4 de junho de 2026

Como o Brasil conteve Bolsonaro e por que os EUA não conseguiram conter Trump

Fragmentação partidária, STF atuante e cálculo político do Centrão criaram barreiras que impediram a consolidação de um projeto autoritário
Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Flickr STF

A fragmentação partidária no Brasil impediu Bolsonaro de capturar totalmente o Legislativo, limitando seu poder.
O STF, liderado por Alexandre de Moraes, atuou contra ataques às instituições e a desinformação durante o governo.
As Forças Armadas rejeitaram ruptura por cálculo político, evitando golpe e preservando a democracia brasileira.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Há uma ironia difícil de ignorar: o país que saiu de uma ditadura militar há pouco mais de quatro décadas conseguiu reagir institucionalmente melhor a um presidente de vocação autoritária do que a democracia mais antiga do Ocidente.

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A eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, foi fruto de uma convergência explosiva: recessão econômica, desgaste profundo do sistema político, demonização da política impulsionada pela Lava Jato e radicalização digital. O cenário lembrava o que levou Donald Trump ao poder nos Estados Unidos.

Mas como lembra o site Vox em um longo artigo, o desfecho foi diferente.

O sistema que muitos criticaram virou barreira

O que limitou Bolsonaro não foi um surto de virtude republicana das elites nem uma mobilização popular constante ao longo do mandato. Foi, em grande medida, o próprio presidencialismo de coalizão.

O sistema multipartidário brasileiro — com um Congresso fragmentado e dependente de negociação permanente — impediu que o Executivo capturasse completamente o Legislativo. Ao contrário do bipartidarismo norte-americano, em que a disciplina partidária pode blindar presidentes, o Centrão não tinha compromisso ideológico com o bolsonarismo.

Tinha compromisso com orçamento, cargos e sobrevivência política.

Quando Bolsonaro tentou ampliar poderes por meio de decretos, interferir em políticas sensíveis ou tensionar os limites institucionais, o Congresso reagiu. Não por convicção democrática, mas porque um presidente forte demais reduziria seu próprio poder de barganha.

A lógica fisiológica funcionou como freio institucional.

STF: protagonismo e controvérsia

Se o Congresso impôs limites pragmáticos, o Supremo Tribunal Federal assumiu protagonismo decisivo.

Sob liderança de Alexandre de Moraes, o STF abriu inquéritos sobre ataques às instituições, enfrentou redes de desinformação, bloqueou investidas contra o sistema eleitoral e, após o 8 de janeiro de 2023, conduziu a responsabilização penal dos envolvidos.

Há debate legítimo sobre os métodos adotados e os riscos de concentração de poderes. Ainda assim, diante de um Executivo que testava os limites constitucionais de forma reiterada, o Judiciário optou por agir — e não por se omitir.

Essa escolha foi determinante.

O fator militar: cálculo, não conversão

O fracasso da tentativa de ruptura também passou pelas Forças Armadas. Parte do Alto Comando avaliou que os custos de um golpe seriam altos demais: isolamento internacional, sanções econômicas, instabilidade interna e ausência de apoio consistente das elites.

A democracia não foi preservada por conversão democrática dos quartéis, mas por cálculo.

A lição estrutural

O contraste com os Estados Unidos é revelador. Lá, o sistema bipartidário permitiu que Trump mantivesse forte controle sobre seu partido, reduzindo o espaço para dissidências internas e enfraquecendo os freios legislativos.

No Brasil, a fragmentação partidária impediu essa captura total.

O mesmo arranjo criticado por fomentar fisiologismo e corrupção criou incentivos para que atores políticos defendessem o sistema que garante sua própria sobrevivência.

A democracia brasileira não venceu por pureza institucional. Venceu porque sua engrenagem dispersa tornou difícil a concentração absoluta de poder.

Isso não significa estabilidade plena. A polarização permanece, o bolsonarismo continua socialmente ativo e o sistema político segue marcado por distorções estruturais.

Mas, no momento decisivo, as instituições funcionaram.

E isso, na história recente brasileira, é um dado político relevante.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. Sergio Santos

    19 de fevereiro de 2026 3:56 am

    … porque lá não teve um hacker e uma operação Vaza Jato, porque o candidato deles é bilionário, enquanto o daqui é miliCIonário,…

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