitam a pausa nos combates para retornar às ruínas de suas casas, um gesto arriscado, já que tiros continuam sendo ouvidos nas zonas orientais, onde qualquer movimento próximo às posições israelenses é considerado ameaça.
ONU denuncia violações do cessar-fogo
A relatora especial da ONU para os territórios palestinos, Francesca Albanese, condenou o ataque e afirmou que Israel continua violando o cessar-fogo. “Mais uma vez: cessar-fogo segundo Israel = ‘você cessa, eu atiro’. Chamar isso de ‘paz’ é tanto um insulto quanto uma distração”, escreveu ela no X (antigo Twitter).
Albanese defendeu “justiça, sanções, desinvestimento [e] boicote até que a ocupação, o apartheid e o genocídio acabem e todos os crimes sejam responsabilizados”. A especialista tem sido uma das vozes mais críticas da comunidade internacional, acusando Israel de tornar Gaza “inabitável” e de promover políticas equivalentes a limpeza étnica.
Operações militares continuam na Cisjordânia
Enquanto Gaza tenta respirar após quase dois anos de conflito, novas operações israelenses atingiram a Cisjordânia ocupada. Segundo a agência palestina Wafa, tropas invadiram bairros e vilarejos em Ramallah, El-Bireh e Hebron durante a madrugada.
Na vila de Deir Ibzi, a oeste de Ramallah, pelo menos sete casas foram invadidas e seus moradores submetidos a interrogatórios. Outras incursões ocorreram nas localidades de Ein Arik e Nilin. Em Beitin, colonos israelenses incendiaram um veículo durante a manhã, num novo episódio de violência contra civis palestinos.
No sul da Cisjordânia, cidades como Idhna e Al-Koum também foram tomadas por tropas que transformaram duas casas em quartéis improvisados. Em Tulkarem e Al-Issawiya, próximo a Jerusalém Oriental, relatos dão conta de disparos que feriram duas pessoas e resultaram em várias prisões.
Paz frágil
As mortes em Gaza ocorreram menos de 24 horas após a assinatura do acordo de cessar-fogo, celebrado em Sharm el-Sheikh, no Egito. O plano prevê libertação de reféns, retirada gradual de tropas israelenses e monitoramento internacional.
Apesar das promessas de paz, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu advertiu que Israel “retomará o conflito, se necessário, pelo caminho mais difícil” caso o Hamas não cumpra os termos do acordo.
Um silêncio seletivo da imprensa internacional
Também vale destacar que, enquanto as atenções do noticiário global se concentraram quase exclusivamente na libertação dos 20 reféns israelenses após o acordo de cessar-fogo, pouco se mencionou sobre os mais de 10 mil palestinos ainda presos em Israel, muitos deles sem julgamento ou acusação formal.
Organizações de direitos humanos denunciam que parte desses detentos inclui adolescentes e mulheres, mantidos em condições precárias e submetidos a longos períodos de isolamento. Como parte do acordo, Israel libertou apenas 1.968 prisioneiros palestinos — uma fração mínima diante do total.

Rui Ribeiro
14 de outubro de 2025 11:59 amO acordo é só de fachada. O Netanyahu já disse que “a América é algo que você pode facilmente manobrar e mover na direção certa”.
Netanyahu tá só blefando e fingindo.
Nesse ano o Pacifista Trump, digo, Pacificador Trump foi preterido por uma politiqueira no Nobel da Paz. Mas no ano que vem ele leva o prêmio nobel do cessar-fogo.