
Jornal GGN – Maria Cristina Fernandes, colunista do Valor, escreve sobre o caso de Jorge Washington Blanco, um capoteiro (profissional que reforma bancos de automóveis) que foi confundido com um homônimo e interrogado pelo Ministério Público Federal dentro das investigações da Operação Lava Jato. Blanco recebeu com surpresa a intimação para depor na Justiça Federal, e seus filhos acreditaram que pudesse ser algo tipo de trote. Durante o depoimento, levou pouco menos de três minutos para que as autoridades percebessem o engano.
Segundo o Valor, o juiz Sergio Moro ligou para Blanco para se desculpar, mas o capoteiro não desistiu da ideia de processar o Estado por dano moral, mesmo sem receber como e com quais recursos. Para Maria Cristina, o episódio revela mais do que um mero descuido do Ministério Público. “Se a força-tarefa dedicou-se às minúcias dos grandes alvos, como os pedalinhos dos netos de Lula, não parece justificável que despreze os grandes transtornos causados na vida de pequenas – e equivocadas – vítimas”, afirma. Leia mais abaixo:
Do Valor
Maria Cristina Fernandes
Jorge Washington Blanco foi eleitor de Marina Silva e Aécio Neves na disputa presidencial de 2014. Votou em Luiz Inácio Lula da Silva a última vez em 2002, antes mensalão. Reforma bancos de carro desde criança, quando começou a trabalhar na capotaria do avô. Com a pequena oficina, no bairro de São Geraldo, bairro pobre na zona leste de Belo Horizonte, criou seus dois filhos, hoje adultos, e chegou a tirar R$ 4 mil por mês. Com a recessão, os ganhos caíram pela metade.
Na noite do dia 26 de fevereiro, Blanco tinha acabado de chegar em casa, vindo da oficina, quando um oficial de Justiça tocou a campainha e lhe entregou uma intimação para depor à Justiça. No papel, constavam apenas nome e sobrenome, herdado do avô espanhol, além do CPF. Os filhos suspeitaram de trote e ele disse ao oficial de justiça que deveria ser algum engano, mas Blanco foi convencido que não havia como resistir. “É aquele negócio do Cerveró, você tem que ir”, lhe disse o oficial de Justiça.
Nos sete dias que se seguiram, Blanco mal dormiu. Na sextafeira, 4 de março, no mesmo dia em que o expresidente Luiz Inácio Lula da Silva acordou com a força-tarefa à sua porta para leválo ao aeroporto de Congonhas, o capoteiro pegou um táxi para ir à sede do Ministério Público Federal, no centro da capital mineira.
Por videoconferência, ouviu calado o juiz Sergio Moro lhe dizer que, na condição de testemunha, estava comprometido a dizer a verdade sob pena de ser processado. Responsável pela inquirição, o representante do Ministério Público não passou da terceira pergunta. Blanco lhe informou a profissão, disse nunca ter trabalhado no banco Schahin nem tampouco conhecer [o ex-diretor da Petrobras ], Jorge Zelada.
Álvaro Noites
10 de março de 2016 3:33 pmNesta audiência ficou claro
Nesta audiência ficou claro também o tom desrespeitoso com que o juíz e os promotores trataram o “capotreiro”.
Cresceram para cima dele, comportando-se tipicamente como “carteiradistas”.
Moguga
10 de março de 2016 3:49 pmProcuradores inéptos é o
Procuradores inéptos é o mínimo que se pode dizer… isso quando não são uns psicopatas que se acham enviados por Deus.
Gabriel Moreno
10 de março de 2016 3:56 pmEstão instalando uma
Estão instalando uma mini-ditadura no país. Com o pretexto de combaterem a corrupção, estão perseguindo opositores políticos e atropelando qualquer regra. Se até um presidente da República tem seus direitos violados, imagina um cidadão comum, de origem humilde. O STF, o Conselho Nacional de Justiça e a presidência da República dentro de suas atribuições precisam tomar providências para interromper essas irregularidades, ou então o povo e a consciência democrática organizada irá interrompê-la, e não será algo exatamente bonito de se ver. Saudações.
C.Paoliello
10 de março de 2016 4:29 pmMaxi-ditadura
Considero uma maxi-ditadura de caráter policial e terrorista. Nenhum cidadão de bem está a salvo dela.
