5 de junho de 2026

Políticos aliados de Bolsonaro têm chance 21% maior de compartilhar fake news

Estudo aponta que extremistas são os que mais publicam informações falsas na internet; alcance de mentiras é 7 vezes maior do que posts reais
Facebook é uma das plataformas usadas para o compartilhamento de fake news. Crédito: Marcello Casal jr/ Agência Brasil

Pesquisadores e professores constataram que apenas 0,01 em casa 100 postagens publicadas por políticos nas próprias redes sociais são inverídicas. Porém, o alcance deste tipo de publicação se mostrou significativo: fake news têm seis vezes mais engajamento e sete mais alcance em comparação a informações verdadeiras. 

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O levantamento analisou mais de quatro milhões de postagens feitas por políticos entre janeiro de 2018 e dezembro de 2020. Publicada no ‘Journal of Quantitative Description: Digital Media’, a pesquisa mostrou que os políticos publicam, em média, seis posts por dia. 

“Essas diferentes abordagens para detectar desinformação indicam consistentemente que o comportamento de compartilhamento de desinformação é uma atividade rara para líderes políticos no Brasil. O quadro geral é que, embora metade dos líderes políticos tenha publicado pelo menos uma informação errada, esta constitui uma pequena parte da sua atividade online nas redes sociais”, concluem os pesquisadores.

Extremismo

Em relação às informações falsas, o estudo mostra que os políticos mais extremistas são os mais propensos a compartilhar informações falsas. 

Na disputa eleitoral de 2018, quando Jair Bolsonaro (PL) e Fernando Haddad (PT) disputaram a presidência da República, os políticos que pertenciam à coalizão de Bolsonaro tinham 21% de chance a mais de produzir fake news. 

Um dos principais exemplos presentes no estudo foi um vídeo publicado pelo deputado federal Filipe Barros (PL-PR), em que atribui à gestão de Haddad (2013-2016) enquanto prefeito de São Paulo os programas Bolsa Crack e Kit Gay. Entre os aliados de Haddad, este percentual era de 10% 

“O alinhamento eleitoral com Bolsonaro é um preditor mais robusto de partilha de histórias falsas quando se utiliza a abordagem baseada em texto. No geral, as abordagens baseadas em texto e domínio capturam aspectos diferentes, mas complementares, da desinformação. O conteúdo identificado pela abordagem baseada em texto tem maior probabilidade de conter falsidades (como no conteúdo factualmente falso), enquanto a abordagem baseada em domínio deixa escapar grande parte do conteúdo falso, mas parece detectar conteúdo altamente tendencioso e hiperpartidário”, continuam os pesquisadores. 

Leia o estudo na íntegra, em inglês:

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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