Lula ignora desfiliação de Marta Suplicy

Jornal GGN – Durante evento em memória dos 35 anos da grande greve dos metalúrgicos do ABC, o ex-presidente Lula “ignorou”, segundo a imprensa local, “assuntos pertinentes” ao PT, como a desfiliação da senadora Marta Suplicy, ocorrida no mesmo dia, esta terça-feira (28). De acordo com o jornal, Lula resgatou apenas a greve histórica e só fugiu da pauta original para criticar o PL 4330, que permite a terceirização de atividades fim por qualquer empresa. “(…) É um retrocesso a (período) antes da era Vargas (ex-presidente Getúlio Vargas, que comandou o País entre 1930-1945 e 1951-1954). Haverá apenas um ganhador com esse projeto: o patrão”, comentou Lula.

Disparando críticas aos “desvios éticos do PT”, Marta entregou a carta de desfiliação sem confirmar a entrada no PSB. O presidente socialista, Carlos Siqueira, entretanto, confirmou que a legenda será de Marta em 2016, na disputa pela Prefeitura de São Paulo contra Fernando Haddad (PT). Por outro lado, o PT anunciou que tentará pedir a cadeira de Marta no Senado, por infidelidade partidária.

Por Leandro Baldini

Do Diário do Grande ABC

Em São Bernardo, Lula ignora fatos incômodos para o PT

O ex-presidente Luiz Inácio Inácio Lula da Silva (PT) ignorou assuntos impertinentes ao PT durante participação em evento ontem no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo, com temática voltada aos 35 anos da histórica greve da categoria em clara afronta ao regime militar. O ex-chefe da Nação discursou por mais de uma hora, deixando de lado questões incômodas que atingiram o petismo recentemente, como os desdobramentos da investigação na Operação Lava Jato, que levou à prisão o ex-tesoureiro da sigla João Vaccari Neto, e a desfiliação da senadora Marta Suplicy, oficializada também ontem, que foi acompanhada por muitas críticas a legenda.

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O cacique petista deixou a sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC sem falar com a imprensa. Lula focou oratória em questões trabalhistas e de resgate da história do início das paralisações metalúrgicas. Estiveram presentes na ação integrantes do governo federal como o procurador da República e diretor-geral da escola superior do Ministério Público da União, Carlos Henrique Martins Lima, o prefeito de Santo André, Carlos Grana (PT), e o atual presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques (PT). Vereadores petistas do Grande ABC e lideranças também compareceram. O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), não esteve presente.

Ele somente desviou dos assuntos ligados às questões da greve quando criticou a Medida Provisória 4330, que autoriza terceirização de atividades-fim no Brasil. “Essa MP 4330 que tenta (regulamentar) a terceirização é um retrocesso a (período) antes da era Vargas (ex-presidente Getúlio Vargas, que comandou o País entre 1930-1945 e 1951-1954). Haverá apenas um ganhador com esse projeto: o patrão”, atacou.

O ex-presidente chegou a conclamar o público presente, formado na maioria por pessoas ligadas ao movimento sindical, a dizer ‘não’ à medida. “Eles querem voltar ao passado com a lei da terceirização, quando a classe trabalhadora era tratada da forma mais perversa possível. Nós temos de dizer ‘não’ porque ninguém lutou mais do que nossa geração para conquistar respeito e direitos aos trabalhadores. Agora, não podemos retroceder por alguns interesses econômicos e deixar o trabalhador mendigando direitos”, acrescentou. A MP 4330, aprovada pela Câmara, está em trâmite no Senado Federal.

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Na sequência, o petista começou narrativa de sua trajetória sindical, desde sua entrada, como diretor, em 1969, até a grande paralisação ocorrida em 1980.

O ex-presidente relembrou as dificuldades e repressão do governo em conseguir adesão em busca de reivindicações de benefícios aos trabalhadores. “Eu lembro que o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) defendia que o ideal para férias de funcionários seria por dez dias, porque mais do que isso haveria muita ociosidade. Tínhamos dificuldade de distribuir nossos boletins nas portas de fábrica”, contou.