Roberto
10 de março de 2016 3:57 pmTom de voz de pessoa
Tom de voz de pessoa autoritária e arrogante.
Lionel Rupaud
10 de março de 2016 3:59 pmA Gestapo errava de pessoa as vezes,
mas isso não era problema o resultado final era o mesmo.
De qualquer forma a “vitima”, já que pobre é certamente eleitor dos capetas comunistas, portanto os paulistas de “bem” vão achar até positivo o evento.
P.S. Sra. Fernandes, empregada dos Frias e Marinho agora se preocupando com o que acontece com a patuleia, muito estranho!
Luiz FS
10 de março de 2016 4:07 pmSó por esta, já cabe a indenização por dano moral …
robson_lopes
10 de março de 2016 4:12 pmAlgo muito estranho, não
Algo muito estranho, não conseguem identificar um homônimo, uma operação que quer acabar com a corrupção no país foi incapaz de checar se a pessoa que intimaram era de fato quem deveria ser. Não de se estranhar que acreditem que o triplex de 215 m2 e sítio de Atibaia sejam do presidente Lula.
solle
10 de março de 2016 4:16 pmMoro e policia federal
Moro e policia federal padronizaram o modus operandi……..e quando se padroniza fica impossível corrigir alguma falha de execução.
Nosde
10 de março de 2016 4:21 pmÉ que leram no registro
É que leram no registro profissional que o Jorge mexia com bancos . . . .daí . . . . . .
Gilson AS
10 de março de 2016 4:32 pmEleitor de Aécio Neves
Eleitor de Aécio Neves ?
Coxinha pobre ?
Então mereceu passar por tudo que está passando, e ainda foi pouco.
Bruno Brasil
10 de março de 2016 5:13 pmPrecisamos parar com essa de
Precisamos parar com essa de desqualificar o voto alheio, ainda mais vindo de uma classe social que pretendemos defender e representar.
Creio que a pergunta correta a ser feita é: o que levou um indivíduo pertencente às classes menos favorecidas ter votado em Aécio Neves??
Gilson AS
10 de março de 2016 9:06 pmFácil, burrice !
Está
Fácil, burrice !
Está deixando ser enganado, manipulado e idiotizado.
Ela parece já ter passados dos 40anos, é só observar a sua vida e dos seus iguais hoje e há 14 anos , e fazer uma comparação.
O seu próprio trabalho pode ser um termômetro.
Pobre que vira coxinha é buro. Conheço muitos pobres, analfabetos, que são politizados conseguem ver a diferença da sua vida ontem e hoje.
Todo castigo para coxinha ainda é pouco
JB Costa
10 de março de 2016 4:37 pmPulou a eleição de 2006 por
Pulou a eleição de 2006 por que? Porque votou no Lula? Nem sei a razão da pergunta: afinal qual a relevância disso para uma questão que trata de incompetência e arrogância?
Fiquei chocado quando simplesmente, ao final, despediram o rapaz sem sequer um pedido de desculpas. Talvez pensassem com os botões dos seus “palitores(ternos)” bem cortados: “Esse abestado decerto não vai chiar. Deve ter achado até bom”.
Pois é. Agora tome processso e indenização que deve ser paga, não pelo contribuinte, mas pelos justiceiros incompetentes a jato.
Rosa Maria Anello dos Santos
10 de março de 2016 4:53 pmProcesso em Sérgio Moro e que
Processo em Sérgio Moro e que ele seja responsabilizado pela indenização, afinal ninguém está acima da lei, nem ele.
rdmaestri
10 de março de 2016 4:40 pmNão é por nada, mas estão lendo o que escrevo.
Escrevi um texto em que falava da necessidade deste juiz deixar de se achar deus e ter a humildade de se desculpar.
silvahenrique
10 de março de 2016 5:10 pmThis comment has been deleted.
João de Paiva
10 de março de 2016 6:21 pmMuito bem; e se fosse você a
Muito bem; e se fosse você a convocada para dar o depoimento? Escreveria um comentário este? Você é advogada? Juíza? Procuradora? Jurista? Operadora do Direito? Conhece tão bem o Direito, a ponto de afirmar que nenhum dos fatos enseja o pagamento de indenização por danos morais?
