
A ajuda humanitária começou a chegar neste domingo (12) à Faixa de Gaza, devastada por dois anos de guerra, após o Hamas confirmar que iniciará, na manhã de segunda-feira (13), a libertação de reféns israelenses. A entrada dos caminhões ocorre dentro do novo acordo de cessar-fogo, em vigor desde a tarde de sexta-feira (10).
Enquanto os comboios humanitários avançam, milhares de palestinos retornam às áreas que haviam sido evacuadas pelas forças israelenses, em busca do que restou de suas casas — a maioria, reduzida a escombros. Estima-se que 90% dos cerca de 2 milhões de habitantes de Gaza tenham sido deslocados durante o conflito.
Ajuda
A primeira fase do acordo prevê o envio massivo de mantimentos para aliviar a fome generalizada causada pelo bloqueio israelense. Organizações humanitárias planejam despachar cerca de 600 caminhões diários com alimentos, suprimentos médicos e combustível. Todo o material será inspecionado por forças israelenses antes de cruzar a fronteira.
Neste domingo, dezenas de veículos atravessavam o lado egípcio da passagem de Rafah, no sul de Gaza. O Crescente Vermelho Egípcio informou que os caminhões transportam remédios, tendas, cobertores e alimentos básicos.
Nos últimos meses, a ONU e seus parceiros conseguiram entregar apenas 20% da ajuda necessária, diante dos combates, do fechamento das fronteiras e das restrições impostas por Israel. Além disso, as organizações enfrentaram saques, bombardeios e a destruição de infraestrutura essencial no enclave.
O futuro da Fundação Humanitária de Gaza (GHF) — criada com apoio dos Estados Unidos e de Israel para substituir a operação da ONU em maio — é incerto. A entidade havia sido promovida como uma alternativa para impedir o controle do Hamas sobre a ajuda humanitária, mas suas operações foram irregulares.
Segundo moradores, os pontos de distribuição de alimentos administrados pela GHF em Rafah e no centro de Gaza foram desativados após o início do cessar-fogo. Centenas de palestinos chegaram a ser mortos por tiros israelenses enquanto tentavam acessar os postos de distribuição. O Exército israelense alega que os disparos foram de advertência para dispersar multidões.
Preparativos
Israel e Hamas avançam nas preparações para a libertação simultânea de reféns israelenses e prisioneiros palestinos. O governo israelense comunicou às famílias dos reféns para se prepararem para a devolução de seus parentes a partir da manhã de segunda-feira.
Autoridades estimam que 20 dos 48 reféns mantidos em Gaza ainda estejam vivos. Uma força-tarefa internacional iniciará a busca pelos corpos dos que não forem devolvidos no prazo de 72 horas — um processo que pode se estender por semanas, já que muitos podem estar sob escombros.
Do lado palestino, o acordo prevê a libertação de cerca de 2 mil prisioneiros detidos em Israel, incluindo 250 condenados à prisão perpétua e outros mantidos sem acusação formal.
Cúpula de paz
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mediador do acordo de cessar-fogo, deve chegar a Israel nesta segunda-feira. Ele se reunirá com as famílias dos reféns e discursará no Knesset, o Parlamento israelense. Em seguida, seguirá para o Egito, onde co-presidirá uma “cúpula de paz” ao lado do presidente egípcio, Abdel-Fattah el-Sissi.
Estão confirmadas as presenças do secretário-geral da ONU, António Guterres, do primeiro-ministro britânico Keir Starmer, da premiê italiana Giorgia Meloni, do chefe do governo espanhol Pedro Sánchez e do presidente francês Emmanuel Macron, entre outras autoridades.
Apesar da trégua e da perspectiva de libertação de reféns e prisioneiros, o futuro do cessar-fogo permanece incerto. Questões fundamentais sobre a administração de Gaza e o destino político do Hamas ainda estão sem resposta.
A guerra começou em 7 de outubro de 2023, quando militantes liderados pelo Hamas lançaram um ataque surpresa ao sul de Israel, matando cerca de 1,2 mil pessoas e fazendo 250 reféns. Desde então, mais de 67 mil palestinos morreram em Gaza, segundo o Ministério da Saúde local, entre civis e combatentes.
*Com informação do Deutsche Welle.
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