É curioso o contraponto entre O Globo e o G1, o braço digital da Globo. O jornal embarca em todos os vazamentos do traficante de informações da Polícia Federal. Não tem filtro, não tem consideração pelos leitores. Ao contrário, o G1 prima pelos títulos bem colocados, sem embarcar no sensacionalismo barato do co-irmão.
Tome-se o caso da frase “Nosso futuro é Suíça”, destaque da home de O Globo nesta manhã.

“A lobista Roberta Luchsinger, investigada por suspeita de participação no esquema de fraudes do INSS, disse em mensagens a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que os dois trabalham em “outro” nível e que o futuro deles é a Suíça. Os diálogos estão sendo analisados pela Polícia Federal”.
Nem precisaria aguardar o laudo da PF. Bastaria uma consulta ao tema cannabis. E aí entram as falhas da reportagem, que vêm sendo reiteradas diariamente, em uma clara campanha de desgaste da candidatura Lula
Todos os dados divulgados até agora, entre Fábio Luís e Roberta Luchisinger referem-se ao projeto cannabis, do empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, o tal “Careca do INSS”, antes que explodisse o escândalo.
Suiça entrou na história não por ser centro financeiro, mas por ser um dos ambientes europeus mais favoráveis ao desenvolvimento de um mercado regulado de cannabis.
Desde 2021, a legislação federal permite projetos-piloto de venda legal de cannabis para uso adulto. Atualmente há experiências em Zurique, Basileia, Berna, Lausanne, Genebra e outras localidades, testando farmácias, lojas especializadas, associações/social clubs e até modelos comerciais
Em dezembro de 2025, os sete projetos existentes reuniam cerca de 13 mil participantes, enquanto o Parlamento suíço avançava na elaboração de uma legislação para regular a cannabis de maneira mais ampla.
O inconveniente é que a Suíça exige que a cannabis seja plantada e colhida lá. Todas as menções a conversas entre Roberta e Fábio Luiz se referem a esse projeto de cannabis. Pouco importa. Colocando Suiça na reportagem, sem explicar o contexto, o leitor imediatamente é remetido para lavagem de dinheiro.
Flávio-Vorcaro x Fábio Luís
Uma consulta ao sistema de buscas de O Globo explicitará bem a linha do jornal.
Quando se busca a palavra Lulinha, há uma enxurrada de citações depreciativas. Só nas últimas 24 horas, são 5 menções em reportagens.
Por outro lado, as últimas menções a Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro são de 10 de julho.
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