Digamos que você tenha respondido sim a todas as perguntas anteriores. Neste caso, faço-lhe a pergunta sobre a questão de fundo: Merecem ou não advertência autoridades policiais, do MP ou do Judiciário que são incapazes de conferir informações e fazer levantamentos, para se certificar de que a pessoa cujos indícios investigados levanta suspeitas, tem exatamente aquele nome e enderço, nº de RG, CPF, etc.? Expor um cidadão trabalhador ao constrangimento, na condição de suspeito ou investigado, forçando-o a depor perante um juiz, não faz dos agentes do Estado devedores em relação a esse cidadão trabalhador? Que reparo do Estado pode esse cidadão requerer? Antes de responder, coloque-se no lugar dele e pense como se tivesse acontecido com você; exerça alteridade, antes de proferir juízos.
silvahenrique
10 de março de 2016 7:09 pmThis comment has been deleted.
João de Paiva
11 de março de 2016 3:31 amVocê se prende a
Você se prende a tecnicalidades e desvia da questão real. Não se investigam nomes, mas pessoas. Por trás de um nome, há uma pessoa. Você quer justificar o erro dos procuradores e policiais que investigam e do juiz que convocou o trabalhador para prestar depoimento, sem que o necessário procedimento de checagem fosse realizado. Em jornalismo, a divulgação de notícia falsa é chamda de ‘barriga’ ou ‘barrigada’. Quando policiais e operadores do direito erram, temos de criticar com maior ênfase os erros, não relativizá-los. O espirito de corpo é tão deletério que permitiu a Cássio Conserino cometer o disparate de pedir a prisão do ex-presidente Lula, numa denúncia completamente inepta e técnicamente desprezível.
Deixe o corporativismo de lado. Desde quando apenas uma busca no e-CAC pode ser suficiente para ensejar uma intimação a um cidadão? A homonímia é relativamente comum; qualquer agente policial, do MP ou do Judiciário deve ter preparo e conhecimento suficientes, além de prudência, antes de expedir intimação para alguém. Essa negligência ou incompetência dos agentes acaba levando a erros judiciais graves; não são raros os casos em que pessoas foram presas (porque no Brasil se admite o absurdo de prender, antes de julgar, mesmo que não tenha havido flagrante ou outra razão legal a justicar o encarceramento), depois julgadas e condenadas por casos de homonímia ou porque o verdadeiro criminoso usou documento perdido ou furtado de outra pessoa. No meu comentário não está escrita a palvra escárnio, mas sim constrangimento. E este você não nega, porque óbvio.
O fato do trabalhador ter sido convocado como testemunha, e não investigado, não minimiza o erro cometido. Pois ele foi constrangido, logo que o magistrado disse que ele era obrigado a dizer a verdade. Constrangimento grave, já que ele sequer conhecia as outras pessoas supostamente envolvidas em atos ilícitos. Você minimiza e relativiza o erro judicial (e dos investigadores) porque está do mesmo lado do balcão que os agentes do Estado. Ponha-se no lugar do trabalhador; pense no que ele sentiu e passou. Exerça a alteridade; desça do pedestal.
O fato de erros judiciais e de investigação não implicarem nenhum tipo de advertência ou punição para os agentes do Estado faz com que arbitrariedades e erros grosseiros e primários como este, em que um capoteiro foi convocado a depor apenas por ter o mesmo nome de outra pessoa, sejam cometidos com grande freqüência. A maior parte dos despachos e dos mandados de prisão (cautelar ou preventiva) expedidos por sérgio moro está eivada de ilegalidades; o mandado para condução coercitiva do ex-presidente Lula é de ilegalidade flagrante, como vários juristas e mesmo o ministro do STF, Marco Aurélio Mello, já demonstraram de forma cabal.
Erro é erro. Ao classificá-lo como honesto você tira conclusão precipitada, com base em análise parcial, já que você parece ocupar função de operadora do Direito, como agente do Estado. E como sabemos o que não falta é artifício jurídico para que o corporativismo se imponha. Eu entendo tua posição, mas não concordo com ela.
silvahenrique
12 de março de 2016 12:37 amThis comment has been deleted.
