O impasse diplomático no Oriente Médio atingiu um novo ponto de inflexão. O Irã declarou que não reabrirá o Estreito de Ormuz até que os Estados Unidos cumpram os termos fixados em um protocolo de negociação. Em resposta, o presidente norte-americano, Donald Trump, subiu o tom do discurso e sinalizou a intenção de tomar a passagem estratégica para o território dos EUA, além de ameaçar bombardear Omã, país que atua como mediador do conflito.
O encerramento do prazo de 60 dias de um memorando de entendimento entre Washington e Teerã expôs o colapso das tratativas de paz. O documento, que venceu sem a consolidação de um acordo definitivo, previa a reabertura do canal marítimo e a interrupção do programa nuclear iraniano. Com o fim da vigência do protocolo, ambos os governos descartaram a prorrogação das conversas diretas.
Exigências de Teerã e retórica de anexação
A posição do governo iraniano foi oficializada pelo presidente do Parlamento e principal negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf. “O Estreito de Ormuz não será reaberto até que sejam implementados os compromissos estadunidenses estipulados no protocolo de acordo”, afirmou Ghalibaf em discurso transmitido pela televisão estatal.
Para reabrir o fluxo marítimo, Teerã exige a suspensão do bloqueio naval imposto pela Marinha norte-americana, o descongelamento de ativos financeiros no exterior, o fim dos embargos às exportações de petróleo e a interrupção de operações militares na região.
Do lado norte-americano, Trump voltou a sugerir a incorporação do estreito, publicando uma imagem da hidrovia com a legenda “Novo Território dos EUA” em sua rede social, a Truth Social. Em entrevista à Fox News, o presidente direcionou ameaças a Omã, canal diplomático frequente entre o Ocidente e o governo iraniano. “Se Omã ficar no caminho, vamos bombardeá-los e destruí-los”, afirmou Trump ao jornalista Trey Yingst, acrescentando que o Irã deveria “hastear a bandeira branca e se render”.
Impacto econômico e escalada de incidentes
O Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e representa uma das artérias mais críticas do comércio energético global, por onde transitavam cerca de 20% do petróleo e do gás mundial antes das hostilidades. A crise provocou uma queda de 19,5% nas travessias semanais da rota e elevou a cotação do barril de petróleo para perto de US$ 84.
Enquanto a diplomacia formal retrocede, a tensão militar se intensifica no corredor marítimo:
- O Comando Central dos EUA informou ter redirecionado 64 navios comerciais no canal desde meados de julho para impor seu bloqueio.
- Uma embarcação mercantil foi atingida por um projétil no estreito, resultando em danos à sala de máquinas e ferimentos em um tripulante, socorrido pela Guarda Costeira de Omã.
- O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou a preparação de sanções severas para intensificar o isolamento econômico de Teerã.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou a postura de Washington como uma violação prévia dos acordos e informou que o país adotará uma postura militar totalmente ofensiva caso o bloqueio naval permaneça, acenando com o uso da força para reabrir a navegação por conta própria.
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