A entrevista de Celso Amorim para Míriam Leitão, por Luiz Cláudio Cunha

Do Observatório da Imprensa

A repórter pergunta, o ministro gagueja
 
Por Luiz Cláudio Cunha

A mulher serena na frente do homem inquieto. A repórter experiente perante a autoridade calejada. A entrevistadora firme ante o ministro gelatinoso. A profissional de imprensa olho no olho com sua fonte. Uma brasileira, presa e torturada na ditadura, frente a frente com o ministro da Defesa que hoje comanda o Exército que ontem, na ditadura, prendeu e torturou a mulher, a repórter, a jornalista, a brasileira que o questionava (leia abaixo o depoimento inédito de Míriam Leitão sobre as torturas que sofreu).

Esse dramático confronto de 22 minutos brilhou na tela da TV numa noite de quinta-feira, no final de junho passado, quando a jornalista Míriam Leitão, 61 anos, fez para a GloboNews uma notável entrevista com o ministro da Defesa, Celso Amorim, 72 anos. Viu-se então uma aula prática do melhor jornalismo, confrontando a convicção com a dúvida, a energia com a tibieza, o categórico com o evasivo, a verdade com a mentira. A repórter se agigantando num diálogo em que o ministro se apequenava, acuado, hesitante, gaguejante.

Míriam fez o que o resto da grande imprensa, acomodada e preguiçosa, não fez. Foi a Brasília ouvir o chefe civil dos militares, apenas nove dias após a entrega à Comissão Nacional da Verdade (CNV) de uma insossa, imprestável sindicância de quatro meses realizada pelos três comandantes das Forças Armadas (FFAA). Diante de questões objetivas com nomes, datas e locais de mortes e torturas apontadas pela CNV, os chefes da tropa responderam, num catatau de 455 páginas, que não registravam nenhum “desvio de finalidade” em sete centros militares do Exército, Marinha e Aeronáutica onde foram meticulosamente documentados casos de graves violações aos direitos humanos pelo regime militar de 1964-1985. Os oficiais-generais das três Armas simplesmente negaram a ocorrência de abusos até mesmo nos sangrentos DOI-CODI da Rua Tutoia, em São Paulo, e da Rua Barão de Mesquita, no Rio de Janeiro, onde a CNV já constatou pelo menos 81 mortes por tortura. Os comandantes esqueceram até dos 22 dias de suplício no DOI-CODI paulistano a que sobreviveu em 1970 uma guerrilheira chamada Dilma Rousseff, hoje casualmente presidente da República e, como tal, comandante-suprema dos generais que omitem a crua verdade sobre a ditadura das FFAA (ver “Quem mente? A presidente ou os generais?“).

Semblante sério, como recomendava o tema e exigia o embate, a jornalista entrou de sola na entrevista:

Míriam– Ministro, os militares disseram que não houve desvio de função, mas a resposta causou perplexidade…

Amorim – […] A CNV não perguntou se as pessoas foram torturadas. Ela focaliza muito na destinação dos imóveis. Com esta pergunta, a resposta também sinaliza uma resposta formal. Não houve, não há registro formal de desvio de funcionalidade…

Míriam– A CNV fez as perguntas erradas?

Amorim – Ela não fez as perguntas que ela não precisava fazer […] As FFAA não negam, nem comentam. Elas não contestam. Elas simplesmente não entram [no assunto]. Se um estabelecimento, militar ou outro qualquer, é usado para tortura, isso não é um ilícito administrativo. Isso é um crime […] Especificamente sobre as torturas, ela [CNV] não faz nenhuma pergunta, ela afirma. E as afirmações [da CNV] não são contestadas.

Míriam– Uma coisa é o DOI-CODI prender. Outra coisa é matar o preso.

Amorim – Isso é horrível. Não é um desvio de finalidade, é um crime. […] Se você disser que as respostas são formais, eu concordo. Até acho que elas são formais. Elas não são mentirosas, nem descumprem formalmente o que foi perguntado. Elas decepcionam quem…

Míriam– … elas omitem a questão principal, ministro. As pessoas foram mortas dentro de instalações militares, foram torturadas, e não foi para isso que se criaram essas instalações. Elas existem para defender o Brasil, não para torturar e matar brasileiros.

Amorim – Não há a menor dúvida. Tortura e morte é errado em qualquer lugar. Eu acho isso e a sociedade brasileira acha isso…

Míriam– Mas os seus comandados não acham. Como ministro da Defesa, o sr. é o comandante dos comandantes militares. O sr. não deveria levá-los a tomar uma decisão sobre isso? O que eles fizeram nessa sindicância foi tergiversar sobre a questão fundamental que se pergunta…

Amorim – Nós estamos completando uma transição, a última etapa da transição é o relatório da CNV. A CNV vai produzir um relatório final e todos terão que se posicionar diante dele. Quanto às respostas em si à CNV, elas atendem ao que foi perguntado formalmente. Não houve nenhuma pergunta, tipo “o sr. confirma que houve tortura e morte?”. Até porque eu sei que a resposta aí seria: “Todos os documentos da época [da ditadura] foram destruídos”.

Míriam– É o que eles dizem, aliás.

Amorim – Não houve nenhum esforço, nenhuma pretensão de negar os fatos…

Míriam– O jornalista Zuenir Ventura escreveu que, se [tortura e morte]não era desvio de função, então era norma. O que o sr. diz dessa conclusão?

Amorim – Acho que tortura e assassinato de uma pessoa indefesa é algo indefensável. Se isso era norma explícita, eu não… eu creio que não. Mas, implícita, talvez fosse. Infelizmente, era um governo ditatorial. Ninguém vai discutir isso. Você sabe muito bem: eu deixei meu cargo na Embrafilme porque autorizei a elaboração de um filme pago pela empresa em que a OBAN era o tema central.

Arte do convencimento

Amorim, sempre diplomata, não esclareceu bem aos telespectadores esse episódio que o dignifica e está relacionado à OBAN, a Operação Bandeirante, a repressão unificada em São Paulo que antecedeu em 1969 o DOI-CODI criado no ano seguinte. Ele não “deixou” o cargo, ele foi exonerado em abril de 1982 da presidência da Embrafilme, a estatal de cinema da ditadura, por pressão dos generais do governo Figueiredo, irritados com o temerário financiamento que a empresa concedeu ao cineasta Roberto Farias para produzir Pra Frente, Brasil. Era um filme de 105 minutos, estrelado por Reginaldo Faria, Natália do Valle e Antônio Fagundes retratando de forma contundente, pela primeira vez no cinema, os horrores da repressão sem limites. Os personagens eram calcados nos algozes da OBAN, no delegado do DOPS Sérgio Fleury e nos empresários que financiavam a tortura do regime. O ator Carlos Zara interpretou o sádico “Dr. Barreto”, o policial inspirado em Fleury, que havia torturado seu irmão, Ricardo Zaratini, um dos presos políticos trocados pelo embaixador americano Burke Elbrick em 1969. O ator Paulo Porto encarnou o personagem inspirado no industrial Henning Boilesen que – como caixa da OBAN no meio empresarial e amigo do poderoso ministro Delfim Netto – foi executado por guerrilheiros em abril de 1971. Lançado em 1982, Pra Frente, Brasil ganhou cinco prêmios em festivais internacionais e, após uma arrojada exibição em Gramado, RS, conquistou o troféu de melhor filme do festival de cinema mais importante do país. Em seguida, foi censurado e retirado das salas de exibição. Só voltou a ser mostrado no início de 1983, liberado sem cortes.

Hoje comandante dos militares que no passado o expurgaram do serviço público, Celso Amorim agora tem bons motivos para medir a diferença no calendário.

Amorim – O Brasil precisa das FFAA. E os militares de hoje não são os militares de ontem. Nós precisamos dialogar com estes militares de hoje. Eles tem que saber separar o que foi o passado e o que é hoje. O 31 de março já não é mais comemorado…

Míriam– Mas eles mesmos não fazem esta separação, quando não admitem os erros do passado. Até para preservar a instituição [das FFAA], eles não deveriam fazer esta separação?

Amorim – Você quer minha opinião pessoal? Acho que devem [fazer a separação]. Mas, isso não se faz com uma ordem. Isso é uma mudança cultural. Porque, as ordens eles podem até obedecer. Isso é uma mudança cultural que vem aos poucos. Essa ordem depende do diálogo. Há outras concepções culturais das corporações. Como isso se concilia, é uma coisa complicada. Não vou entrar aqui numa discussão filosófica sobre culpas coletivas, ou culpas intergeracionais. O tempo vai fazer com que isso ocorra. O primeiro passo é eliminar as coisas oficiais, como as comemorações do 31 de março. Nunca ouvi de nenhum militar, pelo menos comigo, nunca ouvi nenhum defender a tortura, sob nenhum aspecto. Nenhum veio aqui e disse: “Ah, mas naquele caso tivemos que fazer isso…”. Nenhum. Nunca ouvi. Nem direta, nem indiretamente.

Míriam– E nem condenaram, também…

Amorim fecha os olhos, suspira, e não diz nada. É salvo pelo intervalo do programa de entrevista, aos 13’33’’. Na segunda parte, Amorim volta falando das coisas positivas que vê hoje na área militar.

Amorim – […] Como a criação do Estado Maior Conjunto das FFAA, subordinado diretamente ao Ministério da Defesa. Ou seja, o Ministro está na cadeia de comando, inclusive das operações militares. E temos um secretário-geral civil, no mesmo nível dos comandantes. Incluímos disciplinas de direitos humanos em todas as escolas militares. Os livros [das escolas militares] devem ser aprovados pelo MEC e fazem parte do currículo. Os colégios militares são excelentes. Você poderia me perguntar: “Mas, o sr. não pode dar uma ordem?” Posso, mas eu prefiro convencer. O convencimento tem mais durabilidade. Aprendi isso com a diplomacia. Acho que o convencimento é melhor do que uma ordem estrita.

Míriam – Em algum momento as FFAA vão se deixar convencer a pedir desculpas ao País pelos crimes cometidos na ditadura, para que eles não se repitam?

Amorim – Esta é uma questão complicada. Eu não sei… Acho que… talvez, talvez. Eu esperaria… Acho que o grande input para isso seria o próprio relatório da CNV, o tratamento que ele vai ter e como será recebido pela sociedade. Agora, você tem um conflito entre duas concepções. Uma, as FFAA de hoje pedindo desculpas pelo que não foi feito por elas? Não sei… Eu, como ministro das Relações Exteriores, se formos pedir desculpas por tudo que tenha sido feito pelo Itamaraty, inclusive no tempo da ditadura, talvez fosse complicado para mim… Acho melhor ir mudando, mudando a prática, e deixando aquilo que se deve ver e analisar para o Judiciário, o Congresso, a sociedade… Mas, não sei… Talvez fosse bom para eles [os militares]. Eu acho…

Gaguejando, vacilando, traindo suas dúvidas internas, Amorim revelou na GloboNews as incertezas existenciais que são antigas e comuns entre os sete homens que ocuparam o Ministério da Defesa desde sua criação, em junho de 1999, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Nascida 14 anos após a queda da ditadura, a pasta reproduzia a experiência de nações mais avançadas nos padrões democráticos. É a realização administrativa da constatação feita por um médico francês do século passado, Georges Clemenceau (1841-1929), o primeiro-ministro da França nos anos turbulentos da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), que diagnosticou: “A guerra é uma coisa demasiadamente grave para ser confiada aos militares”. Para expurgar a arrogância natural de 21 anos de regime de exceção no Brasil, onde a voz da caserna com frequência se confundia com os rugidos mais assustadores da caverna autoritária, um Ministério da Defesa ocupado por um civil tinha, como primeira vantagem, tirar o intocadostatus ministerial das Forças Armadas habituadas ao cachimbo torto da hegemonia sobre a República e do arbítrio sobre todos.

Gritos e sussurros

Rebaixando os ministros militares ao nível de comandantes, sob o tacão de um civil na Defesa, o país imaginava se vacinar contra recidivas no delicado processo da regeneração democrática. O problema é que, em vez de Ministro da Defesa do Estado, cada um dos ocupantes do posto assumiu o equivocado papel de ministro da defesa dos comandantes militares. Desde o primeiro e mais fugaz, Élcio Alvarez, que durou meros sete meses no cargo, até o mais longevo, Nelson Jobim, que Lula legou a Dilma e sobreviveu no posto por longos 50 meses. Mais do que encarnar o papel de comandante civil do governo sobre os escalões militares, os ministros acabaram vestindo a farda de porta-vozes dos quartéis e seus chefes, tornando mais difícil o pleno reconhecimento das diferenças cruciais que existem entre os Exércitos da ditadura e da democracia – e que nem os comandantes sabem separar, como reconheceu Amorim para Míriam.

O atual ministro da Defesa, profissional do Itamaraty desde 1989, quando o país teve sua primeira eleição direta para presidente em três décadas, levou para o cargo as manhas da diplomacia, esquecido de que o tom acatado nos quartéis é a ordem gritada e peremptória, não o sussurro do lerdo convencimento ciciado nas missões diplomáticas. O que Amorim aprendeu com as luvas de pelica nos salões atapetados do Itamaraty não combina com os coturnos empoeirados dos campos de manobra dos generais. São áreas diferentes, são mundos separados. O ministro da Defesa, com ingenuidade, confessou na GloboNews que é um chefe que abdica de suas atribuições: em vez de mandar, como se faz e se espera na caserna, prefere convencer, como nem os diplomatas às vezes conseguem.