João de Paiva
15 de março de 2016 1:16 pmNão confunda as coisas,
Não confunda as coisas, silvahenrique.
Lê os comentários que fiz e vê se neles há alguma afirmação para não se investigar. Na Constituição Federal, que deves conhecer muito bem, está escrito no Art. 5º , LVII – ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;
Pelo que dizes, este artigo da CF é um sofisma. E mesmo que o fosse, é uma Lei; e tu, como operador(a) do Direito, tens o dever de respeitar, cumprir e/ou fazer cumprir.
O que eu e muitos outros leitores criticamos é a forma açodada como foram realizados os procedimentos. A investigação cuidadosa e técnica, fazendo as verificações necessárias (antes de convocar o trabalhador, investigadores poderiam verificar o endereço de residência e trabalho, poderiam fazer sondagens e ouvir pessoas da vizinhança, dentre outros procedimentos), para se certificar de que a pessoa é aquela sobre a qual há suspeitas e cujos atos e fatos em que agiu merecem ser objeto de investigação.
Não posso aceitar que uma polícia técnica (como a federal) ou o MP se baseiem apenas no e-CAC para localizar pessoas e que diante de um caso de homonímia não tomem os cuidados e precauções devidos. Francamente, são inaceitáveis os argumentos que tens usado na defesa de um flagrante erro de investigação e judiciário.
Meire
10 de março de 2016 7:42 pmDireito não é favor, muito menos prêmio de loteria-engodo.
Ele ficou sete dias sem dormir direito ( isso significa que não confia no judiciário), pois quantas histórias existem, de inocentes pobres presos, e que tem a maior dificuldade em se livrar do erro de burocratas desonestos, indiferentes.
E apesar de pessoa simples, mas não bobo, com certeza já percebeu o caráter de politicagem da tal operação lava jato. Politicagem essa, que só os corruptos negam.
Ele estava preocupado, se seria usado como bode expiatório para livrar algum tucano.
Já que a lava -jato está tentando espalhar o terror, e como o judiciário ERRA E MUITO, fale você o que quiser pois está defendendo quem lhe paga. E ele, para entrar com um JUSTO pedido de indenização, não precisa de sua autorização, nem de seu parecer tendencioso.
Maria Silva
10 de março de 2016 8:03 pmCoisa de governistas??
De onde você tirou a ideia estupida de que isso é coisa de “governistas”?? Como assim “governistas”?? O homem nem é eleitor do PT?? E que história é essa de mega sena?? O juiz estabelece a indenização que achar conveniente e justa. Quem disse que a vitima vai receber a grana de uma mega sena?? Raciociniozinho torto, viciado, e ainda com o desfecho leviano: “instigado por governistas”. Seguindo sua logica, seu comentário deve ser coisa de oposicionista. Simples assim.
Maria Carvalho
11 de março de 2016 1:55 am…
E, se fosse com você o acontecido, o que faria?
Luciana Mota
10 de março de 2016 5:45 pmEsses caras pensam que nós
Esses caras pensam que nós somos os midiotas que cutuam o PIG?
Nós vimos a porra do vídeo!!!!
Não teve desculpa porra nenhuma!!!!
Luciana Mota
Wanderley Diniz
10 de março de 2016 5:58 pmempáfia
Vi o vídeo. Assim que notou a mancada, o capoteiro foi dispensado, secamente, pelas “otoridades”. Não houve , como seria natural e de boa educação, um pedido de desculpas pelos transtornos que lhe foram causados. Este só surgiu um dia depois, e creio que não por humildade, mas por que alguém deve ter chamado a atenção do poderoso juiz. Cabe, sim, ação por danos morais. Mas duvido que o capoteiro ganhe alguma coisa. Afinal, quem julgará será outro juiz…
Bernardelli
10 de março de 2016 11:46 pmAgora que ele sabe
Depois de ser pego pela PF, depois de ver o Lula pego como ele foi e com certeza deve saber que Marina e Aécio apoia o Moro o voto dele com certeza nenhum dos dois terão.
era republicana
11 de março de 2016 1:41 amo estado de exceção da
o estado de exceção da guantanamo de curitiba
tem direito a errar “excessivamente”….