PT divide-se em pronunciamentos sobre mensalão

Jornal GGN – O PT (Partido dos Trabalhadores) enfrenta uma postura dúbia. De um lado, o segmento do partido liderado pela presidente Dilma Rousseff, preocupado com sua candidatura à sucessão ao cargo no próximo ano, tenta afastar o tema mensalão dos discursos. De outro, militantes em sintonia com a linha combativa de José Dirceu, que luta para que o partido dê uma resposta ao povo.

Na abertura do 5º Congresso Nacional do PT, que ocorreu na noite de quinta-feira (12), a conduta solicitada por Dilma era de manter o silêncio sobre o assunto, pelo menos no primeiro dia. Assim, o discurso de Luiz Inácio Lula da Silva, também presente, não veio como esperado pelos militantes. Não veio da voz de Lula uma resposta provável de que os crimes – mesmo que tenham sido cometidos – representariam um falta pequena, diante de outros maiores supostamente praticados pelos tucanos.

O cenário agrava-se com o fato de que Lula também se encontra nessa dubiedade. Não fazia parte de sua postura, quando presidente do país, deixar um assunto silenciado por tanto tempo. Quando ele ou seus parceiros eram alvos de acusações, a resposta era imediata – também como mecanismo de não estender (e consequentemente aumentar) os escândalos e, assim, não prejudicar sua aprovação.

Fim do julgamento

Essa ambiguidade também esteve presente na noite de quinta. Porque, mesmo com a recomendação de preservar a imagem de Dilma, um grupo de militantes não se calou, provocando pelo menos uma resposta do ex-presidente. “Se for comparar o emprego do Zé Dirceu no hotel com a quantidade de cocaína no helicóptero, a gente percebe que houve desproporção na divulgação do assunto”, criticou Lula sobre o caso dos Perrella, a fim de acalmar os gritos “Lula, guerreiro, defenda os companheiros” do grupo.

Para que o assunto não fosse retomado na abertura, o ex-presidente reiterou mais uma vez que só falará da AP (Ação Penal) 470 – batizada de mensalão pela grande imprensa –, quando terminar o último julgamento. Em seguida, voltou a retomar o discurso: ressaltou as conquistas do partido, parabenizou a posse do presidente nacional do PT, Rui Falcão, e homenageou o ex-ministro Luiz Gushiken e o ex-governador de Sergipe, Marcelo Déda, mortos neste ano.

Dilma não mencionou nada sobre o caso em seu discurso. De acordo com reportagem de O Estado de S. Paulo, na semana passada a presidente teria se irritado com a visita de ministros – entre eles o da Educação, Aloizio Mercadante – a Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares.

A linha adotada pela presidente e pelo ex-presidente indignou Dirceu e Genoino, que já pressionarem pela quebra de silêncio do partido.

Já Rui Falcão abordou o caso no seu pronunciamento de posse: “No tsunami de manipulação que foi o processo político – e judicial – da AP 470, tentaram incutir nas mentes do povo a ideia de que a origem de tudo teria sido uma política equivocada de aliança pela governabilidade, concebida pelo PT. É o típico caso da manipulação realimentando a mentira e da mentira realimentando a manipulação”.

3 Comentários

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Manoel Teixeira

- 2013-12-14 11:39:43

O PT se apequenou. Abandonou

O PT se apequenou. Abandonou seus militantes históricos aos leões. É preciso uma ação clara do PT no sentido de anular o julgamento de exceção.

É preciso ação substantiva, declarações em congresso do partido é muito pouco.

Seria necessário, por exemplo, pedir o indiciamento de todos os gerentes que trabalham com o Visanet no Banco do Brasil. Todos estão sujeitos às ações de desvio de dinheiro público. Será preciso solicitar a individualização de todos os votos pretensamente 'comprados' e entrar com pedido de cassação destes parlamentares e o cancelamento dos atos oriundos da 'compra'.

O PT precisa assumir o lado da liberdade, não o lado dos algozes. Como diz o ditado, quem cala consente.

vera lucia venturini

- 2013-12-13 16:43:16

Pois é, se não houvesse José

Pois é, se não houvesse José Dirceu, Delúbio e Genoino no PT a Dilma seria uma sem mandato anônima no Rio Grande do Sul. A covardia da presidente já estava exposta quando ela deixou que seus companheiros de partido, porque eles são companheiros de partido da presidente queira ela ou não, fossem presos de forma ilegal e humilhados com o uso de algemas. Joaquim Barbosa impôs o seu poder, a presidente não teve coragem sequer  para denunciar os desmandos. Não é uma estadista.

Mas Dilma já havia demonstrado sua covardia ao alimentar os veículos de comunicação que mentiram, desvirtuaram e conduziram a AP 470,  com imensas verbas publicitárias. 

Dilma e Lula mostraram ter uma personalidade covarde,desumana e insensivel neste caso. Pode-se falar tudo do Psdb, menos que eles não são solidários entre si. Os três petistas presos devem estar pensando se valeu a pena se sacrificar para elege-los.

Maria Rita

- 2013-12-13 16:39:39

Vou tentar fazer uma

Vou tentar fazer uma comparação, a única que consigo fazer para dar sentido ao silêncio de tantos anos. Começo por afirmar que não coloco em dúvida as ações do prefeito Fernando Haddad. Acredito que, se alguma lição ficou do chamado processo do Mensalão, desde suas origens, essa se reflete na ação do prefeito do PT. Aliás, qualquer político, antes de ocupar um cargo do executivo, deveria pedir uma auditoria completa de algum órgão vinculado ao STE, assim evitaria surpresas. Fico imaginando o que eram aqueles tais dias de transição de governos. O Collor foi o primeiro a fazer isso, antes de tomar posse. Teve em SP agora, se não me engano, no caso da prefeitura.Nunca nenhum deles denunciou nada de grave em relação ao seu sucessor. Sabemos que existe a aprovação de contas por parte do TCU e dos TCEs. Mas também sabemos como são ocupados a presidência e os conselhos dos tribunais de conta. Fica, no final, tudo sob suspeita. Voltando ao PT, depois de tudo que lemos, presenciamos e ouvimos dos governos de FHC, estava tudo muito calmo nos dois primeiros anos de Lula. Se foi por precaução, se foi por ameaças, se foi por conta do caixa 2 e da dívida de campanha, se por excesso de habilidade ou diplomacia política, a gente não sabe direito. Ainda. Mas, depois dos ataques começados, a violência foi tão grande, tão unânime e foi tão gritante como foi o julgamento e a prisão dos réus do mensalão. Que a gente tinha certeza que os alvos eram Dirceu, Genoíno e Lula, esse último, o alvo maior  que ainda não conseguiram pegar apesar das mais baixas tentativas. Nem preciso falar do fato patético de devolverem o Trensalão para o De Grandis, nem no helicóptero do pó, que tem o mandado piloto mas não tem o mandante nem responsável pelo transporte. Haddad tem sido atacado todos os dias, Alckmim passeia pelos salões com cara de paisagem. O ministro da Justiça entra um dia antes com um processo de difamação contra os indiciados (os primeiros) do escândalo do metrô, no outro dia, a PGR devolve para De Grandis, o que está sendo investigado por prevaricação, o processo que ocultou durante quatro meses. Enquanto não sei o que de fato aconteceu entre o governo de FHC e o de Lula, ficam aqui as evidências de um crime publicado (os fatos mostram a incoerência das ações do judiciário). Veja bem, isso já não faz parte do Domínio de Fato. Ninguém está ocultando suas intenções. As ações falam por si mesmas.  Não sou eu, observadora, que as criei.

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