Militar, desde a academia, sabe que o ofício do soldado é obedecer, assim como a missão do comandante é comandar. O diplomata Amorim, com a muleta da “durabilidade”, prefere convencer. Nas praias da Normandia, nas areias de El Alamein, nas colinas de Waterloo, nas alturas de Monte Castelo, no estreito das Termópilas, no mar revolto de Midway, onde ecoaram algumas das batalhas épicas que todo oficial de Estado-Maior estuda nas aulas de tática e estratégia em combate na academia, os militares não esperavam ser convencidos para cumprir sua missão, para comandar e obedecer, para matar ou morrer. Se fossem esperar pelo moroso convencimento proposto por Amorim, os generais teriam perdido a batalha, a guerra, a vida e talvez a honra.

O general francês Charles De Gaulle (1890-1970), que não convencia mas sabia mandar, tinha esta áspera opinião sobre os colegas de carreira de Amorim: “Diplomatas são úteis apenas sob bom tempo. Assim que chove eles se afogam em cada gota”. O parlamentar inglês Henry Wotton (1568-1639), embora embaixador, era ainda mais cínico: “O diplomata é um cavalheiro honesto enviado ao exterior para mentir pelo bem de seu país”.

Agente da borrasca

Como o cavalheiro honesto que é, Amorim poderia dizer a verdade pelo bem do país começando por um único pedido de desculpas, na condição de ex-ministro das Relações Exteriores, por uma grave truculência cometida por seus polidos pares de diplomacia exatamente no tempo da ditadura: o Centro de Informações do Exterior (CIEx), o serviço secreto criado dentro do Itamaraty, no primeiro governo da ditadura, o do general Castelo Branco. Foi obra e engenho de um diplomata sempre útil e que sorvia cada gota da borrasca, Manoel Pio Correa Júnior (1918-2013), um anticomunista ferrenho que se notabilizou pela caça aos comunistas na carreira diplomática e pelo combate aos “vagabundos, bêbados e pederastas” que encontrou pelo caminho. Uma de suas vítimas mais notáveis foi o diplomata e compositor Vinícius de Moraes, cassado pelo AI-5. O poetinha brincava com os amigos: “Ei, eu sou o bêbado, viu?”.

Capitão R/2 da Cavalaria, o sóbrio Pio Correa vestia sobre o terno de diplomata a capa de agente da CIA, servindo na estação do Rio de Janeiro da agência de inteligência norte-americana, conforme revelou o ex-agente Phillip Agee na página 384 de seu livro de memórias, Por Dentro da Companhia (Edição Círculo do Livro, 1976). Ali, para constrangimento de Amorim e qualquer cavalheiro honesto, o homem da CIA no Uruguai relatou, no diário de Montevidéu datado de 17 de junho de 1964, menos de três meses após o golpe no Brasil:

[…] a base do Rio [da CIA] decidiu enviar mais dois de seus elementos para a embaixada do Brasil aqui – além do adido militar, coronel Câmara Sena. Um deles é um funcionário de carreira de alto nível do ministério das Relações Exteriores do Brasil, Manoel Pio Correa, que virá como embaixador; o outro é Lyle Fontoura, protegido de Pio Correa, que será o novo primeiro-secretário. Até o mês passado, Pio era embaixador do Brasil no México, onde, de acordo com o currículo enviado pela base [da CIA] do Rio, demonstrou muita eficiência nas tarefas operacionais para a base [da CIA] da Cidade do México. Contudo, como o México não reconheceu o novo governo militar do Brasil, Pio foi chamado de volta ao seu país e a base [da CIA] do Rio de Janeiro providenciou para que fosse nomeado para Montevidéu, que no momento é o ponto em ebulição da diplomacia brasileira. Assim que chegarem os novos elementos do corpo diplomático, Holman [Ned. P., chefe da CIA em Montevidéu] entrará em contato com Pio, enquanto O’Grady [Gerald, subchefe da CIA] se encarregará de entrevistar-se com Fontoura. De uma forma ou de outra, a base [da CIA] do Rio está decidida a elaborar operações contra os exilados, e – ao que parece – Pio é o homem indicado, pois tem perserverança suficiente para manter as pressões sobre o governo uruguaio.

Com a mão pesada da CIA, Pio Correa foi premiado pelo governo Castelo Branco justamente com a embaixada em Montevidéu, onde se concentravam os inimigos que acompanharam João Goulart e Leonel Brizola ao exílio. Lá, o agente duplo da CIA Pio Correa, com o braço forte do adido militar, o coronel Câmara Senna, outro serviçal da agência americana, começou a montar o seu CIEx, formado inicialmente por uma rede de contatos que incluía políticos, militares, juízes, delegados de polícia, fazendeiros e comerciantes que fechavam o cerco sobre as atividades de Jango e Brizola no Uruguai.

A bem sucedida experiência uruguaia o levou, como secretário executivo do chanceler Juracy Magalhães, a redigir e assinar a portaria ultrassecreta que criou o CIEx no governo Castelo Branco. Tão secreta que nem constava da estrutura formal do pudico Itamaraty. A existência do CIEx só seria confirmada em 2007, exatamente quando Amorim era o chanceler do segundo governo Lula. A constrangedora revelação coube à monumental série de reportagens produzida pelo repórter Cláudio Dantas Sequeira, do Correio Braziliense, revelando a ação repressiva da primeira agência criada sob o amparo do Serviço Nacional de Informações (SNI) e de seu criador, o general Golbery do Couto e Silva.

O repórter descobriu que, no início, o secreto CIEx foi camuflado como Assessoria de Documentação de Política Exterior, ou simplesmente ADOC, com verba secreta e subordinado à Secretaria Geral de Relações Exteriores. Dos primeiros anos da ditadura até 1975, funcionou dissimulado como seu criador na sala 410 do quarto andar do “Bolo de Noiva”, o Anexo I do Palácio do Itamaraty, em Brasília. Desmontado com a ditadura em 1985, o lugar hoje abriga a inofensiva Divisão de Promoção do Audiovisual. Vasculhando 20 mil páginas de documentos com 8 mil informes escondidos nos arquivos do CIEx, o repórter Sequeira apurou que, dos 380 brasileiros mortos ou desaparecidos durante o regime, os nomes de 64 das vítimas estavam lá, nas pastas secretas de Pio Correa. Atuando em linha com os adidos militares das embaixadas, a tropa civil dos adidos do CIEx de Pio Correa foi decisiva na atuação do Brasil na Operação Condor, o Mercosul da repressão que caçava e matava sob o mando e desmando dos generais do Cone Sul do continente.

Proposta indecente

Como chefe dos diplomatas, Amorim não lembrou de pedir desculpas pelo CIEx. Como chefe dos militares, Amorim chegou a pensar em um pedido de desculpas dos generais pelos 21 anos de ditadura. Foi o que ele fez em 18 de fevereiro passado, em seu gabinete no Ministério da Defesa, em Brasília, na audiência que concedeu aos seis comissários da Comissão Nacional da Verdade. O ministro se remexeu na cadeira, surpreso e incomodado com a entrega inesperada do requerimento da CNV, listando sete locais de tortura e morte administrados pelo Exército, Marinha e Aeronáutica. Ele reagiu com uma proposta inusitada, que desconcertou os comissários: ofereceu, em nome dos comandantes das FFAA, um pedido público de desculpas ao país pelos excessos cometidos em duas décadas de arbítrio. Em troca, Amorim pediu à CNV garantias de que não haveria a temida revisão da Lei de Anistia que a ditadura se autoconcedeu em 1979 no governo Figueiredo, para salvar a pele e a biografia dos torturadores até hoje impunes.

Os comissários reagiram na hora, com a altivez devida, rejeitando a proposta indecente de Amorim. Ela apenas retrata a preocupação crescente dos quartéis com uma provável recomendação de impacto no relatório final da CNV, a ser apresentado ao país em dezembro próximo. É cada vez mais forte a tendência na CNV para recomendar a revisão da anistia da ditadura, diante das pesadas evidências e contundentes provas documentais que se acumulam sobre abusos e violências cometidos pelo regime arbitrário de 1964. Aceitar os termos do Ministro da Defesa para o pedido de desculpas dos generais seria uma indesculpável barganha política que fere o bom-senso e a ética.

Seria coisa ainda pior, a transgressão de um mandamento pétreo proclamado pelo mestre maior de Amorim e seus colegas de carreira: “Um diplomata não serve a um regime e sim ao seu país”, ensinou o diplomata José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco (1845-1912), o chanceler que atravessou quatro governos da nascente República, no início do Século 20, e ampliou o Brasil redesenhando suas fronteiras. Os generais de hoje devem pedir desculpas à Nação pelos erros cometidos pelos generais de ontem como um imperativo ético que demarca fronteiras morais e faz uma justa e sanitária separação entre o Exército da democracia, a que eles servem, e o Exército da ditadura, que eles deveriam repudiar para preservar a honra e a imagem histórica da corporação.

Amorim esqueceu de se desculpar na GloboNews pelo desonroso CIEx. Não recordou da ideia de um pedido de desculpas dos generais ao país. E, distraído, não lembrou da ficha da repórter que o entrevistava no seu gabinete. O ministro da Defesa, até pela autoridade do cargo, conhece os detalhes da biografia de Míriam Leitão que o Brasil desconhece. Amorim esqueceu que era entrevistado por uma sobrevivente da ditadura e das torturas que os generais sob seu comando agora negam, como negaram as torturas no DOI-CODI onde padeceu a guerrilheira da VAR-Palmares Dilma Rousseff.

O “doutor” e a jibóia

Míriam não integrava a luta armada, como Dilma. Nos idos de 1972, aos 19 anos, Míriam era uma militante da base estudantil do então clandestino PCdoB, que tentava derrubar em Vitória (ES) a mesma ditadura que mantinha Dilma no cárcere, em São Paulo (SP). “A gente apenas pichava muros, espalhava cartazes nos pontos de ônibus e nas cabines de orelhões. Lembro que um dia pichei ‘Viva a guerrilha do sul do Pará! Abaixo a ditadura!’ Um idealismo de jovens que acreditavam naquilo, que sabiam que era preciso resistir a tudo aquilo, até mesmo com um simples panfleto”, lembrou Míriam.

Mineira de Caratinga, filha de um pastor presbiteriano e de uma professora primária, sexto filho do casal (depois de três mulheres e dois homens) numa família de 12 irmãos, ela cursava o primeiro ano de História quando conseguiu um emprego na redação de uma rádio de Vitória, o que mudaria sua carreira para sempre. Estreava na profissão como repórter quando sentiu na carne o peso da repressão, sequestrada e presa durante três meses, entre dezembro de 1972 e fevereiro de 1973, no quartel do 38º Batalhão de Infantaria do Exército em Vila Velha, onde foram encarceradas e torturadas cerca de 40 pessoas – a maioria estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo e um dos professores, o médico Vítor Buaiz, que fundou o PT, elegeu-se prefeito de Vitória em 1989 e sagrou-se governador do Estado em 1994.

Na primeira parte do livro Brasil: Nunca Mais, dedicado a “Castigo Cruel, Desumano e Degradante”, o Capítulo 2 fala sobre “Modos e instrumentos de tortura”. Na página 39 do trabalho, um resumo do projeto original em 12 volumes escrito por Ricardo Kotscho e Frei Betto, existem oito depoimentos de presos políticos torturados sob a rubrica “Insetos e Animais”.

O quarto depoimento, registrado no livro nº 674, volume 3, páginas 782v-783 do projetoBrasil: Nunca Mais, é a transcrição parcial do auto de qualificação e interrogatório de uma jornalista, então com 20 anos, chamada Míriam de Almeida Leitão Netto. Suas palavras:

[…] que, apesar de estar grávida na ocasião e disto ter ciência os seus torturadores […] ficou vários dias sem qualquer alimentação;

[…] que as pessoas que procediam o interrogatórios, soltavam cães e cobras para cima da interrogada; […]

No livro de Kotscho e Betto havia outro depoimento, de um auxiliar de escritório de 31 anos, Dalton Godinho Pires, que em 1973, no volume 5 do livro n° 75, página 1224, revelou no seu interrogatório:

[…] havia também, em seu cubículo, a lhe fazer companhia, uma jiboia de nome Míriam […]

Não era uma piada. Era uma jiboia mesmo, um exemplar da boa constrictor,a segunda maior cobra do Brasil (só menor que a sucuri), que mede em média três metros de comprimento. O autor deste artigo lembrou desses dados e entrou em contato com Míriam Leitão para esclarecer melhor sua dramática passagem pelo quartel do Exército na praia de Piratininga, no bairro Prainha de Vila Velha, 12 quilômetros ao sul da capital capixaba. Míriam me contou:

“Fiquei presa ali, no 38º Batalhão. Os torturadores vieram de fora e, depois, sumiram. Eles trouxeram a cobra. Eu lembro que chamavam o pior dos torturadores, o dono da cobra, de Dr. Pablo.”

Dr. Pablo era o codinome de um dos mais truculentos oficiais do DOCI-CODI do II Exército, na Rua Barão de Mesquita, no bairro carioca da Tijuca: Paulo Malhães, coronel do Centro de Informações do Exército (CIE). Em março passado Malhães deu um aterrador depoimento à Comissão Nacional da Verdade, numa sessão no Rio com a presença da imprensa. Ali confessou ter arrancado as arcadas dentárias e cortado os dedos de presos mortos sob tortura para não permitir a identificação dos corpos desaparecidos. Um mês depois da confissão, Malhães foi encontrado morto em seu sítio, na Baixada Fluminense, aparentemente vítima de infarto após ter a casa invadida por três bandidos, que fugiram dali levando, entre outros artigos bizarros para um ladrão, três pastas de documentos e o disco rígido de um dos dois computadores do coronel.

