Bolsonaro consegue a pior avaliação entre presidentes de 1º mandato em 100 dias de governo

Os mais pobres e menos escolarizadas predominam no grupo dos descontentes. Explicação está na economia que não decola e nas sucessivas crises envolvendo governo e a família Bolsonaro

Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – O Datafolha divulgou uma nova pesquisa sobre a avaliação do governo Bolsonaro, e os dados não favorecem o mandatário que assumiu ao poder há cem dias.
Segundo o instituto, 59% da população ainda acredita que ele fará uma gestão ótima ou boa. Por outro lado, 30% consideram o governo ruim ou péssimo. O levantamento mostra também que 32% consideram o governo ótimo ou bom, e 33% regular. Apenas 4% dos entrevistados não souberam opinar.

O Datafolha ouviu 2.086 pessoas com mais de 16 anos em 130 municípios nos dias 2 e 3 de abril. A margem de erro é de 2% para mais ou para menos.

Os presidentes anteriores a Bolsonaro tiveram desempenho melhor nos primeiros cem dias de governo. Fernando Collor teve reprovação de 19% da população em 1990; Fernando Henrique 16%, em 1995. Luiz Inácio Lula da Silva foi mal avaliado por 10%, já Dilma Rousseff, por apenas 7% da população nos primeiros três meses de governo.

Ainda segundo o Datafolha, antes da posse 65% dos brasileiros esperavam que Bolsonaro fizesse um governo ótimo ou bom, 17% regular e 12% ruim ou péssimo. “Os índices já eram os piores entre os presidentes eleitos para primeiro mandato desde a redemocratização”, escreve Igor Gielow, que assina matéria da Folha de S.Paulo sobre o assunto.

Atualmente, 59% da população tem expectativa positiva sobre o governo Bolsonaro, 16% afirmam ter expectativa mediana e para 23% o governo será mesmo ruim.

A situação da economia e as sucessivas crises políticas explicam a pior avaliação de Bolsonaro entre seus antecessores. Praticamente em todos os dias, desde que assumiu, houve alguma notícia negativa a respeito de Bolsonaro e seu governo: o envolvimento de do filho Flávio Bolsonaro com as milícias do Rio de Janeiro; a suspeita de movimentação ilegal de dinheiro a conta de Fabrício Queiroz, amigo da família e ex-funcionário de Flávio; a contratação de parentes de milicianos nos gabinetes do próprio Jair Bolsonaro e de Flávio; a influência do escritor Olavo de Carvalho no governo, e na crise do MEC; os mandos e desmandos do próprio presidente na composição dos ministérios; a troca de farpas entre o Planalto e o Congresso; o escândalo das candidaturas laranjas; e a reforma da Previdência, são alguns dos pontos que vêm prejudicando a imagem da gestão Bolsonaro.

Enquanto isso, a economia não retoma o crescimento em ritmo suficiente para reduzir a alta taxa de desemprego que subiu, em relação ao trimestre passado, e está em 12,4%.

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Bolsonaro fez o que era esperado? Para a maioria não.

O Datafolha mostra ainda que para 61% dos entrevistados, Bolsonaro fez menos do que era esperado no cargo nesses 100 primeiros dias. Por outro lado, 13% consideram que ele fez mais do que era esperado e 22% afirmam que ele fez o que era esperado dentro do período.

Em comparação com Dilma e Lula, o militar do PSL fez menos pelo país, segundo os entrevistados.

Quando a mesma pesquisa foi feita no primeiro mandato de Lula (2003), 45% afirmaram que ele fez menos do que era esperado dele; 34% que fez o que era esperado pelo país; 12% que fez mais do que era esperado e 7% não souberam responder.

Já no primeiro mandato de Dilma (2011), 39% responderam que a presidente havia feito nos primeiros 100 dias menos do que esperavam dela; 37% que ela fez o que se esperava; 10% afirmaram que ela fez mais pelo país do que se esperava e 12% não souberam responder.

Mais pobres, mais descontentes

As pessoas mais pobres e menos escolarizadas predominam no grupo dos descontentes com a gestão Bolsonaro. Para os que ganham até 2 salário mínimos, 26% afirmaram que o governo Bolsonaro é ótimo e bom. Na faixa dos que ganham entre 2 e 5 salários mínimos, a proporção aumenta para 36%. Na faixa entre os que recebem entre 5 e 10 salários mínimos, 43% dizem que a gestão é ótima ou boa. Já para os que ganham mais de 10 salários mínimos, 41% afirmam que os primeiros 100 dias do governo Bolsonaro foram ótimos/bons.

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Por cor e por região

Os brancos ainda estão entre os que mais aprovam Bolsonaro (39%) contra os pretos e pardos que são os que mais desaprovam (29% para cada um dos dois grupos).

Por região, 30% da população do Sudeste considera o governo Bolsonaro ruim ou péssimo. Essa mesma avaliação fizeram 22% dos entrevistados do Sul, 39% dos entrevistados do Nordeste e 22% dos que foram ouvidos nas regiões Centro-Oeste/Norte.

Evangélicos e homens

A proporção de entusiastas do governo Bolsonaro segue mais alta entre o eleitorado evangélico (34% da população). Para 42%, o governo até aqui é ótimo ou bom, enquanto para 27% dos católicos (50% dos brasileiros) a gestão Bolsonaro está sendo ótima/boa.

O Datafolha mostra que a aprovação de Bolsonaro ainda é maior entre os homens (38%) em comparação às mulheres (28%).

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2 comentários

  1. Mas é claro que ele tem a pior avaliação. É o único que está tendo a coragem de reformar a fundo a previdencia social.

    Se um pai de família governasse a sua casa apenas de olho na popularidade em pouco tempo a casa entraria em colapso.

    Decisões difíceis não podem ser adiadas indefinidamente.

  2. Era de se esperar que esse energúmeno não conseguiria enganar por tanto tempo tantos idiotas que votaram nele.
    O sujeito é uma fraude política, intelectual e midiática.
    Fez campanha incitando violência e fazendo dedinho de arminha… Mas para governar isso não funciona.
    No governo, quanto mais ele fala, mais ele caga no seu mandato.
    Mourão se prepara para naturalmente assumir o governo.
    Boa sorte Mourão! Não concordo com tuas propostas, mas ao menos não és um débil mental entreguista como o imbecil e midiático presidente.

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