A Petrobras confirmou nesta segunda-feira (17) a descoberta de petróleo no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, na bacia da Foz do Amazonas, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. O anúncio oficial ocorreu durante coletiva de imprensa em Oiapoque (AP), comandada pela presidente da estatal, Magda Chambriard, e pelo presidente Lula (PT).
Três dias antes, a companhia havia comunicado ao mercado a identificação de hidrocarbonetos na área, sob uma lâmina d’água de 2.886 metros, mas manteve a cautela até a comprovação final. “Tem petróleo, tem descoberta. A gente ainda não sabe quanto. Nós vamos continuar investindo, vamos continuar explorando e o futuro vai dizer quanto o Amapá pode nos oferecer“, afirmou Chambriard.
Avaliação e custos operacionais
A operação entra agora na fase de avaliação exploratória, cujo objetivo é determinar o volume exato do reservatório e verificar se a extração é economicamente viável. A engenharia da estatal trabalha na conclusão dos 1 mil metros finais de perfuração do poço, processo estimado entre 15 e 20 dias.
Com custo médio de US$ 1 milhão por dia, os trabalhos no poço Morpho já consumiram US$ 300 milhões em investimentos. Para expandir as pesquisas na Margem Equatorial, a Petrobras solicitou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorização para perfurar três novos poços. O plano exploratório completo para a área prevê até seis perfurações.
Paralelo com o pré-sal
Durante o evento, Lula comparou o momento à descoberta das reservas de pré-sal na Bacia de Santos. “Eu dizia para Magda que, quando ela me comunicou que tinha encontrado óleo, eu senti a mesma sensação e a mesma emoção que eu senti no dia que o Sérgio Gabrielli, em 2007, e o meu querido amigo [Guilherme] Estrella entraram no meu gabinete para anunciar que a Petrobras tinha descoberto o pré-sal“, disse o presidente.
Lula classificou o avanço na região como uma “conquista do bom senso” e defendeu a atuação da estatal na pesquisa de combustíveis fósseis, sem deixar de mencionar a transição energética do país. “Quando eu falo o passaporte para o futuro desse país, eu não estou negando a minha luta para que um dia a gente não precise utilizar combustível fóssil, porque o país vai continuar sendo o país rei da inovação dos biocombustíveis e vai continuar sendo muito grande na questão do combustível renovável“, declarou.
Rigor ambiental em análise
A autorização para novos poços na Margem Equatorial permanece sob rigoroso escrutínio técnico. Em nota, o Ibama informou que a Licença de Operação emitida em outubro de 2025 cobria exclusivamente o poço Morpho. O órgão ambiental analisa dados complementares entregues pela Petrobras em 14 de agosto de 2026 para decidir sobre as três perfurações contingentes previstas no bloco.
O processo de licenciamento ocorre sob vigilância reforçada após a Petrobras ter sido multada pelo Ibama em R$ 2,5 milhões em fevereiro. A sanção decorreu do vazamento de 18,44 m³ de fluido de perfuração de base não aquosa no Navio Sonda 42 (NS-42), provocado por falha em duas linhas auxiliares.
Para mitigar riscos, a companhia destacou a utilização do blowout preventer (BOP), equipamento de segurança instalado no assoalho marinho para vedar o poço em emergências, e a implementação de um Plano de Emergência Individual (PEI) focado na proteção da fauna e flora locais.
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