Dois anos antes, em junho de 2012, Malhães confirmou ser o dono da Míriam, a cobra que deslizou pela cela da aterrorizada Míriam no batalhão do Exército em Vila Velha. O coronel do CIE contou aos repórteres de O Globo Chico Otávio, Juliana del Piva e Marcelo Remígio que, na primeira metade da década de 1970, levou cinco filhotes de jacaré e uma jiboia para torturar os presos na carceragem do Pelotão de Investigações Criminais (PIC) do I Exército, na Barão de Mesquita, sede do DOI-CODI carioca, onde podem ter morrido 30 presos, segundo estimativas da CNV.

Malhães tinha atuado na “Casa Azul”, o QG da repressão à guerrilha do Araguaia, instalado na antiga sede do DNER em Marabá, no sul do Pará. Ali, segundo levantamento da CNV, morreram 24 presos, 22 dos quais militantes do PCdoB, o mesmo partido pelo qual Míriam pichava muros e espalhava panfletos em Vitória antes do encontro dramático com a Míriam do Dr. Pablo. O coronel contou aos repórteres de O Globo:

“Eu estava um dia à beira de um rio, na região do Araguaia, quando senti a terra tremer. Descobri que estava sentado em cima de um ninho com filhotes de jacaré. Consegui pegar cinco, que batizei de Pata,Peta,Pita,PotaeJoãozinho. E ainda peguei uma jiboia de seis metros, que chamei de Míriam. Trouxe todos para o DOI-CODI, no Rio. Os filhotes de jacaré não mordiam. Só faziam tec-tec com a boca…”

O jornalista mineiro Dalton Godinho Pires, citado pelo Brasil: Nunca Mais, ficou quatro anos preso, mas gravou na pele e na memória os 90 dias de terror no PIC da Barão de Mesquita, graças à Míriam. Localizado em 2012 pelo repórter Chico Otávio, Pires lhe contou:

“Eles chegaram com um isopor enorme, apagaram a luz e ligaram um som altíssimo. Percebi na hora que era uma cobra imensa, que eles chamavam deMíriam. Felizmente, ela não quis nada comigo. Mas, irritada com a música, a cobra não parava de se mexer. O corpo dela, ao se deslocar, arranhou o meu. Cheguei a sangrar. Mas o maior trauma foi o cheiro que ela exalava, um fedor que custei a esquecer.”

Verso e reverso

Quando leu esta reportagem dois anos atrás, no jornal em que trabalha, Míriam teve uma longa e privada crise de choro, ao cruzar na memória de dor o relato de cobras e jacarés da repartição de terror do coronel Malhães. “Era muita coincidência. A ninguém eu disse isso, nem aos meus filhos”, confessou-me ela, sempre refratária a discutir publicamente o seu drama pessoal. “Guardo aqui a sensação de que a minha dor eu mesmo curo. Não é dela que se trata. O que é importante é a dor do país e ela faz certas exigências às instituições. Uma delas é esse reconhecimento das Forças Armadas de que erraram”.

Com a elegância exigida, Míriam preservou os limites institucionais de sua entrevista com o Ministro da Defesa, sem jamais confundir sua história de vida com a vida do país, embora elas se cruzem e se confundam. A consciência de que tinha diante de si uma sobrevivente da ditadura deve explicar o desempenho nervoso de Amorim na entrevista, ao tentar defender o que ele sabia, de corpo presente, não ser verdade. Aos 61 anos, mãe de dois filhos, ambos jornalistas (Vladimir, repórter da Rede Globo em Brasília, e Matheus, repórter da Folha de S.Paulo na sede do jornal), e avó de quatro netos, Míriam é hoje uma das mais importantes profissionais da imprensa brasileira. Acumula 24 prêmios de jornalismo, a terceira maior coleção de troféus no ranking nacional do site Jornalistas & Cia, logo atrás dos campeoníssimos José Hamilton Ribeiro, o mais premiado repórter brasileiro de todos os tempos, e Eliane Brum.

Em 2005, Míriam tornou-se a primeira jornalista brasileira a receber o Prêmio Maria Moors Cabot, patrocinado pela prestigiosa Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia (EUA), uma das mais importantes do mundo. Em 2012, Míriam produziu para a GloboNews um programa especial de 50 minutos, A história inacabada, com um devastador relato sobre o sequestro, tortura e morte do ex-deputado Rubens Paiva. O trabalho lhe deu o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, concedido pelo Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.

Existe uma maneira simples para definir a qualidade do jornalismo e a essência da conduta profissional de Míriam Leitão. Veja e reveja os dois programas que ela conduziu com brilho e coragem para a GloboNews. Aquele sobre a história inacabada do desaparecido Rubens Paiva, este sobre o desempenho do irresoluto Celso Amorim. O ex-deputado e o atual ministro são, por razões opostas, o verso e o reverso de um mesmo país, ainda atolado no medo endêmico e no cinismo contagioso que rebaixa o debate sobre nosso passado recente.

As perguntas de Míriam e as respostas de Amorim provam, na telinha da GloboNews, que ainda existem jibóias que se enroscam na mentira e jacarés que tentam atemorizar a verdade. O didático enfrentamento na TV entre a repórter e o ministro deixou claro, para os que querem ver, quem enfrenta a jiboia e quem instiga os jacarés.

 

O inferno das duas Míriam: a jornalista e a jibóia

Três anos atrás, sem contar nada ao marido e aos filhos, Míriam Leitão fez uma furtiva viagem de volta ao passado e ao inferno de sua juventude.

Saiu do Rio de Janeiro e uma hora depois desembarcou em Vitória. Pegou um carro, atravessou a Terceira Ponte, que liga a capital à cidade de Vila Velha, do outro lado da baía, e seguiu em direção a um dos principais pontos turísticos do Estado: o morro da Penha, uma elevação de 150 metros de onde se admira uma bela paisagem. No alto está o velho Convento da Penha, com uma história de 454 anos. Ao pé do morro está outro monumento: o Forte de Piratininga, ali plantado em meados do século 16.

Míriam não fazia um repentino programa de turista. Era uma dorida viagem interior ao cenário dos piores momentos que a jornalista passou em sua vida. “Quando o país começou a discutir a criação da Comissão da Verdade, por volta de 2011, decidi voltar lá. Eu quis fazer minha viagem pessoal, um retorno particular à minha história”, explica Míriam, no emocionado desabafo que faz pela primeira vez, quatro décadas após o inferno que amargou naquele cenário hoje encantador. Desde o final da Primeira Guerra Mundial, o forte lá embaixo abriga um batalhão de infantaria subordinado ao Comando Militar do Leste (antigo I Exército), no Rio de Janeiro. A construção mais antiga, redonda [na foto, no alto à esquerda], é o prédio histórico da Fortaleza São Francisco Xavier de Piratininga, reformado no século 17. Foi ali que a Míriam quase adolescente de 1972, uma menina grávida de 19 anos, desceu ao submundo da repressão desatinada que marcava o auge da violência do governo mais truculento da ditadura, o do general Emílio Garrastazú Médici.

No início do século 20, a unidade ainda se chamava 3º Batalhão de Caçadores. Em setembro de 1972, três meses antes da prisão ali de Míriam Leitão, o lugar mudou de nome, passando a chamar-se 38º Batalhão de Infantaria. Entre os 707 processos políticos vasculhados no Superior Tribunal Militar pelo projeto Brasil: Nunca Mais, seis deles procedem do único quartel do Exército baseado em solo capixaba, oriundos do belo forte de Vila Velha. Neles, constam 46 denúncias de torturas consumadas no antigo 3º Batalhão de Caçadores. Outros 13 casos de torturas envolvem o atual 38º Batalhão de Infantaria. Todos se referem ao ano de 1972. Um deles é o de Míriam.

Foi lá que Míriam enfrentou a danação de um nome que resumia como ninguém a truculência do regime: o coronel Paulo Malhães, o temido “Dr. Pablo” do DOI-CODI da Rua Barão de Mesquita. Ao ver na TV o velho torturador de 76 anos depondo para a Comissão da Verdade, cinco meses atrás, Míriam chegou a duvidar que fosse o mesmo e fogoso oficial de 34 anos e cabeleira negra e farta que comandou seu interrogatório. Mas ela recorda bem que os outros militares o chamavam de “Dr. Pablo”, o codinome que Malhães usava no DOI-CODI. Existe outra forte coincidência a confirmar a identidade do doutor com o coronel. Malhães veio do Rio trazendo um acessório de tortura que o tornou inconfundível na mitologia da repressão, pelo inusitado da escolha: uma cobra.

Na verdade, uma jiboia que Malhães trouxe do Araguaia e casualmente apelidou deMíriam. Talvez para assustar ainda mais suas vítimas, o coronel dizia que a cobra media seis metros de comprimento. Um evidente exagero do “Dr. Pablo”, pois nem Míriam lembra de uma cobra tão grande. Jiboia dessa dimensão, com 6 metros e 120 kg de peso, só foi vista anos atrás no Camboja. Uma jiboia amazônica como Míriam é mais modesta, varia entre 2 e 3 metros e tem 50 kg de peso, ainda assim com tamanho suficiente para intimidar qualquer um.

Durante horas de um dia assustador a jiboia do “Dr. Pablo” foi a solitária companhia na sala onde Míriam Leitão esteve trancafiada no quartel. Quando voltou à vida, libertada três meses depois, a jovem franzina que só pesava 50 kg tinha perdido 11 kg no cativeiro, onde chegou com um mês de gravidez.

Para a visita agora a esse passado de terror, Míriam contou com a ajuda do ex-governador Paulo Hartung, que conhecia o comandante de 2011 da guarnição e facilitou o acesso da ex-presa. “Fui sozinha, não queria ninguém junto comigo. Era uma jornada só minha. Entrei e não precisei que ninguém me mostrasse o caminho. Era esquisito, não tenho bom senso de orientação, mas eu conhecia aquele quartel como a palma da minha mão. Percebi algumas reformas, paredes que não existem mais, escadas que mudaram de lugar, salas que foram modificadas. Não me permitiram ir a alguns lugares, mas o essencial estava na minha memória”, conta Míriam, hoje, com o tremor na voz que trai os demônios que assombraram aquele lugar. Ela posou para fotos junto à porta da cela onde ficou um tempo, tiradas pelo motorista que a acompanhava. E conseguiu voltar à sala grande onde passou a madrugada de horror com sua homônima jiboia. “O lugar agora é um anfiteatro, mas eu fui direto ao ponto onde me mantiveram de pé, nua, durante horas, antes e durante o tempo em que fiquei com a cobra. É uma imagem que não sai da minha cabeça. Ali eu fiz essa foto”, explica, abrindo pela primeira vez seu arquivo pessoal.

Míriam, em meio a tanto sofrimento, lembra de um paradoxo que vivia na época: “Minha cela ficava na fortaleza. Quando eu saía de lá à noite e era levada para outro local de tortura, eu a contornava e passava pela escadaria. Saía desse belo prédio circular, às margens da baía – e que hoje, por ironia, o Exército aluga para festas –, e era levada para a parte nova do quartel onde funcionavam algumas seções administrativas do quartel. Olhava aquele lugar lindo, lindo até hoje, o convento lá em cima, e pensava o quanto nada daquilo fazia sentido. Era uma beleza que contrastava com a violência daquele lugar. Eu não conseguia entender isso. Não entendia naquela época, não entendo até hoje”, diz Míriam, a voz embargada pela emoção da memória. Pela primeira vez, Míriam Leitão conta aqui como viveu, e sobreviveu, naquele lugar:

 

 

 

DEPOIMENTO DE MÍRIAM LEITÃO

“Eu sozinha e nua. Eu e a cobra. Eu e o medo”

Eu morava numa favela de Vitória, o Morro da Fonte Grande. Num domingo, 3 de dezembro de 1972, eu e meu companheiro na época, Marcelo Netto, estudante de Medicina, acordamos cedo para ir à praia do Canto, próxima ao centro da capital. Acordei para ir à praia e acabei presa na Prainha. É o bairro que abriga o Forte de Piratininga, essa construção bonita do século 17. Ali está instalado o quartel do 38º Batalhão de Infantaria do Exército, do outro lado da baía.

Eu tinha dado quatro plantões seguidos na redação da rádio Espírito Santo e já tinha quase um ano de profissão. Eu vestia uma camisa branca larga, de homem, sobre o biquini vermelho. Caminhando pela Rua Sete em direção à praia, alguém gritou de repente:

– Ei, Marcelo?

Nos viramos e vimos dois homens correndo em nossa direção com armas. Eu reconheci um rosto que vira em frente à Polícia Federal. Meu ônibus sempre passava em frente à sede da PF e eu tentava guardar os rostos.

 – É a Polícia Federal – avisei ao Marcelo

Em instantes estávamos cercados. Apareceram mais homens, mais um carro. Voltei a perguntar:

– O que está acontecendo?

Eles nos algemaram e empurraram o Marcelo para o camburão. Era uma camionete Veraneio, sem identificação. Eu tive uma reação curiosa: antes que me empurrassem sentei no chão da calçada e comecei a gritar, a berrar como louca, queria chamar a atenção das pessoas na rua. Mas ainda era cedo, manhã de domingo, havia pouca gente circulando. Achava que quanto mais gente visse aquela cena, mais chances eu teria de sair viva. Como eu berrava, me puxaram pelos cabelos, me agarraram para me colocar no carro. Eu, ainda com aquela coisa de Justiça na cabeça, reclamei:

– Moço, cadê a ordem de prisão?

O homem botou a metralhadora no meu peito e respondeu com outra pergunta:

– Esta serve?

