Excesso de geração de caixa faz Petrobrás paralisar venda de ativos, por Cláudio da Costa Oliveira

da AEPET – Associação dos Engenheiros da Petrobras

Excesso de geração de caixa faz Petrobrás paralisar venda de ativos

por Cláudio da Costa Oliveira

Uma desculpa. Tudo que a atual administração da Petrobrás precisava era de uma desculpa para interromper o absurdo e desnecessário plano de privatização.

A desculpa perfeita surgiu com a liminar do Ministro do STF Ricardo Lewandowski proibindo venda de estatais sem aprovação do congresso.

Imediatamente, em Fato Relevante, a Petrobras anunciou a paralização dos processos de venda das Refinarias, da Araucária Nitrogenados e da Transportadora de Gas – TAG.

Em fevereiro de 2016 escrevi meu primeiro artigo sobre a Petrobras com a título “A verdade sobre a Petrobras”.

O artigo foi publicado apenas no jornal do Sindipetro-ES e nele eu já dizia que não havia necessidade de venda de ativos, bastava mudar um pouco o perfil da divida alongando os prazos de amortização, tornando-os compatíveis com a entrada em operação dos projetos do pré-sal , e dizia “não é bicho de sete cabeças”

As verdades levantadas naquele artigo são imutáveis, assim como são imutáveis os números registrados nos balanços até aquela data nos quais ele estava baseado.

Em fevereiro de 2017, o presidente da AEPET, Felipe Coutinho, escrevia “A construção da ignorância sobre a Petrobras” relatando as mesmas constatações.

Tentar tapar o sol com peneiras, através de falácias, mentiras e fake News do tipo a Petrobras quase quebrou ( ou quebrou como dizem alguns) ou de que os investimentos feitos são na maioria improdutivos, não tem qualquer sustentação para quem analisa os números auditados e publicados pela empresa.

Em junho de 2017 escrevemos artigo intitulado “Avaliação dos maus investimentos e da corrupção na dívida de Petrobras

Neste estudo adotamos como verdadeiros os impairments realizados pela Petrobras que indicavam como improdutivos menos de 10% dos investimentos feitos no período de 2010/2014.

Qualquer alteração nestes valores tem reflexo direto no valor dos impairments, mas pelo que temos conhecimento a análises estão sendo feitas de forma rigorosa com mais de 4000 intervenções de auditoria/ano e ao que tudo indica os números estão corretos.

Daqui à cinquenta anos, quem analisar os balanços da Petrobras chegará às mesmas conclusões : a empresa nunca teve problemas financeiros e o retorno dos investimentos feitos (2010/2014) não podem ser escondidos.

Muitos erros foram cometidos. Corrupção, investimentos improdutivos etc, etc. Os culpados tem de ser punidos exemplarmente. Mas isto não significa dizer que a estrutura financeira da empresa tenha sido abalada. Os números dos balanços mostram claramente que não.

Buscar defender a qualidade de uma administração é um direito de todos, mas isto não pode ser feito manipulando informações para obter apoio da opinião pública e justificar venda de ativos produtivos e entrega de reservas. Isto significaria sair de um erro para entrar num erro ainda maior.

Ninguém pode querer dizer que recuperou financeiramente uma empresa onde não haviam problemas financeiros. Os balanços vão sempre mostrar as verdades dos fatos.

O quadro de Usos e Fontes apresentado pelo PNG 2018/2022 é um atestado da falta de necessidade de venda de ativos. Para fechar os números com venda de US$ 21 bilhões de ativos (Fontes) foi necessário aumentar o caixa em US$ 8,1 bilhões (Usos) . Um absurdo pois o caixa da empresa já é elevadíssimo (US$ 22 bilhões) e a companhia ainda tem a receber US$ 6 bilhões de vendas de ativos realizadas em 2016 e créditos com a Eletrobras de outros US$ 6 bilhões, sem falar no acordo da seção onerosa ainda indefinido.

Não podemos deixar de reconhecer que Ivan Monteiro, como diretor financeiro, fez um excelente trabalho no alongamento da amortização da dívida da Petrobras, que estava muito concentrada em 2019/2022. Mas isto não significa dizer que outro não teria feito o mesmo pois se trata de uma atividade corriqueira na administração financeira das empresas.

Este alongamento da amortização da dívida aliado à manutenção de política de preços alinhada com os preços internacionais com uma taxa de cambio beirando R$ 3,90 bem como um aumento de produção no segundo semestre de 2018 de 400.000 barris dia e um posterior aumento de produção de mais 400.000 barris dia previstos para 2019, provocarão uma explosão da Geração Operacional de Caixa da companhia.

Então como justificar venda de ativos ?

Qualquer tentativa de esconder os fatos será insustentável . A Empresa de Pesquisa Energética – EPE aponta que em 2026 a produção da Petrobras alcançará 5,2 milhões de barris/dia. Desde total só o super gigante de Búzios, descoberto em 2010, responderá por 2,4 milhões de barris/dia.

Entre todas as grandes petroleiras do mundo a Petrobras é de longe a de maior eficiência financeira. Sua capacidade de Geração Operacional de Caixa – GOC é inigualável. A tabela a seguir mostra a divisão da GOC pela Receita Bruta das empresas.

Retorno Financeiro sobre Vendas
                    2012      2013      2014      2015      2016
Petrobras       0,15       0,15       0,15     0,21        0,25
Chevron         0,16       0,16       0,16     0,15        0,12
Exxon            0,12       0,10       0,11     0,11        0,08
Shell              0,10       0,09       0,11     0,11        0,09
BP                 0,05       0,06       0,09     0,09        0.06
Fonte : Balanços auditados e publicados

Obs: Deixamos de mostrar os números de 2017 pois inexplicavelmente a Petrobras não publicou a sua Receita Bruta em US$ neste exercício.

Vejam que mesmo com os subsídios, com a corrupção e a elevada carga tributária, a Petrobras é imbatível. Esta tabela resume a eficiência financeira entre as empresas. É boa para calar aqueles que dizem que a Petrobras é ineficiente.

Dá para imaginar qual não será a Geração Operacional de Caixa desta empresa nos próximos anos. 

Então como justificar venda de ativos ? Impossível. Logo tudo vai ficar muito claro para todos.A atual administração está em fim de mandato mas daria uma grande contribuição se paralisasse as atuais politicas de vendas de ativos e reservas bem como de preços, convocando ampla discussão sobre o futuro da Petrobras e da divisão da renda petroleira.

Cláudio da Costa Oliveira – Economista da Petrobras aposentado

 

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