21 de maio de 2026

Entre exageros e omissões, Trump proclama fim da “era de terror e morte” em discurso no Parlamento de Israel

Presidente americano é ovacionado, mas enfrenta críticas por triunfalismo e omissões sobre a devastação em Gaza
Foto Governo Israel

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursou nesta segunda-feira (13) no Parlamento de Israel, o Knesset, em uma cerimônia marcada por promessas de paz, declarações polêmicas e até vaias. O pronunciamento ocorreu pouco depois da libertação dos últimos 20 reféns israelenses e do anúncio do cessar-fogo definitivo entre Israel e o Hamas — evento que Trump classificou como “o fim de uma era de terror e morte no Oriente Médio”.

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Diante de um plenário lotado, Trump adotou um tom triunfalista e declarou que “as forças do caos e da ruína que dominaram o Oriente Médio estão agora isoladas e derrotadas”. O presidente americano agradeceu nominalmente a aliados como o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, o presidente do Egito, Abdel Fatah al-Sisi, e o emir do Catar, Tamim bin Hamad al-Thani — líderes que, ao lado da Turquia, mediaram as negociações de paz.

“Não é apenas o fim de uma guerra, é o fim de uma era de terror e morte. O início de uma era de fé e esperança”, afirmou Trump. Em seguida, exaltou o papel dos Estados Unidos nas tratativas e declarou que “o mundo está mais seguro hoje do que estava há um ano”.

O republicano também comemorou a libertação dos reféns israelenses. “Ontem eu dizia que tínhamos resolvido sete guerras. Agora posso dizer oito guerras em oito meses, porque os reféns voltaram para casa”, disse.

Trump encerrou o discurso sob aplausos: “Este é o amanhecer de uma nova era. Israel é mais forte do que nunca, e o Oriente Médio nunca mais será o mesmo.”

Retórica sob críticas

O clima no Knesset foi majoritariamente de celebração. Trump foi ovacionado diversas vezes e elogiado por Netanyahu como “o maior aliado que Israel já teve”. O primeiro-ministro afirmou que “o mundo verá este dia como um novo ponto de partida para o Oriente Médio”.

Apesar da recepção calorosa, o tom de vitória de Trump gerou críticas. Parte da imprensa internacional apontou exageros e omissões no discurso. O presidente, inclusive, evitou mencionar a devastação deixada pela guerra em Gaza, que matou mais de 67 mil palestinos, segundo o Ministério da Saúde local — número reconhecido pela ONU. Também não explicou como será feita a transição política após o afastamento do Hamas do controle do território.

Críticos destacam ainda que o cessar-fogo depende da implementação de um acordo complexo, que prevê a reconstrução da Faixa de Gaza e a criação de um novo conselho administrativo palestino sob supervisão internacional.

Protestos e próximos passos

Durante o discurso, houve protestos dentro e fora do Parlamento. Dois deputados da esquerda israelense foram retirados do plenário após exibirem cartazes com as mensagens “Paz sem ocupação” e “Gaza vive”. Do lado de fora, manifestantes exigiam mais garantias sobre a reconstrução e o envio de ajuda humanitária ao enclave palestino.

A fala de Trump ocorreu na véspera da Cúpula de Sharm el-Sheikh, no Egito, onde líderes de mais de 20 países devem assinar o acordo de paz e reconstrução de Gaza. O plano, elaborado em 20 pontos, prevê a retirada gradual das tropas israelenses e a criação de um governo de transição palestino, sem participação do Hamas.

Mesmo com o discurso triunfante, o desafio que começa agora é transformar o cessar-fogo em estabilidade real.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

8 Comentários
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  1. Anônimo

    13 de outubro de 2025 11:07 am

    A paz para enganar os que querem ser enganados. A paz para um genocidio tão brutal exige um tribunal internacional que irá julgar os crimes!! Supõe-se tambem uma uma força que irá garantir a paz. Enfim, está tudo nas mãos de israelbe Estados Unidos que fizeram esse genocidio

  2. ed.

    13 de outubro de 2025 11:43 am

    Melhor que nada, mas este “momento histórico” é apenas mais um pífio momento de tantos outros já ocorridos neste interminável conflito de décadas (ou séculos?) na região. Vejamos:
    Este “cessar fogo” não é paz, apenas mais uma pausa.
    Foi obtido por um “trato” entre um bufãofarrão e um sanguinário e não pela comunidade internacional, que ficou assistindo ao massacre.
    Comemorar o fim de uma “guerra” onde nada restou para uma população civil de mais de 2 milhões, com muitos voltando “pra casa”, escombros com mortos insepultos, sem teto, água, energia, comida própria saneamento, escolas, hospitais…
    Dependente de ajuda por muitos anos, este acampamento de milhões não será sequer uma favela.
    Até a próxima onda, comemorar o quê?

  3. Rui Ribeiro

    13 de outubro de 2025 11:50 am

    Porque deixaram durar tanto tempo o triunfo do terror e da morte?

    1. Antonio Uchoa Neto

      14 de outubro de 2025 8:16 am

      Entre outras coisas, prezado Rui, para que a indústria bélica pudesse faturar mais alguns bilhões, para garantir a empresas americanas (ou prepostos) os contratos para a reconstrução de Gaza, para destruir uma parcela significativa de futuros combatentes da causa palestina (a síndrome de Herodes), e para o benefício de todas as cadeias produtivas da indústria do terror e da morte, como você diz. Agora eles posam de paladinos da justiça e da liberdade, como tantos outros já o fizeram – Carter, Clinton, os Bush, a lista é longa – até a próxima rodada de terror e morte, e negócios bilionários para as grandes corporações.

  4. Rui Ribeiro

    13 de outubro de 2025 1:23 pm

    Esse rato não deve ser aplaudido por ter conseguido um cessar-fogo, deve ser reprovado não só por ter permitido mas também por ter sido cúmplice de tantas mortes, tanta fome e tanta devastação.

  5. ed.

    14 de outubro de 2025 1:27 am

    O bufãofarrão se assemelha a esses deputinhos que armam falas e ações nas ruas e na câmara, tipo nikoles e similares, para aparecer, gravar vídeos e depois sair fora.
    O líder eleito da ainda maior potência do planeta se comporta como um presepeiro até em assuntos seríssimos como a morte de dezenas de milhares e s destruição da terra de mais de 2 milhões de pessoas.

  6. Rui Ribeiro

    14 de outubro de 2025 8:00 am

    Ativistas venezuelanos exilados na Colômbia sofrem atentado a tiros; oposição acusa Maduro. A Nobel da Paz María Corina Machado e o líder Edmundo González condenaram o ataque e pediram investigação. Governo colombiano prometeu ampliar proteção a exilados.

    Os Golpistas estão vitimizando seus correligionários a fim de culparem o Maduro e atraírem a ira internacional contra seu governo. Não terão sucesso.

    Força, Venezuelanos de boa vontade. Esses golpistas que vos odeiam e amam a elite estadunidense jamais terão sucesso.

  7. Rui Ribeiro

    14 de outubro de 2025 12:05 pm

    Problema é Netanyahu e não Israel, garante Lula.

    O problema é o $ionismo. Netanyahu é só uma circunstância agravante.

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