As algemas eram diferentes, eram de plástico, e estavam muito apertadas, doíam no pulso. Viajamos sem capuz, eu e Marcelo, em direção a Vila Velha, onde fica o quartel do Exército. Eu ainda achava que não era nada comigo, que o alvo era o Marcelo. Ele estava no quarto ano de Medicina e tinha acabado de liderar a única greve de estudantes do país daquele ano, que trancou por dois dias as aulas na universidade de Vitória e paralisou os trabalhos no Hospital de Clínicas. Achei que estava presa só porque estava indo à praia com o Marcelo.

A Veraneio entrou no pátio do quartel, o batalhão de infantaria. Nos levaram por um corredor e nos separaram. Marcelo foi viver seu inferno, que durou 13 meses, e eu o meu. Sobre mim jogaram cães pastores babando de raiva. Eles ficavam ainda mais enfurecidos quando os soldados gritavam: “Terrorista, terrorista!”. Pareciam treinados para ficar mais bravos quando eram incitados pela palavra maldita. De repente, os soldados que me cercavam começaram a cantar aquela música do Ataulfo Alves: “Amélia não tinha a menor vaidade/ Amélia é que era mulher de verdade”. Só então percebi que minha prisão não era um engano. “Amélia” era o codinome que o meu chefe de ala no PCdoB tinha escolhido pra mim: “Você, a partir de agora, vai se chamar Amélia”. Quis reagir na hora, afinal não tenho nada de Amélia, mas não quis discordar logo na primeira reunião com o dirigente.

O comandante do batalhão era o coronel Sequeira [tenente-coronel Geraldo Cândido Sequeira, que exerceu o comando do 38º BI entre 10 de março de 1971 a 13 de março de 1973], que fingia que mandava, mas não via nada do que acontecia por lá. O homem que de fato mandava naquele lugar, naquele tempo, era o capitão Guilherme, o único nome que se conhecia dele. Ele era o chefe do S-2, o setor de inteligência do batalhão. Todos os interrogatórios e torturas estavam sob a coordenação dele. Ele pessoalmente nada fazia, mas a ele tudo era comunicado. Nesse primeiro dia me deu um bofetão só porque eu o encarei.

– Nunca mais me olhe assim! – avisou.

Fui levada para uma grande sala vazia, sem móveis, com as janelas cobertas por um plástico preto. Com a luz acesa na sala, vi um pequeno palco elevado, onde me colocaram de pé e me mandaram não recostar na parede. Chegaram três homens à paisana, um com muito cabelo, preto e liso, um outro ruivo e um descendente de japonês. Mandaram eu tirar a roupa. Uma peça a cada cinco minutos. Tirei o chinelo. O de cabelo preto me bateu:

– A roupa! Tire toda a roupa.

Fui tirando, constrangida, cada peça. Quando estava nua, eles mandaram entrar uns 10 soldados na sala. Eu tentava esconder minha nudez com as mãos. O homem de cabelo preto falou:

– Posso dizer a todos eles para irem pra cima de você, menina. E aqui não tem volta. Quando começamos, vamos até o fim.

Os soldados ficaram me olhando e os três homens à paisana gritavam, ameaçando me atacar, um clima de estupro iminente. O tempo nessas horas é relativo, não sei quanto tempo durou essa primeira ameaça. Viriam outras.

Eles saíram e o homem de cabelo preto, que alguém chamou de Dr. Pablo, voltou trazendo uma cobra grande, assustadora, que ele botou no chão da sala, e antes que eu a visse direito apagaram a luz, saíram e me deixaram ali, sozinha com a cobra. Eu não conseguia ver nada, estava tudo escuro, mas sabia que a cobra estava lá. A única coisa que lembrei naquele momento de pavor é que cobra é atraída pelo movimento. Então, fiquei estática, silenciosa, mal respirando, tremendo. Era dezembro, um verão quente em Vitória, mas eu tremia toda. Não era de frio. Era um tremor que vem de dentro. Ainda agora, quando falo nisso, o tremor volta. Tinha medo da cobra que não via, mas que era minha única companhia naquela sala sinistra. A escuridão, o longo tempo de espera, ficar de pé sem recostar em nada, tudo aumentava o sofrimento. Meu corpo doía.

Não sei quanto tempo durou esta agonia. Foram horas. Eu não tinha noção de dia ou noite na sala escurecida pelo plástico preto. E eu ali, sozinha, nua. Só eu e a cobra. Eu e o medo. O medo era ainda maior porque não via nada, mas sabia que a cobra estava ali, por perto. Não sabia se estava se movendo, se estava parada. Eu não ouvia nada, não via nada. Não era possível nem chorar, poderia atrair a cobra. Passei o resto da vida lembrando dessa sala de um quartel do Exército brasileiro. Lembro que quando aqueles três homens voltaram, davam gargalhadas, riam da situação. Eu pensava que era só sadismo. Não sabia que na tortura brasileira havia uma cobra, uma jiboia usada para aterrorizar e que além de tudo tinha o apelido de Míriam. Nem sei se era a mesma. Se era, talvez fosse esse o motivo de tanto riso. Míriam e Míriam, juntas na mesma sala. Essa era a graça, imagino.

Dr. Pablo voltou, depois, com os outros dois, e me encheu de perguntas. As de sempre: o que eu fazia, quem conhecia. Me davam tapas, chutes, puxavam pelo cabelo, bateram com minha cabeça na parede. Eu sangrava na nuca, o sangue molhou meu cabelo. Ninguém tratou de minha ferida , não me deram nenhum alimento naquele dia, exceto um copo de suco de laranja que, com a forte bofetada do capitão Guilherme, eu deixei cair no chão. Não recebi um único telefonema, não vi nenhum advogado, ninguém sabia o que tinha acontecido comigo, eu não sabia se as pessoas tinham ideia do meu desaparecimento. Só três dias após minha prisão é que meu pai recebeu, em Caratinga, um telefonema anônimo de uma mulher dizendo que eu tinha sido presa. Ele procurou muito e só conseguiu me localizar no fim daquele dezembro. Havia outros presos no quartel, mas só ao final de três semanas fui colocada na cela com a outras presas: Angela, Badora, Beth, Magdalena, estudantes, como eu.

Fiquei 48 horas sem comer. Eu entrei no quartel com 50 kg de peso, saí três meses depois pesando 39 kg. Eu cheguei lá com um mês de gravidez, e tinha enormes chances de perder meu bebê. Foi o que médico me disse, quando saí de lá, com quatro meses de gestação. Eu estava deprimida, mal alimentada, tensa, assustada, anêmica, com carência aguda de vitamina D por falta de sol. Nada que uma mulher deve ser para proteger seu bebê na barriga. Se meu filho sobrevivesse, teria sequelas, me disse o médico.

– A má notícia eu já sei, doutor, vou procurar logo um médico que me diga o que fazer para aumentar as chances do meu filho.

Mas isso foi ao sair. Lá dentro achei que não havia chance alguma para nós. Eu era levada de uma sala para outra, numa área administrativa do quartel, onde passava por outras sessões de perguntas, sempre as mesmas, tudo aos gritos, para manter o clima de terror, de intimidação. Na noite seguinte, atravessei a madrugada com uma sessão de interrogatório pesado, o Dr. Pablo e os outros dois berrando, me ameaçando de estupro, dizendo que iam me matar. Um dia achei que iria morrer. Entraram no meio da noite na cela do forte para onde eu fui levada após esses dois dias. Falaram que seria o último passeio e me levaram para um lugar escuro, no pátio do quartel, para simular um fuzilamento. Vi minha sombra refletida na parede branca do forte, a sombra de um corpo mirrado, uma menina de apenas 19 anos. Vi minha sombra projetada cercada de cães e fuzis, e pensei: “Eu sou muito nova para morrer. Quero viver”.

Um dia, um outro militar, que não era nenhum daqueles três, botou um revólver na minha cabeça e falou: “Eu posso te matar”. E forçou aquele cano frio na minha testa. Me deu um sentimento enorme de solidão, de abandono. Eu me senti absolutamente só no mundo. Pela falta de notícias, imaginava que o Marcelo estava morto. Entendi que iria morrer também e que ninguém saberia da minha morte, pensei. Mas não quis demonstrar medo. Lembro que o homem do revólver tinha olhos azuis. Olhei nos seus olhos e respondi: “Sim, você pode pode me matar”. E repeti, falando ainda mais alto, com ar de desafio: “Sim, você pode!”

Um dos interrogatórios foi feito na sala do capitão Guilherme, o S-2 que mandava em todos ali. Era noite, ele não estava, e me interrogaram na sala dele. Lembro dela porque havia na parede um quadro com a imagem do Duque de Caxias. Estava ainda com o biquíni e a camisa, era a única roupa que eu tinha, que me protegia. Nessa noite, na sala, de novo fui desnudada e os homens passaram o tempo todo me alisando, me apalpando, me bolinando, brincando comigo. Um deles me obrigou a deitar com ele no sofá. Não chegaram a consumar nada, mas estavam no limite do estupro, divertindo-se com tudo aquilo.

Eu estava com um mês de gravidez, e disse isso a eles. Não adiantou. Ignoraram a revelação e minha condição de grávida não aliviou minha condição lá dentro. Minha cabeça doía, com a pancada na parede, e o sangue coagulado na nuca incomodava. Eu não podia me lavar, não tinha nem roupa para trocar. Quando pensava em descansar e dormir um pouco, à noite, o lugar onde estava de repente era invadido, aos gritos, com um bando de pastores alemães latindo na minha cara. Não mordiam, mas pareciam que iam me estraçalhar, se escapassem da coleira. E, para enfurecer ainda mais os cães, os soldados gritavam a palavra que enlouquecia a cachorrada: “Terrorista, terrorista!…”

As primeiras três semanas que passei lá foram terríveis. Só melhorou quando o Dr. Pablo e seus dois companheiros foram embora. Entendi então que eles não pertenciam ao quartel de Vila Velha. Tinham vindo do Rio, é o que chegaram a conversar entre eles, em papos casuais: “E aí, quando voltarmos ao Rio, o que a gente vai fazer lá…” Isso fazia sentido, porque o quartel de Vila Velha integra o Comando do I Exército, hoje Comando do Leste, que tem o QG no Rio de Janeiro.

Quando o trio voltou para o Rio, a situação ficou menos ruim. Eles já não tinham mais nada para perguntar. Me tiraram da cela da fortaleza e me levaram para a cela coletiva. Foi melhor. Na cela do forte não havia janelas, a porta era inteiriça e minhas companhias eram apenas as baratas. Fiz uma foto minha, agora em 2011, ao lado da porta.

Até que chegou o dia de assinar a confissão, para dar início ao IPM, o inquérito policial-militar que acontecia lá mesmo, dentro do quartel. Me levaram para a sala do capitão Guilherme, o S-2, e levei um susto. Lá estava o Marcelo, que eu pensava estar morto. Os militares saíram da sala e nos deixaram sozinhos. Quando eu fui falar alguma coisa, o Marcelo me fez um sinal para ficar calada. Ele levantou, foi até a parede e levantou o quadro do Duque de Caxias. Estava cheio de fios e microfones lá atrás. Era tudo grampo.

Depois disso, o Marcelo foi levado para o Regimento Sampaio, na Vila Militar, no Rio de Janeiro, e lá ficou nove meses numa solitária. Sem banho de sol, sem nada para ler, sem ninguém para conversar. Foi colocado lá para enlouquecer. Nove longos e solitários meses… Nós, todos os presos, e os que já estavam soltos nos encontramos mais ou menos em junho na 2ª Auditoria da Aeronáutica, para o que eles chamam de sumário de culpa, o único momento em que o réu fala. Eu com uma barriga de sete meses de gravidez. O processo, que envolvia 28 pessoas, a maioria garotos da nossa idade, nos acusava de tentativa de organizar o PCdoB no estado, de aliciamento de estudantes, de panfletagem e pichações. Ao fim, eu e a maioria fomos absolvidos. O Marcelo foi condenado a um ano de cadeia. Nunca pedi indenização, nem Marcelo. Gostaria de ouvir um pedido de desculpas, porque isso me daria confiança de que meus netos não viverão o que eu vivi. É preciso reconhecer o erro para não repeti-lo. As Forças Armadas nunca reconheceram o que fizeram.

Nunca mais vi o capitão Guilherme, o S-2 que comandou tudo aquilo. Uma vez ele apareceu no Superior Tribunal Militar como assessor de um ministro. Marcelo foi expulso do curso de Medicina, após a prisão, e virou jornalista. Fomos para Brasília em 1977. Por ironia do destino, Marcelo só conseguiu vaga de repórter para cobrir os tribunais. E lá no STM, um dia, ele reviu o capitão Guilherme. Depois disso, não soubemos mais dele. Nem sei se o S-2 ainda está vivo.

O que eu sei é que mantive a promessa que me fiz, naquela noite em que vi minha sombra projetada na parede, antes do fuzilamento simulado. Eu sabia que era muito nova para morrer. Sei que outros presos viveram coisas piores e nem acho minha história importante. Mas foi o meu inferno. Tive sorte comparado a tantos outros.

Sobrevivi e meu filho Vladimir nasceu em agosto forte e saudável, sem qualquer sequela. Ele me deu duas netas, Manuela (3 anos) e Isabel (1). Do meu filho caçula, Matheus, ganhei outros dois netos, Mariana (8) e Daniel (4). Eles são o meu maior patrimônio.

Minha vingança foi sobreviver e vencer. Por meus filhos e netos, ainda aguardo um pedido de desculpas das Forças Armadas. Não cultivo nenhum ódio. Não sinto nada disso. Mas, esse gesto me daria segurança no futuro democrático do país. [Depoimento a Luiz Cláudio Cunha]

***

Luiz Cláudio Cunha é jornalista, autor de Operação Condor – O Sequestro dos Uruguaios: uma reportagem dos tempos da ditadura

 

80 Comentários

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Celso Giovannetti Brambilla

- 2014-08-24 23:22:17

Você me dá asco!!!!!!!!

Não faça seu julgamento sem entender o que é a tortura, quando vieram com a máquina de choques para cima de mim eu achei que confessaria que enforquei Tiradentes e cruxifiquei Jesus Cristo, depois isso era refresco, para suportar a cadeira do Dragão e as cinco horas de pau de arara seis dias consecutivos e os jatos de água gelada e seguido de fogo debaixo do suporte do pau de arara, mais as lacerantes palmatórias e as latinhas de tomate debaixo de meus pés. Ninguém sabe do que é capaz de sentir e resistir sobre tortura e seu comentário é asqueiroso, por não condenar a tortura e sim elevá-la a níveis de suportação. Barbárie, pense bem pois essa argumentação é de quem não vale o que come e perdeu qualquer raciocínio e não deve julgar ninguém e procure um psiquiatra.

AtCelso Giovannetti Brambillaenciosamente.

Celso Giovannetti Brambilla

- 2014-08-24 23:10:20

E oque isso tem a haver com torturas.

Prezado senhor Selmar Salles Teixeira.

O senhor não entende nada, pois uma coisa é a luta aberta outra é a burra e ignomiosa tortura que para sub humanos parece não ser diferente. Há dignidade até na execução de um homem, na tortura a humanidade desapareceu e os porcos e oportunistas assumiram o controle.

A consicência de um torturador ou de um superior que aceita a tortura é a de um porco.

Atenciosamente.

Celso Giovannetti Brambilla

Luisa Sá

- 2014-08-21 21:22:14

Caro Sr. João Pereira,   A

Caro Sr. João Pereira,

 

A sua análise é perfeita.

O senhor, com especial argúcia, desmontou, no meu entender aonde quer chegar Miriam Leitão.

Sabemos que nada sai na grande imprensa por acaso, a não ser, é claro, os fatos que não podem deixar de ser divulgados.

Essa entrevista  feita por Miriam Leitão, servidora e seguidora obediente dos patrões coniventes e fomentadores da terrível ditadura pela qual passou nosso país, esté em absoluto descompasso com o seu alinhamento com a direita.

É desconcertante sua história de presa e torturada  - fato absolutamente lamentável - surgir agora.....Por quê?!?

 

 

Orlando Fernandes

- 2014-08-21 12:42:10

Eis aqui uma opinião

Eis aqui uma opinião consistente, o Sr. João Pereira foi inteligente e preciso. Assino embaixo. Há luz no fim do túnel e não é o trem vindo...

Under_Siege

- 2014-08-21 03:45:27

triste tragicomédia...

o sr que escreveu esta elegia à nossa Miss PIG, Miriam Leitão chega a ser patético colocando a sra PIG como Jornalista impoluta, genial e inatacavel ´como se os N premios dados a ela endogenamente ou com a concupiscencia da mafiosa SIP tivessem algum valor... REAL. Tudo pelo teatro.

Quanto à saga da prisão da garota Miriam/Amelia, sempre tocante - como tantos outros aos quais tivemos acesso previamente.

E tal emocionante história torna ainda mais grave a opção que a jornalista fez na vida de servir ao terrorismo economico contra seu povo e seu País...

e mais triste ainda o autor Luis Claudio Cunha que baba os ovos de Miriam (como se esta ainda fosse uma bela jovem, defensora do PCdoB e do BRASIL)  e desanca o Chanceler Celso Amorim - cabra SÉRIO - como se dele fosse a culpa pelo descalabro das torturas e mortes na ditadura civil-militar.

 

Ai, ai... enfim!

Marcos Antônio

- 2014-08-21 01:23:30

Não vou criticar o direito
Não vou criticar o direito dela para obter justiça...
A justiça é um direito e a reparação é justa.
Mas, não há como comparar com DIlma!
A Dilma foi, nas palavras dela: Seviciada no cárcere!
E está buscando reparação ou construir uma ponte para o futuro?

renan braine

- 2014-08-20 09:23:04

Não da mais pra viver ou
Não da mais pra viver ou querer ganhar a vida com o passado de mais de quarenta anos. Temos fatos atuais muito mais importante nos dias de hoje. Parece até papo de coitadinho.

Motta Araujo

- 2014-08-20 06:25:57

O que pretende a jornalista?

O que pretende a jornalista? O Ministro da Defesa tem um papel definido, institucional, de defesa das Forças Armadas perante o publico externo, esse é um dos papeis dos ministros da Defesa, desde o primeiro da Historia, James Forrestal.

Forças Armadas em todos os tempos e em qualquer lugar do planeta são baseadas numa cadeia de comando, são treinados para cumprir missões, porisso mesmo a Insituição  não pede desculpas, ela cumpri missões.

Pedir desculpas põe em duvida a cadeia de comando, torna o soldado inseguro, passa a duvidar da ordem recebida.

Exercitos e generais não pedem desculpas e não reconhecem erros para fora da Instituição. Dentro dela pode haver reavaliação e analise, a Instituição proclamar isso para fora, para o publico externo, não existe.

No Tribunal de Nuremberg os generais Jodl, Keitel e Kesselring e o Almirante Doenitz nunca mostraram arrependimento, os dois primeiros não pediram desculpas nem com a corda no pescoço nos ultimos minutos de vida.

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O Ministro Amorim já tem a dificil tarefa de manter a coesão institucional das Forças, ele tem problemas de orçamento, suprimentos, de manter  as Missões de Paz da ONU, o Exercito brasileiro é o que mais tem Missões em operação.

Vai procurar encrenca com os Comandos por causa de casos individuais ocorridos há mais de 40 anos?

Alguem ouviu falar do Exercito sovietico, chinês, japonês, francês ou americano ter pedido desculpas de incontaveis violações de direitos humanos? Os exercitos tem Cortes Marciais para punir desvios interna corporis mas generais de qualquer nacionalidade não vem a publico lamentar erros da Instituição porque isso quebra a moral da tropa e pode abalar a hierarquia, colunas mestras do funcionamento das instituições militares, desde os tempos romanos.

O Ministro Amorim não vai ficar contra o Exercito para agradar a Miriam Leitão, aliás nem devia dar a entrevista, ele não é obrigado a conceder entrevista se não quiser, esse é seu direito, entrevistas de Ministros tem o tema e as perguntas previamente enviadas, assim é em qualquer Pais organizado, democracia tem regras e essa é uma delas.

Tiago Bevilaqua

- 2014-08-20 04:54:26

Antes de mais nada o texto é

Antes de mais nada o texto é longo em demasia, e por vezes o autor quer mostrar erudição, com o que o alonga mais. O monte de diatribes contra diplomatas é coisa de tolo. A elegia que faz a Miriam Leitão é de lascar.  Já no que diz respeito a ela ser torturada, isso tem de ser dito com todas as letras.

Essa senhora não é nenhuma “santinha”. Quando o verbete (super “elogioso”) dela foi alterado no Wikipedia, por algum computador ou até smartphone que pudesse ter acesso a rede do Planalto, ela declarou: Ela afirmou: “É ingenuidade acreditar que uma pessoa isolada, enlouquecida, resolveu, do IP da sede do governo, achincalhar jornalistas. (…) Alguém deu ordem para que isso fosse executado. É uma política. Não é um caso fortuito.”. Ora, convenhamos o governo iria fazer uma besteira deste tamanho? Ela não duvidou, afirmou, de forma veemente. O governo só tinha a perder em uma coisa tão insignificante como esta. Assim, a jornalista atendeu a interesses de seus patrões. Afora o fato que uma grande quantidade de pessoas não ligadas ao Palácio do Planalto poderia ter feito as modificações.

Com relação à entrevista o Ministro Celso Amorim foi vaselina, mas àquela altura era difícil ser diferente. O que considero inaceitável é que todas as 3 Forças Armadas se negaram a responder o que lhes foi posto de forma clara e indiscutível pela CV, algo essencial para que tenhamos Nunca Mais.

Tiago Bevilaqua

- 2014-08-20 04:41:46

Quem precisa se informar mais

Quem precisa se informar mais é você meu caro. Sabidamente a ficha publicada na primeira da Folha, exclusivamente com intuito eleitoral, é falsa.

Tiago Bevilaqua

- 2014-08-20 04:19:45

Convenhamos

Convenhamos, O Celso Amorim não tinha como responder DIRETAMENTE, e por isso foi um tremendo vaselina. Não esqueça, por exemplo, que quando foi lançada a comissão da verdade os chefes militares não cumprimentaram a Dilma. Pq será?

Tiago Bevilaqua

- 2014-08-20 04:10:58

Não conccordo em um ponto

Não concordo que a entrevista com Celso Amorim tenha sido covarde. As Forças Armadas é que foram covardes não reconhecendo o que haviam feito no passado. O país precisa passar a limpo isso, e as Forças Armadas reconhecerem que tiveram o papel central em torturas e assassinatos, lógico que com a complacência, ou até concordância de muitos e muitos civis. De resto concordo plenamente com o papel que a Miriam Leitão poderia ter se realmente quisesse contribuir com o Nunca Mais.

Mario Moraes

- 2014-08-20 01:53:58

Realmente a tortura é uma

Realmente a tortura é uma atitude altamente deplorável, criminosa, covarde... Fica difícil até adjetivar um ser humano que é capaz de praticar tal ato apenas por discordar da ideologia política, religiosa... assumida por outro.

Dentro da cadeia de hierarquia, obedecer ordens ilegais, obscuras, imorais... não é obrigação de qualquer servidor público, seja ele militar ou civil, porém, como dizia o ditado da época dos fatos narrados "Quem tem ... tem medo, estamos com Figueiredo". Muitos foram os militares que foram contra a ditadura/golpe e os atos de tortura, e em virtude de suas humanas e patrióticas atitudes foram punidos, aposentados compulsóriamente e também alvo de tortura. Muitos também foram os civis que foram contra os atos de terrorismo perpetrados pelas ditas organizações e partidos de esquerda. Quem estava com a razão?

Triste é observar que os fatos geradores de um momento deplorável da nossa história ainda estão vigentes em nossa sociedade, fome, miséria, desemprego, exclusão social... e o pior de tudo é observar que tais problemas atualmente são perpetrados por aqueles que outrora pegaram em armas para lutar por um país mais igualitário e justo. Os ditos revolucionários do passado, são o poder corrupto de hoje!

Somos apenas humanos, e como humano prefiro acreditar nos animais!

Paulo P. Ribeiro

- 2014-08-19 23:47:17

Piguenta

Era só o que faltava. Repesentante mor do PIG tentando se passar por vítima da ditadura....Não acredito em uma palavra do que disse essa piguenta. Vendida para a Rede Globo, quer mudar o curso da história. A ela, o meu desprezo!!!

Andre B

- 2014-08-19 23:43:40

Considero que hoje Miriam

Considero que hoje Miriam Leitão joga do lado que considero adversário (o do Capital). Mas não acho que por isso ela não mereça o respeito que todo ser humano que passou por isso merece, até porque a qualificaria - sem a conhecer pessoalmente - como uma liberal ingenua que acredita que democracia e capitalismo são sinominos, quando na verdade convivem em um casamento de aparencias e em que a segunda (a democracia) é expulsa de casa quando o primeiro (o capitalismo) está sob ameaça.

Por isso me atenho ao outro lado da História, o do ministro. Celso Almorim quando estava no ministério das relações exteriores era chamado pelos detratores de um dos 'barbudinhos' do Itamaraty. O termo com tom pejorativo insunuava não só uma politica externa independente dos interesses americanos, mas também uma filiação com a esquerda. Pois bem, imagine um 'barbudinho' como comandante de militares que ainda preservam a ideologia da ditadura - e não são todos os militares -, ainda mais quando a presidente que nomou o ministro é uma pessoa que lutou contra a ditadura. Pois bem, cada um que use sua imaginação para chegar a uma conclusão sobre porque o ministro foi, digamos, cauteloso na entrevista.

Frederico69

- 2014-08-19 23:30:45

puxa não sabia que ela era terrorista!!

puxa não sabia que ela era terrorista!!

alguém avisa o roger no tt pra tomar cuidado com ela.

Ricardo Cesar

- 2014-08-19 23:02:14

Essa história da big pig ter

Essa história da big pig ter sido torturada tá sendo muito ventilada, me ocorreu que a direitona tá querendo uma torturada prá chamar de nossa!

Luiz Aparecido Braga

- 2014-08-19 23:01:28

Ditadura Militar .

Me desculpe Mirian Vc.naquela Epoca estava no Lugar errado os Militares Oprimiram todo mundo, Hoje não Por Vc. Mais pela maioria das pessoas influentes que viverão naquela Epoca, Usão um codinome de Direitos Humanos que Nos que não tivemos nada com os ocorridos, Lamentamos com as Hipocrisias dos politicos perseguidos e torturados na Epoca e hoje increminam policiais, Dão Salarios para Bandidos e desocupados.

          por isso vevemos com medo pela quantidade de criminosos e vandalos soltos se apolicia fazer alguma coisa ela e a errada.

          Hipocritas Politicos de hoje valorisam os Direitosd Huimanos Para Bandidos e a Classe Media fica Oprimida, Os pequenos empresarios são assolados pelos Impostos , que o Governo tira uma parte para se e para estar novavente no Poder Distribue ......Bolsa Familia......auxilio Luz, ......Auxilio Moradia........auxilio Gas......auxilio agua ......

          Duivda Va ao Norte e ao Nordeste.

