O Hamas libertou nesta segunda-feira (13) os últimos 20 reféns israelenses vivos mantidos em cativeiro desde o ataque de 7 de outubro de 2023, que deu início à guerra na Faixa de Gaza. A libertação, resultado de um acordo de cessar-fogo mediado por Estados Unidos, Egito, Catar e Turquia, marcou o início de uma nova fase nas negociações pela reconstrução do território palestino e pela redefinição de seu governo.

Libertação
Segundo o Exército israelense, os reféns foram entregues à Cruz Vermelha em dois grupos e levados em segurança até as forças israelenses. “Esperamos 738 dias para dizer isso: bem-vindos à casa”, publicou o Ministério das Relações Exteriores de Israel na rede social X.
Os libertados estavam entre as 251 pessoas sequestradas pelo Hamas durante o ataque de 2023, que matou 1.219 israelenses. Outros reféns haviam sido soltos em etapas anteriores de trégua ou resgatados em operações militares. No total, Israel calcula que 28 reféns morreram em cativeiro, enquanto dois permanecem desaparecidos.
Em Tel Aviv, a notícia provocou uma onda de comoção. Milhares de pessoas se reuniram na chamada Praça dos Reféns, onde parentes e voluntários aguardavam há meses por notícias.
Troca de prisioneiros e tensões
A libertação dos israelenses faz parte da primeira fase do acordo de trégua, que previa a troca de 20 reféns vivos e 28 corpos por cerca de 2 mil prisioneiros palestinos. Entre os libertados por Israel estão 250 detentos condenados à prisão perpétua por ataques contra civis israelenses.
Os prisioneiros foram transferidos sob supervisão da Cruz Vermelha para Gaza, Cisjordânia e outros países árabes.
Próximo à Prisão de Ofer, na Cisjordânia, houve confrontos entre palestinos e forças israelenses, que usaram gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar a multidão que aguardava a chegada dos libertados.
Um panfleto distribuído na região alertava que qualquer demonstração pública de apoio aos prisioneiros poderia resultar em prisão.
Cúpula de Sharm el-Sheikh
A libertação ocorreu poucas horas antes da Cúpula sobre Gaza, realizada nesta segunda-feira em Sharm el-Sheikh, no Egito, com a presença do presidente americano Donald Trump, do premiê israelense Benjamin Netanyahu, do egípcio Abdel Fatah al-Sisi, do palestino Mahmoud Abbas e de outros líderes internacionais.
O encontro discute a governança da Faixa de Gaza após a retirada gradual das tropas israelenses, que hoje ainda controlam 53% do território. O plano de paz em 20 pontos, apresentado por Trump no fim de setembro, propõe que o Hamas seja excluído da administração do enclave, substituído por “um comitê palestino tecnocrático e apolítico” sob supervisão de um organismo internacional de transição.
Segundo fontes diplomáticas, o acordo deve ser assinado por EUA, Egito, Catar e possivelmente Turquia. O Hamas não participará da cúpula, alegando que suas negociações são conduzidas por mediadores.
Durante a viagem no Air Force One, Trump afirmou que “a guerra (em Gaza) terminou”. Netanyahu, no entanto, afirmou que Israel obteve “vitórias enormes” na ofensiva, mas garantiu que “a luta não terminou”, ao receber o presidente americano no aeroporto de Tel Aviv –
Gaza em ruínas
Enquanto diplomatas e líderes se reúnem no Egito, a Faixa de Gaza enfrenta uma devastação sem precedentes. Segundo o Ministério da Saúde do território, ao menos 67.806 palestinos morreram desde o início da ofensiva israelense, número considerado confiável pela ONU.
No domingo, caminhões com ajuda humanitária começaram a entrar na região, mas moradores relataram saques em Khan Yunis, no sul. Com o cessar-fogo, deslocados começaram a retornar às áreas destruídas.

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