10 de junho de 2026

Netanyahu ignorou avisos de aliados e serviços de segurança, diz NYT

Reportagem do NYT mostra que não se tratou de apenas uma falha de um dos sistemas de segurança mais modernos e efetivos do mundo
No dia 27 de outubro, Israel antecipou um ataque massivo, por terra e ar, que inaugurou uma segunda fase de hostilidades contra a Faixa de Gaza. Imagem: Faixa de Gaza / Reprodução Telegram

Israel subestimou as capacidades do Hamas e os preparativos para o ataque massivo do último dia 7 de outubro contra o país passaram despercebidos durante aproximadamente um ano, noticiou o The New York Times (NYT) neste final de semana.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

O jornal revelou ainda que a Jordânia alertou que o ataque de forças israelenses contra os palestinos na Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, traria “consequências catastróficas”. As revelações apuradas pelo NYT mostram que não se tratou apenas de falha de um dos sistemas de segurança mais modernos e efetivos do mundo.

Conforme fontes israelenses relataram ao jornal, autoridades de segurança israelenses passaram meses tentando alertar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sobre como a turbulência política causada por suas políticas internas estava enfraquecendo a segurança nacional e encorajando os inimigos de Israel. 

Desde o início deste ano, protestos massivos foram registrados no país contra a reforma do sistema judiciário, visando limitar os poderes deste braço do poder. Ato contínuo, Netanyahu vem desde o ano passado acelerando projetos de colonização de territórios da Palestina ocupados militarmente por Tel Aviv. 

“A força militar mais poderosa do Oriente Médio não apenas subestimou por completo a magnitude do ataque, mas falhou completamente nos seus esforços de recolha de informações, principalmente devido à arrogância e à suposição errada de que o Hamas era uma ameaça contida”, diz trecho do artigo.

Reuniões negadas

De acordo com as fontes do jornal, a certa altura, no último mês de julho, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não quis se encontrar com um general de alta patente que tentava lhe avisar sobre a ameaça iminente, com base em informações confidenciais da inteligência.

O governo de Netanyahu também ignorou os avisos da Jordânia de que os ataques perpetrados pelas autoridades israelenses contra fiéis palestinos na Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, no último mês de abril, teriam “consequências catastróficas”. 

De acordo com duas autoridades árabes familiarizadas com o assunto, o atual governo de extrema-direita que governa Israel se negou a atender aos avisos de que as suas ações contra o terceiro local mais sagrado do Islã provocavam “sentimentos dentro dos territórios palestinos que poderiam transformar-se em violência.”

Ao mesmo tempo, os próprios responsáveis ​​de segurança israelenses ignoraram “uma cascata de falhas nos últimos anos, e não horas, dias ou semanas”. Entretanto, os membros do Hamas teriam recebido “extenso treino” para planejar e executar o ataque, praticamente sem ser detectado durante um ano. 

“Os combatentes, organizados separadamente em diferentes unidades com objetivos específicos, tinham informações meticulosas” sobre as bases militares israelenses e as posições das suas forças.

O dia do ataque

No dia 7 de outubro, aponta o NYT, funcionários da inteligência e da segurança nacional “observaram durante várias horas uma atividade anormalmente elevada do Hamas na Faixa de Gaza”, durante a noite. 

Como o governo achava que o Hamas não estava interessado em iniciar uma guerra, a princípio pensaram que se tratava apenas de um exercício noturno ou de uma tentativa de assalto em pequena escala. 

“Até quase o início do ataque, ninguém acreditava que a situação fosse suficientemente grave para acordar […] Netanyahu”, diz o NYT, citando três responsáveis ​​da defesa israelenses.

Além disso, o jornal sugere que uma das razões pelas quais Israel não sabia dos planos do Hamas é que não ouviu os comunicadores portáteis dos membros do movimento, algo que a agência israelense de inteligência parou de fazer há um ano, após decidir que era “um desperdício de esforço.”

Da mesma forma, os serviços especiais dos Estados Unidos, o aliado mais próximo de Tel Aviv, também pararam em grande parte de recolher informações sobre o Hamas, considerando o grupo “uma ameaça regional que Israel é capaz de combater”.

As crenças das autoridades israelenses de que o Hamas não representava a maior ameaça para Israel, como o Irã e a organização xiita Hezbollah representavam, “desviaram a atenção e os recursos da luta” contra o grupo. 

LEIA MAIS:

Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados