19 de junho de 2026

A morte de Fuad Noman, por Luís Nassif

Em 1998, acabando o primeiro governo Fernando Henrique Cardoso, Fuad planejou uma série de seminários em várias federações de indústria

Conheci Fuad Noman quando ele era diretor da Brasilprev. Em fins de 1998, acabando o primeiro governo Fernando Henrique Cardoso, Fuad planejou uma série de seminários em várias federações de indústria – do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

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O formato era o mesmo. Começava com ele abrindo o seminário. Depois, o ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola falava do cenário macro. Na sequência, eu falava sobre produtividade e qualidade. Entrava alguém falando pelo Banco – em geral, Ricardo Sérgio que, depois, se enrolou com operações feitas para o cunhado de José Serra. E, finalmente, Fuad vendendo o peixe da Brasilprev.

Era final de ano e o cheiro da maxidesvalorização já se espalhara por todo o país. Era visível que a âncora dos juros não mais seguraria o câmbio. Mas Loyola colocava diversas planilhas para concluir que a MCM – a consultoria para a qual ele foi depois de sair do banco – previa um máximo de 6% de variação cambial em 1999.

Na minha vez, começava elogiando a apresentação de Loyola, seguido de uma alerta:

  • Levem em consideração que há muitos analistas, dentre os quais me incluo, prevendo uma maxidesvalorização a curto prazo. Portanto, cuidado, que uma decisão de vocês pode afetar radicalmente a vida de suas empresas.

De fato, poucos meses depois o câmbio explodiu.

Recebi e-mails de alguns empresários agradecendo pelo meu alerta.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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1 Comentário
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  1. vicente de paula gomes

    27 de março de 2025 10:02 am

    Fuad Noman era apenas um zero à esquerda. Pelo simples fato do seu falecimento ter ocorrido não concordo em transformá-lo em um gênio da administração pública e da política. Em tempo: seu substituto na PBH é outra nulidade. Deveria haver provas escritas para quem se candidatar a cargos públicos, inclusive em eleições.

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