10 de junho de 2026

Conselho da Alep propõe suspensão de Renato Freitas por ato em defesa da educação pública

Durante participação no programa TV GGN 20 Horas, parlamentar afirmou que seguirá na luta
Renato Freitas, deputado estadual pelo PT. Foto: Assembleia Legislativa do Paraná
Renato Freitas, deputado estadual pelo PT. Foto: Assembleia Legislativa do Paraná

Em um movimento que acende o alerta para a criminalização da atividade parlamentar, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) aprovou, na última terça-feira (1º), a suspensão do mandato do deputado estadual Renato Freitas (PT) por 30 dias. A acusação: suposta incitação a um protesto de professores dentro da Casa contra a privatização da educação pública.

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A penalidade, proposta pela relatora do caso, deputada Márcia Huçulak (PSD), ainda precisa ser avaliada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, posteriormente, pelo plenário. A defesa do parlamentar tem cinco dias úteis para recorrer. Caso o afastamento seja confirmado, Freitas ficará impedido de usar a tribuna, relatar projetos e exercer funções em comissões, incluindo a presidência da Comissão de Igualdade Racial, da qual é titular.

A representação se refere ao ato realizado em 3 de junho, quando manifestantes ocuparam o plenário da Alep em protesto contra o Projeto de Lei 345/2024, que institui o Programa Parceiro da Escola, transferindo a gestão de centenas de unidades públicas para a iniciativa privada.

A Assembleia relatou danos estruturais, como quebra de vidros, cadeiras e portas. No entanto, a defesa sustenta que o deputado não teve envolvimento direto ou indireto na organização do protesto.

“Censura escancarada”, denuncia parlamentar

Em pronunciamento nas redes sociais, Renato Freitas classificou o processo como uma “tentativa de censura” contra sua atuação combativa. “Eu denuncio tantos esquemas, trocas de favores, que não consigo ficar calado. Eu prefiro perder o meu mandato, porque sou só um empacotador de mercado, fazer meus corres, do que corromper o meu espírito”, afirmou.

Quem se condena é ela mesma [a relatora], como porta-voz dos interesses mais mesquinhos e desonestos da Alep. Eu não cometi nenhum erro. Pelo contrário, fiz o que todo parlamentar tem que fazer: lutei por educação pública e de qualidade”, escreveu nas redes.

Durante participação na, TV GGN 20 Horas, programa transmitido no YouTube nesta quarta-feira (2), o parlamentar reforçou sua disposição em continuar lutando: “Tem que ter pé na luta e pé no chão. A gente tem que ter fé na luta, acreditar, porque no final do dia a gente reúne energia e continua a caminhada. Antes da gente, outros vieram. Depois da gente, outros virão. A gente tem que ter consciência do nosso papel na escrita da história, no calor do tempo”, declarou.

“Silenciamento das pautas que incomodam”

Para o deputado Dr. Antenor (PT), membro do Conselho de Ética, o processo revela uma tentativa explícita de calar vozes dissonantes: “A quem interessa calar uma voz que denuncia injustiças? São pautas que incomodam, que doem no coração da gente. E ele, com coragem, tem exposto para nós”, disse.

Já a defesa de Renato, conduzida pelo advogado Edson Vieira Abdala, contesta a legalidade do processo. Ele argumenta que houve desrespeito aos prazos regimentais e mistura indevida entre análise preliminar e mérito da acusação: “Além de contraditória aos fatos, ela mistura fases processuais e conta os prazos erroneamente”, explicou.

Além disso, a própria CCJ discute a possibilidade de prescrição da representação. Caso reconhecida, o processo pode ser anulado, inclusive por via judicial.

Próximos passos

O presidente da Alep, Alexandre Curi (PSD), é quem decidirá quando pautar a votação final em plenário. Enquanto isso, Renato Freitas segue exercendo seu mandato e promete recorrer da decisão com base na Constituição e nos direitos parlamentares.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

3 Comentários
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  1. Anônimo

    3 de julho de 2025 12:43 pm

    Quer dizer que no Paraná lutar pela educação pública de qualidade dá suspensão a um deputado que foi eleito justamente para isso?? Temos que nos preparar porque se o Tarcísio resolver, são Paulo vai adotar esse exemplo!!!

  2. Rui Ribeiro

    3 de julho de 2025 1:36 pm

    Vdd esse bilete?

    “Que tempos são esses, quando falar sobre flores é quase um crime, pois significa silenciar sobre tanta injustiça?” – Brecht

  3. Rui Ribeiro

    3 de julho de 2025 1:39 pm

    “Que tempos são esses em que temos que defender o óbvio?” – Brecht

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