 

          Sinceridade com o Governo e os Politicos que ai estão do jeito que estão em causas proprias prefiro Uma Ditadura

          Tenho 62 Anos Tambem vivi aquelaEpoca

 

Joao Pereira

- 2014-08-19 23:00:40

Interessante materia, mas...

Achei muito boa esta materia sobre aquele periodo negro da Historia do Brasil. Porem, tem alguns problemas.

Concordando com o que ja' foi dito aqui, e' muito revelador que a Miriam Leitao tente encostar na parede e constranger o Ministro Amorim, exatamente no momento em que a CNV esta' chegando perto de concluir os seus trabalhos.

Parece mais que a globo, por intermedio de sua fiel servidora, esta' querendo criar problemas politicos pra Dilma junto aos militares.

Ela provavelmente nunca pensou em fazer uma entrevista com os irmaos Marinhos, exigindo retratacao pela cumplicidade e acobertamento das torturas e assassinatos do regime por parte de Roberto Marinho, e que suas organizacoes faziam tudo para perpetuar. Isto seria bem mais robusto e convincente do que apenas pedir desculpas, como fizeram, pelo apoio generico 'a ditadura.

Se a Miriam fosse realmente coerente, o que nao parece ser, ela exigiria (como exigiu do Amorim) que seus patroes, assumissem a causa de forcar os militares, com os seus meios de comunicacao, a fazer uma retratacao publica diante da sociedade brasileira pelos crimes da ditadura. A influencia deles estaria sendo usada para o "bem" e teria a opiniao publica a seu lado; e esta seria tambem uma retratacao mais aceitavel pelos mal-feitos dos tempos da ditadura.

Como vimos na novela do "mensalao", a globo tem muita influencia no STF; Miriam poderia tambem convencer os Marinhos a fazer uma campanha para que o STF cancelasse a lei de anistia e abrisse caminho para a punicao exemplar daqueles que cometeram os crimes hediondos e inafiacaveis a servico de uma ditadura para defender os interesses particularistas da oligarquia brasileira (e os de uma potencia estrangeira) contra os interesses mais amplos do povo brasileiro.

Se eles se recusassem a fazer isto, ela poderia pedir demissao e criar o seu proprio blog, onde ela nao ganharia tanto dinheiro quanto ganha na globo, mas teria mais coerencia, e provavelmente mais auto-estima, mais auto-respeito, e mais paz de espirito.

Essa entrevista com o Amorim foi uma coisa covarde e barata, vinda de alguem com um imenso "teto de vidro" pessoal e tambem referente aos seus empregadores (ou seriam parceiros ideologicos ?). Isso nao invalida o fato de que ela foi, efetivamente, vitima de crimes que jamais deveriam ter acontecido, jamais.

Adicionalmente, acredito que o trabalho incansavel de Luiz Claudio Cunha merece todo o respeito e apoio, e sera' reconhecido pelas geracoes futuras, assim como o de muitos outros brasileiros que vem fazendo este trabalho ha' muitas decadas.

Espero ainda que a CNV consiga restabelecer a verdade com relacao 'a responsabilidade da midia e de tantos jornalistas tanto para o realizacao do golpe militar de 64 como para a sua manutencao durante 21 anos.

Victor Hugo

- 2014-08-19 22:40:50

Pimenta e refresco

Pimenta no "olho " dos outros é refresco, viver o drama fora do palco é outra história. É fácil colocar dúvidas em um episódio passado a mais de 50 anos é fácil criticar quando não existe ninguém pronto para te matar por isso, quem encarou a ditadura militar fez isso por amor a sua gente, por revolta em ver a falta de direitos humanos e a corrupção instituída e tranquila dos militares no poder, se viveu para contar tem o direito de estar onde quiser e até de mudar de opinião, se assim quiser, mas vai continuar sendo um corajoso brasileiro. Se você hoje fala o que quiser é não é massacrado, morto, ou no mínimo censurado é porque alguém lutou por esse seu direito e merece o seu respeito.

Geraldo_Romano

- 2014-08-19 22:36:47

Será Covardia?

RESPEITO: é o que essa senhora absolutamente não tem pelo povo brasileiro, ao vomitar diariamente na televisão os maiores absurdos econômicos e políticos, no afã de agradar e enriquecer, ainda mais, a classe a que serve.

PRECONCEITO:  É o que essa senhora tem de sobra de tudo que não seja ditado pelo deus mercado.

FANATISMO:  Seu modo de seguir com dedicação aos seus senhores.

Depois de conhecer, agora, a história dessa triste figura, a desprezo ainda mais. Uma pessoa deplorável que não respeita o que viveu, tripudia por atos seu próprio passado e ao passado do país, ao agarrar-se por motivos que tenho certeza, são inconfessáveis, aos interesses mais mesquinhos e contrários a tudo que por um dia sofreu. Não existe classificação honrosa pra essa pessoa. Que Deus proteja o país de gente como ela.

Orlando Soares Varêda

- 2014-08-19 22:34:26

  Realmente, eu diria que

 

Realmente, eu diria que entre os covardes, o tipo que mais ofende  à sensibilidade humana, estão, o traidor do próprio Pais e o torturador. Sendo esse último dos últimos, o Abjeto.

Especialmente, aqueles que para ingressar no serviço público são levados a cumprir juramento  à Constituição Federal, de defender a Pátria antes que a própria vida, além, do compromisso de exercer com dignidade e honra sua função militar. O torturador, nunca obterá o respeito, nem será digno de honra na história da  humanidade  

A maioria dos militares de alta e média patente, tanto servindo na ativa como o agasalhado no pijama da reserva nos anos 60 e 70, e, que se sujeitaram a dar respaldo com as armas confiadas pelo Estado brasileiro, aderindo ao movimento golpista engendrado pelo seu representante loca o Abraham Lincoln Gordon embaixador dos Estados Unidos no Brasil entre 1961 e 1966 macomunado aos agentes e traidores civis locais. Merecem esses indignos, mais que o nojo dos brasileiros.

Pois estes, terão o opróbrio eterno do Brasil. Não dos vira-latas, dos capachos habituados a dobrar os joelhos, em genuflexão, diante dos agentes do império USA. Muitos, ainda hoje praticam com ardor subalterno a liturgia servil. Ritual no qual se notabilizou o professor Cardoso tira sapatos.  Sabujo de vergonhosa memória que ainda inspira uns gatos pingados .

Desafortunadamente, a senhora que comete a tal entrevista  é conhecida. Ao ler o referido cartapácio, não sei o porque,  lembrei  de um comentário disparado anos atrás, pelo governador Waldir Pires sobre o jurista e politico Josaphat Ramos Marinho. Na oportunidade que aquele senhor (progressista), resolve aceitar o convite, e foi se juntar, topando ser candidato ao Senado Federal na chapa do contraventor e medico politico* baiano ACM. Disse o professor Waldir: “o Josaphat aceita vender o seu passado, e alugar o seu futuro ao carlismo” (não que o professor Josafhat tenha cumprido a vaticínio). No caso da Dona Míriam, não posso dizer o mesmo.

* Na Bahia, onde acm  obteve o diploma de médico, não há notícia de que o malvadeza tenha aplicado,  ou mesmo, assistido alguém  aplicar uma injeção , nem num braço de um cachorro sequer.  

Quanto ao rapaz do Observatório da Imprensa nada sei , e, pelos elogios e loa endereçados à funcionária dos irmãos marinhos, prefiro permanecer na santa ignorância.

Orlando

Sérgio Lamarca

- 2014-08-19 22:20:47

Me desculpem, mas ainda tendo

Me desculpem, mas ainda tendo o senso de dicernimento e minhas conclusões ainda não estão opacas devido a ideologia que defendo. Miriam Leitão sofreu tortura e fez perguntas contundentes e o nosso querido Ministro Amorim correu das respostas por que não tem coragem para enfrentar seus comandados. É frouxo!

Adriano Ramos

- 2014-08-19 22:18:36

nao e falso

Caro colega, tudo q se falou da sra dilma e plena verdade, se informe mais...

josué galdi

- 2014-08-19 22:11:41

Todos os criminosos anti-ditadura merecem respeito...não sei...

Hoje em dia, estão incriminando a tal Sininho, como se fosse uma criminosa anti-ditadura (exatamente como naqueles tempos de Dilma e Amélia Leitão..., sem `sisquecer` do `Zé Dirceu bello futuro presidente da mamãe`)...ela merece respeito??? Pq a Globo e outras mídias apoiam esse governo contra a Sininho e não apoiariam o governo dos anos 60 e 70 contra assaltantes de banco que queriam golpe rápido ao invés de fazerem como hoje, candidatando-se a prefeito, deputado, etc? Qualquer um podia entrar nos partidos de então (estavam lá Maluf, Quércia, Ulissinho e outros filhos de classe média-alta, como o povo-a-favor-da-revolução-miserenta-cubana, que nunca decolou para a Ilha de Fidel ser `alguém no mundo`...Pobreza democratizada e Luxo pros Castro (parece Venezuela e Argentina: povo sofrendo e elite esquerdista riquecendo - qui nem qui Lula).

JOSE CICERO LINS TELES

- 2014-08-19 22:00:29

reportagem

Por que será que essa reporter quer tantas de respostas de alguém que não teve nenhuma participação, nem tampouco apoiou a ditadura. Pela sua indignação não entendo como ela pode trabalha na Rede Globo. Todos sabem que a Rede Globo apoiou e se beneficiou desse regime. Talvez a Miriam Leitão desconheça tal fato, ou será que é um desconhecimento proposital, a fim de garantir seu emprego. Por que a Miriam Leitão não realiza um reportagem sobre o papel efetivo da Rede Globo na ditadura militar.  

josué galdi

- 2014-08-19 21:48:01

Míriam trabalha na Globo, que apoiou a Contra-Revoluçãocomunista

Gostaria de assistir a uma entrevista que ousasse colocar em cheque a Sra Amélia Leitão...considerando o que a levou a agir clandestinamente naqueles tempos (o que esperava de fato, se apoiava o uso de armamento e operações criminosas contra Brasil lá fora, o pessoal da Dilma e Amélia, naqueles tempos? O Zé Dirceu nós já conhecemos, preso naquela época e hoje outra vez...deve ter tido um bom professor cubano, pois não se esqueceu das lições de como enriquecer às custas do zé povinho capiau subdesenvolvido (sem educação, sem hospitais, sem segurança) do Brasil...

Ricardo Cesar

- 2014-08-19 21:40:39

Só me diga uma coisa, passou

Só me diga uma coisa, passou no jornal nacional ou no fantástico? bobo news não vale, só assiste quem paga. Por que a mriram big pig não entrevista o pessoal do clube dos militares?

Yacov

- 2014-08-19 21:33:18

Aqueles que sofreram torturas

Aqueles que sofreram torturas nas mãos dos Milicos podem ser divididos em 2 grupos:

 

1. Os que NUNCA cederam e, portanto, ou morreram sob tortura, ou conseguiram escapar e continuaram lutando ao lado do POVO pela DEMOCRACIA e assim continuam até hoje, como a PRESIDENTA DILMA, e

 

2. Os que ao primeiro CHOQUE NO PAU-DE-ARARA confessaram tudo e algo mais, entregaram seus companheiros, e depois, tomados pela SÍNDROME DE ESTOCOLMO,  foram trabalhar na GLOBO e na FOLHA, como a repórter LEITOA entreguista que o babaca do Cunha chama de jornalista.

 

"O BRASIL PARA TODOS não passa na REDE GLOBO DE SONEGAÇÂO - O que passa na REDE GLOBO DE SONEGAÇÃO é um braZil-Zil-Zil para TOLOS"

Yacov

- 2014-08-19 21:27:02

É VERDADE ... Tão bonzinhos

É VERDADE ...

Tão bonzinhos esses milicos, não !?!?

Todos verdadeiros gentlemen !!

Exemplos de integridade. Uma raça verdadeiramente sobre-humana.

Nenhum tiro até 66, é ?!? Então, tá...

Deve ser por isso que o $ERRA - deipois seguido de outros direitopatas auto-exilados, como FDP, digo, fhc - foi o primeiro a esvaziar os cofres da UNE e fugir do BRASIL para se refugiar nos "EUA", assim que o GOLPE se anunciou, né !?!?

Aliás, desde a ROMA antiga, que formou o primeiro exército profissional da história com o Gal. Mário, nós sabemos que os militares a gentileza encarnada e não usam a força e tampouco a tortura de seus prisioneiros como método de persuação.

São quase anjos, né ?!?!

 

"O BRASIL PARA TODOS não passa na REDE GLOBO DE SONEGAÇÃO - O que passa na RAEDE GLOBO DE SONEGAÇÂO é um braZil-Zil-Zilpara TOLOS"

Yacov

- 2014-08-19 21:17:02

PELAMOR... Quanda HIPOCRISIA

PELAMOR...

Quanda HIPOCRISIA !!

A REDE GLOBO DE SONEGAÇÂO cresceu teratológicamente á SOMBRA DA DITADURA, a quem apoiou desde o início !!!

A REDE GLOBO DE SONEGAÇÃO sempre sabotou qualquer tipo de COMISSÂO DA VERDADE ou o que quer que fosse feito para investigar e punir oe crimes da DITADURA !!

A REDE GLOBO DE SONEGAÇÃO comemorou a Anistia da LEIS DE AUTO-ANISTIA que o EROS CRAU, também torturado, relatou !!

E agora querem jogar a culpa pelos crimes da DITADURA não terem sido assumidos pelas FA no AMORIM !?!?!

Estão todos loucos !!!

E o mais louco de todos é o autor deste texto RIDÍCULO !!!

