Sozinho nas sabatinas de reta final da campanha, Guilherme Boulos (PSOL) tentará o usar o espaço que tem para virar votos e conquistar chances nas eleições deste domingo ao comando de São Paulo.
“São Paulo já viveu viradas históricas. Eleição não se ganha de véspera, muito menos quando se canta vitória. Eleição se ganha com trabalho, diálogo, coragem e com o convencimento das pessoas que vão às urnas no próximo domingo (27)”, disse o candidato, em ato em frente à Prefeitura, onde o seu concorrente, Ricardo Nunes (MDB), hoje tem mandato e quer se reeleger.
Resumindo o sentimento nestes últimos dias eleitorais, as pesquisas da semana passada não mostravam chances de Boulos ser o novo prefeito da maior capital do país. Em sabatina ao Uol e Folha, nesta segunda (21), o candidato explica a paralisação às Fake News como “projeto de direita e extrema direita”, que buscam nas eleições de São Paulo o importante reduto eleitoral para as presidenciais de 2026.
Durante a entrevista direta, porque Nunes, o atual prefeito, decidiu adotar a mesma tática de Jair Bolsonaro em 2018 – de não aparecer em debates no segundo turno, o que o favoreceu para a vitória presidencial, Boulos chegou a citar o exemplo de Marçal para as eleições deste ano.
O ex-coach e então candidato do PRTB no primeiro turno divulgou um laudo médico fraudulento de que Boulos teria usado drogas. Na ponta do telefone sem fio das Fake News, um eleitor de Guaianeses, na zona leste de São Paulo, abordou Boulos questionando ele por que ele “fabrica cocaína”.
Ainda, foi comparado a Marçal, ao anunciar que teria divulgaria, em breve, uma informação que comprometeria Ricardo Nunes. “Não é uma emulação”, retrucou Boulos. “Tem inquéritos abertos, não trabalho com mentiras. E talvez esse seja meu ponto divisor em relação à forma como eu acuso e como Pablo Marçal acusou”, continuou.
As mentiras disseminadas pela direita e extrema-direita nas eleições surtem efeitos no voto do eleitor e também nas pesquisas.
Na sabatina ao Uol e Folha desta segunda, o candidato explicou também os efeitos das pesquisas divulgadas a dias da votação. Na semana passada, os últimos números do Datafolha traziam Boulos com 33% das intenções de voto contra 55% de Ricardo Nunes.
A equipe de Boulos questionou algumas modificações da mencionada pesquisa, como o fato de que o instituto questionou os eleitores de Marçal, para traçar a transferência de votos, o que poderia trazer “indício de manipulação”.
Mas, além disso, divulgar dados como este nas prévias eleitorais “cria na sociedade um sentimento de eleição decidida e desanima os eleitores de um lado”, expôs, durante a sabatina.
Para esta semana, entre os principais institutos de pesquisas (Datafolha, Paraná Pesquisas, Quaest e Real Time Big Data), outras 6 pesquisas para a capital paulista serão divulgadas até sexta-feira (25) e 3 no sábado (26).
“Eu acredito nessa vitória”, disse Boulos, na manhã desta segunda, durante o ato em frente à Prefeitura.
“Eu tomei uma decisão: hoje de manhã, saindo de casa, lá do Campo Limpo, arrumei minha mochila e, a partir deste momento, eu só vou voltar para casa no final dessa semana. Vou rodar essa cidade, em cada região, conversando com as pessoas de cada área, que trabalham com o que for, pessoas que, inclusive, várias delas, já toparam me receber nas suas casas. Eu vou dormir na casa dessas pessoas, vou dialogar com essas pessoas, vou virar voto 24 horas por dia daqui até se abrirem as urnas.”
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