As graves interferências da Polícia Federal Rodoviária (PRF) contra eleitores de Lula são exemplos de como o bolsonarismo atua no Brasil atual e é uma das consequências das falhas na transição do país da ditadura do regime militar para a redemocratização.
As conclusões são dos comentaristas e especialistas que participam da live de apuração das urnas na TV GGN.
O reconhecido jurista Lenio Luiz Streck aponta essa conexão dos erros na ditadura para o que assistimos hoje. “Nós não fizemos a transição, e como não fizemos, os adversários, inimigos voltaram mais fortes, com métodos que nem na ditadura foram usados, a gente viu hoje.”
Segundo Streck, a Lei da Anistia, que perdoou torturadores juntamente com torturados do regime ditatorial, foi um dos grandes erros e heranças do país daquele período. “Ninguém pode dizer que não conheceu essa história toda [da Lei da Anistia], e perdemos, e podemos ter perdido hoje porcausa dessas coisas.”
Para a jornalista Helena Chagas, o PT deverá dar levar adiante a investigação e a responsabilização, pelas instituições e autoridades do Judiciário, sobre a interferência da PRF nos ônibus, principalmente no nordeste do país.
“Dialogando com o que disse o professor Lenio e com o que acaba de dizer a Gleisi Hoffman, que qualquer que seja o resultado da eleição, eles [PT] vão cobrar uma satisfação, eles vão cobrar processo em cima da PRF, sobre quem mandou, quem instrumentalizou [a decisão da polícia rodoviária], que foi o ministro da Justiça e o presidente da República, em última instância.”
Para o especialista em Mudança Social e Participação Política (USP/EACH) e em Relações Internacionais (FGV), Cesar Calejon, “ao invés de prender o candidato, tentaram prender os eleitores.”
“A partir disso, o que eu acho é que qualquer que seja o resultado e apesar de tudo, ainda é muito provável que quem vai ganhar é o presidente Lula, mesmo ganhando, eu acho que tem que haver uma pressão. (…) Não passar pano para esses criminosos. Não é possível. Porque nós temos que dar exemplo, para os nossos filhos, para os nossos netos, para a nação, para o país de que quem ataca a democracia é criminoso”, acrescentou Helena Chagas.
“Se nós formos para a conciliação com o bolsonarismo, com esse pessoal, nós daqui a 8 anos, 10 anos, vamos ter de novo um novo Bolsonaro, ameaçando a nossa democracia”, concluiu.
Rui
30 de outubro de 2022 7:48 pmO uso descarado da máquina pública pelo Bolsonaro para se reeleger e o abuso do poder econômico pelos empresários Bolsonaristas, com uma população empobrecida, desempregada, endividada e desesperada, explica a pequena diferença de votos em favor do progresso