 

"O BRASIL PARA TODOS não passa na REDE GLOBO DE SONEGAÇÃO - O que passa na REDE GLOBO DE SONEGAÇÃO é um braZil-Zil-Zil para TOLOS"

Ulisses Souza Oliveira Junior

- 2014-08-19 20:46:49

DITADURA?

Acho que a Míriam passou por uma amnésia temporária que levou alguns longos anos. Só agora, por coincidência vésperas de eleição, ela lembrou-se que sofreu na carne com a ditadura? Digo isto porque ela, salvo melhor lembrança, desde que me conheço como gente, sempre trabalhou, exemplarmente, cumprindo todo o script da nossa vênus platinada, a globo, que, não faz muito tempo, assumiu que exerceu o papel de defensora do regime ditatorial e puxa-saco dos militares. Só pode ser por esquecimento dos fatos que ela nunca se importou em defender a quem lhe causou tantos prejuízos. Ou foi, conseguir um emprego na globo, um cala-boca? Você tem que se explicar Míriam. Ou você achou que as pessoas se esqueceram do seu comportamento de sempre como defensora das oligarquias e do grande capital, que nada mais são que um tipo de ditadura? Aguardo seu pronunciamento.

jose de arimateia neto

- 2014-08-19 20:39:01

Amorim é digno

A entrevista dá o tom da dignidade de Celso Amorim e de um governo comprometido até a raiz com a democracia, mesmo que o adversário jogue sujo e aja traiçoeiramente com vontade exclusiva de criar uma situação de constrangimento, foi o caso da entrevista, Miriam Leitão representa a voz daqueles que falam da anistia e que as coisas devem ser mantidas como estão, não acredito que alguém que faz defesa de modelos econômincos excludentes tenha boa vontade com a justiça e a liberdade. Parabéns ao Celso Amorim que não se furtou de apresentar a defesa de um governo transparente, não há defesa das ações criminosas das Forças Armadas na ditadura militar e sim de um modelo que está tentando resgatar a verdade histórica, mesmo que modestamente. 

alê minas

- 2014-08-19 20:34:55

Peça demissão imediatamente, Miriam!

Se redima. Há muito vc vem trabalhando lugar errado. Diga que vc não sabia do "envolvimento" dos Marinho nisso tudo. A gente acreditará ok?

Vitor - Floripa

- 2014-08-19 20:15:58

mimimi

é muita baboseira, puro mi mi mi . Porque ela não entrevistou o Jobim ou algum outro ministro do tucanato? Esperou 30 anos para contar?  O objetivo da Miriam (não a cobra) é envenenar o governo trabalhista.  

Renato Ferreira Lima

- 2014-08-19 20:13:11

Os novos covardes

Grande parte dos comentários aqui publicados beira,... o quê? Não sei. Falta de respeito? Preconceito? Fanatismo? Talvez tudo junto.

Uma história forte foi publicada aqui. A história de uma pessoa, de um ser humano.

Assim como de tantas Dilmas, Dirceus, Genoinos, Gabeiras, tantas pessoas que se viram privadas do mais elementar dos direitos de uma sociedade moderna: o direito à integridade física e psicológica. Todos, sem exceção, foram reduzidos a um corpo nu, indefeso, atacado, violado. Não existe solidão maior do que esta: o indivíduo nu, indefeso contra uma instituição.

Os que aqui atacam só o fazem por estarem protegidos pela distância dos megabytes. Covardia igual à dos que atacavam protegidos pela impunidade do verde oliva ou, mesmo hoje, na impunidade garantida dos tribunais. São os novos covardes e não tenho dúvidas que, investidos do poder, não fariam diferente do Dr Pablo e seus asseclas. E depois, como covardes que são, se esconderiam no famoso "mas eu só cumpria ordens". São os novos covardes. Que Deus proteja este país de vocês.

Paulo Figueira

- 2014-08-19 19:45:40

Maria Carolina. Não houve

Maria Carolina.

Não houve guerra civil, houve uma pequena reação armada a um regime autoritário que violou a constituição e o estado democrático de Direito, todos os povos tem o direito de se defender de um regime tirano.

Quem promoveu ditaduras no Brasil e na América Latina não foi o comunismo e sim os EUA, eles patrocinaram, articularam e deram sustentação aos golpes militares.

As Forças Armadas tem o dever de abrir seus arquivos e ajudar a esclarecer as atrocidades cometidas, o Governo Brasileiro já inclusive indenizou várias vítimas, quem até hoje não se desculpou e procura colocar obstáculos à elucidação dos casos de tortura, assassinatos e desparecimentos são as Forças Armadas, essa instituição só poderá ser olhada com respeito pela população quando vier a público admitir seus erros e revelar todos os acontecimentos sob sua responsabilidae.

Gerson Pompeu

- 2014-08-19 19:42:59

Hipocrisia sem limites.

Madame Leitão, por que a senhora foi trabalhar e continua trabalhando justamente na empresa jornalística que mais se beneficiou e apoiou a ditadura e, consequentemente, as torturas?

 

Atração pela lama?

Daytona

- 2014-08-19 19:42:57

A jornalista da Rede Globo,

A jornalista da Rede Globo, organização que foi uma das principais apoiadoras do golpe e sustentadoras da ditadura, e o ministro do governo que implantou a CNV,sob os protestos da Rede Globo.

Selmar Salles Teixeira

- 2014-08-19 19:29:27

História completa

Em primeiro lugar, este assunto de tortura é bastante duvidoso.  Todos os militantes eram orientados por seus chefes a denunciarem torturas, caso fossem presos.  Aliás, hoje, os criminosos fazem igual.  Mas é preciso dizer que o movimento de 64 se fez sem que fosse disparado um único tiro.  Não morreu ninguém até meados de 66, quando um atentado dirigido ao então candidato à presidência Costa e Silva acabou vitimando um jornalista e um militar, no aeroporto dos Guararapes, em Recife.  Foram os comunistas que iniciaram os assassinatos que tatalizaram 120, muitos deles a sangue-frio.  Isto, a Comissão Nacional da Verdade(?) se negou a investigar, contrariando a lei que a criou.  Vejam bem, em dois anos anos do movimento de 64 não morreu ninguém.  Em igual período, os ídolos de nossos "democratas" (Fidel Castro, Raul Castro e Che Guevara) já haviam fuzilado 15 mil opositores (não eram terroristas) no tristemente célebre Paredón.  A violência gerou a represssão. Ambas são lamentáveis.

Marcelo Correa Quaste

- 2014-08-19 19:13:44

Miriam Leitão.

No mínimo curioso.
A empresa para a qual ela trabalha foi um dos maiores alicerces da ditadura.
Seu presidente, Roberto (aaarrrrghhhhh!!) Marinho era amigo de generais, torturadores e financiadores do regime militar. Que esteja ardendo no inferno!
Os filhos puxaram o mesmo caminho. A esta emissora não interessa o desenvolvimento da nação tampouco o crescimento do brasileiro como cidadão.
O que Miriam Leitão faz em um antro destes?

Branca Teresinha

- 2014-08-19 19:11:59

Tendencioso

A matéria é tendenciosa ao tentar mostrar Amorim gaguejante. O que é isso Cunha? Amorim falou como ministro não como perseguido político. E deixou claro que o que aconteceu foi crime. O que você queria Cunha? Um folhetim escandaloso de um ministro? Por que Miriam não entrevistou os miltares envolvidos ? Porque o objetivo dela era incendiar a entrevista para cair no colo do governo. Amorim agiu corretamente livrando-se diplomaticamente da casca de banana que ela estendeu para ele. Só Cunha não viu, não entendeu, não ouviu. Não sabia que agora passou a defender os que se aliaram às forças que praticaram o que denuncia. Está faltando seriedade.

Carlos Alberto Alves Marques

- 2014-08-19 19:04:50

Não conhecia esse lado tão

Não conhecia esse lado tão dramático da história pessoal da Miriam Leitão. Certamente vou passar a vê-la com mais benevolência, a despeito de ela hoje se encontrar associada à histórica ação nefasta da imprensa tradicional, da oligarquia midiática sempre em atividade de sapa a qualquer projeto político interessado na sorte dos eternamente excluídos da sociedade.

figueiredo

- 2014-08-19 18:52:44

É isso aí. Falou tudo!!!

É isso aí. Falou tudo!!!

José Valente

- 2014-08-19 18:51:55

Qual é a Cobra

Difícil saber qual a cobra devemos identificar, se a cobra Mirian do Milico ou a cobra Mirian Porquinho, da ditadora Globo.

MARIA CAROLINA

- 2014-08-19 18:48:16

Forças Armadas e Governo

Acho que nenhum regime ou governo, por qualquer que seja a justificativa, tem o direito a torturar cidadãos, mas foram tempos nebulosos, de guerra civil, de crescimento de um regime ditador e cruel pelo mundo que é o comunismo, em que ambas as partes erraram.

Acho que a Comissão da Verdade tem que apurar a história sim, mas de todos os ângulos para que esses erros não se repitam, porque o regime militar teve muito apoio da população, que temia o Comunismo, e o povo tem que saber escolher o que apoio e até onde pode apoiar algo.

Só não entendo porque as pessoas falam dos militares como se eles não pertencessem ao governo. Os militares daquela época já morreram ou estão aposentados e os novo militares são meros servidores do GOVERNO, a quem devem obedecer. Então, se alguém tem que pedir desculpas aos torturados é o próprio GOVERNO, representando o POVO que permitiu e apoio esse regime militar por muito tempo e mais, muitos POLÍTICOS que estão hoje no governo faziam parte desse regime militar, ao contrário dos militares que hoje trabalham para defender o país, são desvalorizados e apontados como responsáveis por algo que não são.

NMJr

- 2014-08-19 18:01:03

Comissão da verdade? verdade?

Não defendo a tortura como meio de obtenção de confissão, nem tampouco vou dar status de herói para aqueles que apoiaram movimentos armados dentro do Brasil.

É sabido que a luta armada não queria apenas lutar contra o regime militar, mas sim implantar uma ditadura bem mais sangrenta, copiada de Cuba, China, Camboja e outros países comunistas. Não era a democracia que estava em jogo, com certeza. Não vejo democracia nenhuma no PC do B. Aliás, em partido nenhum.

Também não concordo que se utilize de meios de terrorismo para lutar pelos seus direitos, como fizeram os movimentos de luta contra a ditadura militar. Errado por errado, estão os dois lados, cada um com sua culpa e devidamente anistiados.

As vezes me pergunto: o que um movimento importado de países comunistas com ditaduras autoritárias poderia trazer de bom para um país com o Brasil? Acho que serviu para colocar brasileiros contra brasileiros e provocar a tomada emergencial do poder pelas FFAA. Já pensou se as FFAA não tivesse combatido o comunismo, o que nós seríamos hoje? Será que o regime militar endureceu sem motivo algum, por puro sadismo? Porque o PC do B não pede desculpas ao Brasil pelo movimento de guerrilha implantado no Brasil?

Prefiro o cantor Amado Batista que foi mais sincero e razoável ao admitir o erro de sua juventude. Gostaria de que a comissão da verdade apontasse todos os crimes cometidos pelo Estado e pelos militantes dos movimentos contra a ditadura. Seria mais transparentes. Agora, apurar os erros de apenas um lado é, no mínimo, injusto. 

Assim como a tortura não é permitida, sair pixando muro com frases onde há apologia a guerrilha e ao terrorismo também não é correto. Se a Miriam Leitão estivesse apenas estudando e trabalhando, com certeza, não teria sido presa e torturada... 

Rogerio Maestri

- 2014-08-19 18:00:35

Tudo bem, eu acho que a

Tudo bem, eu acho que a Miriam Leitão tem todo o direito de procurar exorcizar o seu passado e exigir desculpas da instituição, pois mesmo que a maior parte desta não fazia parte dos interrogatórios e torturas poucos faziam algo para minorar isto.

 

.

 

Lembro-me que num depoimento de Prestes ele falava que quando estava preso ele não podia receber nenhuma informação do exterior, entretanto mesmo assim de tempos em tempos ele recebia por baixo da porta pedaços de jornais que lhe ajudavam manter a sanidade.

 

.

 

Agora acho que ela pertencendo a Globo, poderia neste meio de comunicação falar um pouco sobre isto tudo, não falar da tortura, pois isto é desagradável e nenhuma pessoa que sofreu gosta de relembrar, mas sim falar significado do governo militar e do que isto levou as pessoas.

 

.

 

Ou seja, não adianta ela descarregar o seu ódio (se os fatos forem verdadeiros é perfeitamente justificável) no ministro que apesar de ensaboado não tem nada a haver diretamente com o passado, mas talvez deva procurar passar a sua experiência para o público em geral para que coisas do tipo não aconteçam mais.

 

.

 

Agora há algo importante, até os dias de hoje não existiu nenhum ministro, presidente ou qualquer um que seja, em todos os governos da república que encarassem dentro do ordenamento jurídico atual as forças armadas, este laxismo pode custar caro, pois para as forças armadas com uma rígida estrutura de comando o excencial é o respeito a hierarquia e quem manda tem que mandar e não pedir um favor.

 

.

Tô de Olho no Senhor

- 2014-08-19 17:54:25

Só se for no "circo".

Só se for no "circo".

leandro C Justino

- 2014-08-19 17:46:11

Faltou uma pergunta: por que

Faltou uma pergunta: por que ela não entrevistou o senhor Roberto Marinho (quando vivo)  e perguntu o motivo das oganizações Globo terem apiado a ditadura, durante o período em que foi torturada?? Por que esperou quase 30 anos para, só agora, fazer estas perguntas a um Ministro que não teve qualquer ingerência sobre tais atos? É mórbida a estratagem da Globo,  de usar uma ex-torturada, e hoje lacaia, para expor suas cicatrizes em época de campanha, numa clara tentativa de sujar a imagem do governo e tentar associá-lo às nojeiras praticadas pela Globo e seus  cúmplices de uniforme verde oliva.... 