Lula depois fez comparativo entre períodos de trabalhos do sindicato, enfatizando que as dificuldades enfrentadas atualmente são maiores do que em seu período. “Hoje, cabe ao dirigente sindical não somente reivindicar as melhorias para a sua categoria e sim propor condições, alternativas, maneiras de como isso pode ser alçado no Congresso. No meu tempo havia mais porrada, enfrentamento, mas agora há muito mais informação que precisa ser trabalhada”, complementou ele.

Por fim, Lula exaltou trabalho dos sindicatos. “Se podemos reclamar hoje é por conta de muito trabalho feito por toda essa classe, que cada vez mais precisa ser prestigiada”.

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15 comentários

  1. TARDE PARA DEIXAR O NINHO

    As atitudes de Marta Suplicy em relação a sua saída do PT e, ainda, as declarações dadas pela imprensa, mostram não apenas uma virada de casaca ou uma simples traição, mas apenas demonstram o quanto o aspecto íntimo da vida das pessoas fala mais alto, principalmente naquelas que não possuem no seu interior uma meta altruísta e atitudes de grandeza, como os grandes líderes possuem.

    Marta, ao sair do lar dos Suplicy e do berço do PT, onde estão sedimentadas as suas melhores lembranças, empreendeu um tardio vôo solitário, com idade avançada, que já acumula mais dois novos maridos e, em breve, um novo partido. Surge assim para ela a necessidade imperiosa de mostrar-se ativa e atraente perante os novos cenários pessoais e políticos que sua personagem mutante vive esporadicamente. Isso é triste, pois, não existe aposentadoria para este tipo de pessoas de vôo tardio.

    Como tubarão que se parar de nadar afunda; como ave marinha nos rochedos da praia, que se deixar o seu ninho não tem mais onde posar e fica, no ar, batendo assas e piando, chamando a atenção de aves desconhecidas, enquanto espera o inevitável momento de parar de bater assas e cair para sempre, sozinha. Uma pena, pois há grandeza demais no passado da Marta e nem ela nem o PT merecem isso. 

  2. A carta da Marta não quer dizer nada

    Atacar o PT é carne de vaca. Nos últimos anos alguns esquecidos d’antanho (como Roger e Lobão) e ilustres desconhecidos (como Raquel Sheherazade) foram alçados à condição de ídolos, líderes e estrelas, por bater no PT. É um caminho mais fácil e rápido para a fama do que tirar a roupa em público ou namorar jogador de futebol.

    O que a Marta vai fazer daqui pra frente é que vai mostrar até onde ela está disposta a ir pela fama e pela reconquista de seu status político. Vamos ver se ela vai seguir o caminho da vociferação com disparo de perdigotos, como a Heloísa Helena, ou o caminho da falação somada às alianças com qualquer um, como a Martina Silva.

  3. Em relação à Sra. Marta,

    Em relação à Sra. Marta, sábia decisão.  Deveria mantê-la.  Quem quer projeção, precisa botar a mão na massa e trabalhar; falatório faz calor, mas não produz nada.

  4. Marta tinha todo o direito de

    Marta tinha todo o direito de sair do PT. Idem para criticá-lo. Como temos o direito de achar que ela poderia sair sem apelar para essa demagogia barata só com o intuito de buscar espaço no ninho dos antigos rivais. Questão de caráter, digamos assim.

    Só numa coisa sou radical: tem que devolver o mandato. Se não fizer, o partido se obriga a recorrer a Justiça para tal. 

  5. Lula deveria decoraar um

    Lula deveria decoraar um discurso mais apropriado e dizer que aqueles que estão descontente com os “desvios éticos do PT”, que procurem “desvios éticos mais apropriados em outros partidos brasileiros”.

  6. Da sra. Marta o PT só quer

    Da sra. Marta o PT só quer uma coisa:

    Que o mandato de senadora seja devolvido a legenda pela qual se elegeu.

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