José Carlos Fix

- 2014-08-19 17:36:37

TODOS QUEREM ALGO DO "GOVERNO"

Pensei justamente isso: ela quer um pedido de desculpas dos militares, mas será que já obteve algum tipo de escusa da própria Globo, que defendeu abertamente aquele regime?

 

Lionel Rupaud

- 2014-08-19 17:33:50

O texto é hipócrito e tosco:

1 - hipócrita: por que já se foram 29 anos desde a tal "redemocratização", e é só neste governo atual (Dilma Roussef que também foi torturada Sra. Leitão) foi aberta a caixa de Pandora da tortura como política de estado nos anos da ditadura. Pegar no pé de um ministro do governo Dilma é gostoso para agradar o patrão que obviamente, até a Amazônia azul sabe, nunca teve nada a ver com a tal "ditabranda" dos colegas de profissão!

2 - tosco: por que usa o nome, uma foto e uma frase do general de Gaulle como todo bom leitor da veja que se acha culta depois de tanta demonstração de cultura, mas usando o nome poderia ter contado que o tal general (de duas estrelas a título provisório como gostavam de lembrar os militares "de verdade") teve duas vezes na sua história política a chefia do governo num momento de perda de honra das forças armadas francesas. Vamos resumir:

2.1. no período final 1944 - 1946, como chefe do governo provisório ele teve como uma das suas metas reerguer a honra e a disciplina nas F.A.F., que carregavam a derrota vergonhosa de maio-junho 1940 (não por falta de material nem de coragem dos soldados mas por total incompetência da grande maioria do oficialato), a isso adicionado o fato vergonhoso de uma marinha que se auto-destruiu em Toulon depois de ter tido sua única batalha naval a Mers-El-Kebir contra os... Britânicos.

O que fez ele: criou mitos (Leclerc, Juin. de Lattre de Tassigny) e mandou o resto de baixo do tapete.

2.2. voltando á chefia do governo em 1958 em plena guerra da Árgelia (chamada eufemisticamente até 1962 de "eventos da Árgelia") ele tentou não oficialmente - por que a tortura, utilizada em escala industrial, junto com a eliminação física, os argentinos tendo sido mais tarde alunos aplicados -  limitar a extensão do mal e restabelecer a disciplina. No que ele falhou. Quando os mais amalucados dos militares se revoltaram contra ele ("Putsch dos generais"), e depois alguns entraram numa clandestinidade digno de organização mafiosa mas achando que recriavam a "Resistência", ele usou o fato para colocar sobre os revoltados todos os crimes das forças armadas, fazendo de conta que os que continuaram obedecendo ao poder democraticamente eleito eram todos "anjos". Só ler a biografia do general Massu, um dos que escolheram seguir a chefia, para ver o engodo que foi.

Não, nunca é fácil sair de uma enrascada com á das forças armadas brasileiras frente ao que sai da Comissão da Verdade.

Menos Sr Cunha!

leandro C Justino

- 2014-08-19 17:30:57

Mrian

Curioso: essa senhora diz ter sofrido na ditadura militar, mas dedicou (e ainda dedica, com unhas e dentes) a vida inteira a seus patrões, principais incentivadores e participantes ativos do golpe militar que a "torturou". Não faz sentido. Com todo respeito à sua dor, ela não tem legitimidade alguma para questionar o Ministro, sequer teria para tocar no assunto. Um contrassenso.

 

sandro cesar

- 2014-08-19 17:25:39

Incoerência

Soa estranho o que ela afirma porque é no mínimo um total contrasenso. Como alguém que foi torturada pelo regime militar pode trabalhar para uma empresa colaboradora do REGIME MILITAR? Para quem não sabe essa empresa chama-se REDE GLOBO DE TELEVISÃO. A pergunta que fica no ar é: "VALEU A PENA CASAR-SE COM O INIMIGO?". Responda essa para si mesma repórter.

maria rodrigues

- 2014-08-19 17:02:27

Todos que sofreram torturas

Todos que sofreram torturas nos porões da ditadura merecem respeito, e precisam esclarecer aos jovens o que foram aqueles anos de chumbo para que a verdade seja conhecida, e para que outros regimes como aquele não mais prevaleçam em nosso país. 

Para uma jornalista como Mírirm Leitão, após esse depoimento, a pergunta é: por que ela foi justamente ser empregada de uma das empresas de comunicação que tão bem exerceu o papel de torturadora, na medida em que participou ativamente da ditadura? Essa mulher, urubóloga, como dizem por aí, sempre criando factóides para demerecer os governos petistas, podia ter senso crítico e ver que ela, no minimo, é contraditória. 

 

Gregorio

- 2014-08-19 16:46:01

Mirian ( leitão ) Pig.

Sindrome de Estocolmo... Foi se apaixonar  logo por quem defendeu a ditadura... Pobre Miriam  .. E a Cobra... Que Cobra.. aquilo era uma largatixa........

Giusepe

- 2014-08-19 16:34:44

Concordo com vc.

Concordo com vc.

josé adailton

- 2014-08-19 16:32:23

O idealismo é eterno

Ditadura: Míriam Leitão conta como, grávida e nua, foi torturada com jiboia

http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br/2014/08/19/ditadura-miriam-leitao-conta-como-gravida-e-nua-foi-torturada-com-jiboia/

André LB

- 2014-08-19 16:05:32

 Que fique claro: ninguém -

 Que fique claro: ninguém - NINGUÉM - deve ser torturado. Não desejo isso nem aos Marinho. Nem a José Serra, ou ao Maníaco do Parque (a LEI deve cuidar de todos eles, e devem valer para todos).

  Mas... seria Miriam Leitão incapaz de perceber a ligação entre seus torturadores e seus atuais patrões? Nem estou falando de críticas ao governo petista, preferências políticas, nada, mas... qual o mecanismo psicológico que ML utiliza para escamotear isso?

  Tenho para mim que muita gente graúda por aí é psicopata graduada ou precisa de toneladas de drogas para dormir à noite.

Raymond Goodventure

- 2014-08-19 16:01:58

Miriam Leitão e sua versão confrontando os fatos.

O mais engraçado é que esta mesma vítima de prisões e torturas está a soldo dos golpistas de antão. 

Seus patrões, de longa data, não só apoiaram, como financiaram e foram por eles financiados nos mais de 21 anos da ditadura prolongados por Sarney.

Uma verdadeira inversão de valores. Daqui a pouco, veremos os torturadores como heróis e os torturados como insurgentes sanguinários.

Me façam uma garapa... Texto prá lá de mistificador e mentiroso.

Essa senhora, se algum dia teve lado, com certeza não foi o lado da Democracia e do povo brasileiro. 

Uma tentativa chula de tentar reescrever a História. 

ana s.

- 2014-08-19 15:48:02

3

três!

Pedro Penido dos Anjos

- 2014-08-19 15:35:03

O passado redime o presente

O passado redime o presente que condena!

janes salete

- 2014-08-19 15:30:41

O cinismo personalizado!

O cinismo personalizado! Miriam leitão, a ditadora e mentirosa atual, a urubóloga, cobrando, pra variar, do atual governo e não do congresso, respostas que nunca foram pauta na empresa ditadora que ela se escraviza e se submete sem um pio. Os valores estão muito esquisitos atualmente. Se cobra tudo de um único partido, de um único governo. Só na globo para ser tão vira-lata, que é quem os cria, na verdade..

 

Marcio Wilk

- 2014-08-19 15:26:03

A ficha , provavelmente

A ficha , provavelmente falsa, da Dilma foi publicada com estardalhaço e com nítida intyenção de marginalizar a Presidenta, já essa aí, emoldurada na sala da Mirião, a torna uma heroína. Báh! Não gosto dela e não compactuo com suas opiniões, na maioria das vezes mentirosas e levianas.

Gerson Luis Miltzarek

- 2014-08-19 15:25:00

metamorfose

Mais uma vez se comprova: aquele que foi de esquerda na juventude torna-se conservador na maturidade.

Pedro Penido dos Anjos

- 2014-08-19 14:58:22

Bincadeirinha, certo? Eu

Bincadeirinha, certo?

Eu assisti a entrevista inteirinha!

Brasileira

- 2014-08-19 14:57:37

É muito fácil elogiar a

É muito fácil elogiar a Jornalista e atacar o Ministro, acontece que os Militares não aceitam de jeito nenhum a responsabilidade deles nos crimes da ditadura , assim um jornalista respaldado pela Globo pode tudo já um Ministro abre uma crise miliar. É muito fácil ser corajoso quando não há grandes consequencias envolvidas, gostaria de ver ela mostrar toda a coragem dela falando sobre a sonegação da rede Globo, ai o que estaria em jogo seria o emprego dela, no outro dia, ou melhor no mesmo dia já não seria mais global!

Ivan de Union

- 2014-08-19 14:56:14

Dois!

Dois!

zé lima

- 2014-08-19 14:56:12

E por que a destemida, a impoluta, a heroína do PIG...

Que baboseira!

E por que a destemida, a impoluta, a heroína do PIG, não enfrentou os tais chefes de cada uma da três Forças para esgrimir suas indignadas perguntas?

Ninguém, poderia responder a tais questionamentos, de melhor forma do que aqueles que elaboraram as respostas à comissão sindicante.

É cinismo querer jogar essa bomba de efeito retardado sobre o colo do Ministro Celso Amorim, que a bem da verdade, nada tem a ver com tais malfeitos, e está sendo usado na condição de expiatório.

Seriedade, é um atributo nunca demasiado, entretanto, parece haver, sobejamente, quem não a valorize.

pedro costa

- 2014-08-19 14:56:02

Li até a metade, só para não

Li até a metade, só para não dizerem que eu não entendi o conteúdo; daí para a frente meu cérebro não suportou a tortura a que estava sendo submetido.

Correto

- 2014-08-19 14:53:10

[ A CNV não perguntou se as

[ A CNV não perguntou se as pessoas foram torturadas. Ela focaliza muito na destinação dos imóveis. Com esta pergunta, a resposta também sinaliza uma resposta formal. Não houve, não há registro formal de desvio de funcionalidade...]  Se tivesse u  contrato de aluguel do imóvel deixando claro que seria para servir como centro de tortura, é que haveria prova disto

pedro costa

- 2014-08-19 14:52:12

Miriam Leitão

Inadmissível qualquer tipo de tortura contra quem quer que seja, inclusive nos dias atuais. Daí a bajulação a essa senhora, que eu nunca soube que se manifestou (não vi, não ouvi, pode tê-lo feito) com tanta ênfase a respeito do assunto com outros Ministros da Defesa (Quintão, Viegas, Jobim, Álvares) que nunca fizeram nada a respeito e, agora, descarregar sobre o ministro Amorim, como se esse fosse o culpado de tudo e não tivesse uma biografia muito mais rica que essa funcionária da Globo elevada à categoria de mártir da Ditadura pelo articulista  (parece tirado da Wikipédia, antes dos terroristas do PT a alterarem) é, para mim, forçar a barra demais. É como se a torturada encarasse o seu algoz.

Luciano Prado

- 2014-08-19 14:37:33

Quanta baboseira...

Não deu para chegar até o segundo parágrafo.

 

luizcar

- 2014-08-19 14:27:13

Síndrome de Estocolmo ,,,

Depois de passar por tudo isso a Mirian está servindo aos seus algozes... Vai entender ...

Maria Luisa

- 2014-08-19 14:27:10

???

Surpreende tal artigo ter sido publicado no Observatorio da Imprensa. De uma agressividade e de uma imparcialidade, poucas vezes visto naquele site, ainda que  OI escorregue aqui e ali em seus artigos. Mas nesse nivel ? Como se Celso Amorim, porque hoje é chefe das FFAA, fosse responsavel pelos acontecimentos durante a ditadura. Se ha, hoje, Comissões da Verdade, é porque o governo de Dilma Rousseff teve a coragem de abrir essa caixa de Pandora. Desde a redemocratização, algum governo quis mexer com isso ? E Celso Amorim não tem que pedir desculpas pelo que fizeram os militares. De toda forma, tratar a Forças Armadas dessa forma, achando que eles vão condenar publicamente o que foi feito é, no minimo, desconhecer a historia das FFAA no Brasil. Um dia ainda teremos esse reconhecimento, mas vira, como diz Amorim, de uma outra geração.  

Paulo Vasconcellos

- 2014-08-19 14:26:25

Ótima matéria

Ótima matéria jornalística!

 

 

Usando o maneirismo adversativo da narrativa atual da editoria da Globo ,"mas"sabemos de que lado a "jornalista que sabe explicar" está.

Ataíde Coutinho

- 2014-08-19 14:17:34

Collor,Itamar,FHC ,Lula

Collor,Itamar,FHC ,Lula ,Dilma , e só agora ela lembrou de tomar satisfações com o comando militar ?

Marco Abi

- 2014-08-19 14:11:25

Aplausos de pé!

Miriam ainda é um poço de equilíbrio na grande imprensa brasileira.

Silvio Torres

- 2014-08-19 14:09:29

E porque hoje, Miriam, você

E porque hoje, Miriam, você apóia o lado que perpetrou essas barbaridades?

edna baker

- 2014-08-19 14:07:13

Passando o que passou na

Passando o que passou na ditadura, trabalha no jornal O Globo que exatamente deu a maior força para a instalação da mesma, "durma-se com um barulho desse".

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