Como surgiu o termo “feminazi” e por que ele deve ser erradicado

Hitler ascendeu ao poder posicionando-se contra o poderoso movimento feminista alemão. Ele fechou clínicas de planejamento familiar e declarou que o aborto era um crime contra o Estado. Feministas foram mortas ou tiveram de fugir do País. O termo feminazi é, além de pejorativo, "cruel e anti-histórico"

Foto: EP

No jornal La Vanguardia

Feminazi, a perda de prestígio das feministas que existe desde os anos noventa

Se uma palavra entrou no discurso antifeminista mais básico, é “feminazi”. Popularizado pelo locutor de rádio americano Rush Limbaugh no início dos anos noventa para se referir às feministas, segundo ele, “radicais”, especialistas rejeitam seu uso direto. Eles sustentam que essa palavra é usada para minar a influência do feminismo, atacando uma de suas demandas básicas que é a igualdade.

De acordo com o dicionário Oxford da gíria política americana, “feminazi” refere-se, pejorativamente, a uma feminista comprometida ou com “forte vontade”. Desde os anos noventa, muitos acadêmicos criticaram seu uso. Um dos últimos a fazê-lo em nosso país de forma contundente foi a promotora de violência de gênero Pilar Fernández.

Em uma entrevista de rádio, esta semana ele disse que “o termo é um selvagem porque envolve associar algumas alegações a comportamentos totalmente criminosos que não têm nada a ver. Esse discurso é aquele que deve ser erradicado , porque faz com que o problema se confunda e não enxergue a realidade”.

Além disso, há críticas, como a da jornalista e escritora Gloria Steinem, apontando que Adolf Hitler ascendeu ao poder posicionando-se contra o poderoso movimento feminista alemão. Ele fechou clínicas de planejamento familiar e declarou que o aborto era um crime contra o Estado. “É um termo cruel e anti-histórico”, afirma Steinem, que em um de seus livros destaca que feministas alemãs como Helene Stocker, Trude Weiss-Rosmarin e Clara Zetkin tiveram de fugir do seu país e outras foram mortas em campos de concentração.

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A Royal Spanish Academy (RAE) não incluiu essa palavra em seu dicionário, mas publicou uma explicação no Twitter que gerou controvérsia no verão passado. Depois de receber uma consulta através da rede, a RAE afirmou que “a palavra ‘feminazi’ (sigla para feminista “+” nazi) é usada com intenção depreciativa com o sentido de “feminista radical”. A resposta causou uma avalanche de críticas porque a explicação validou e legitimou uma palavra claramente pejorativa para as mulheres e o movimento feminista.

3 comentários

  1. A herança de Rush Limbaugh

    Rush Limbaugh e Glenn Beck são dois jornalistas conservadores que descobriram que poderiam ser campeões de audiência/leitura, explorando o discurso agressivo, o desrespeito aos adversários e à lógica, o revisionismo da história e a intolerância, notabilizando-se pela criação de neologismos ofensivos, tais como FemiNazi; ambos estão na origem do movimento Tea Party.

    No Brasil tiveram seguidores que lhes copiaram e imitaram o estilo… com êxito: Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi e Olavo de Carvalho foram os primeiros. Dessa geração surgiram muitos outros de menor, média ou quase nenhuma expressão.

    A agressividade e a invenção de neologismos constituía um estilo que mascarava as inconsistências do discurso conservador dessa geração. O “macaquismo/I>” indisfarçável.

    Com a internet, seus leitores e seguidores se sentiram em casa reproduzindo o discurso ofensivo e vazio nas seções de comentários dos blogs dos principais jornais.

    Dos três precursores, Reinaldo Azevedo foi aquele que se assustou com o monstro que haviam criado em divertida parceria. Há quem diga que sua ficha caiu quando foi flagrado em uma conversa telefônica com Andrea Neves da Cunha, irmã de Aécio.

    Sem renegar suas ideias conservadoras, Reinaldo agora, de incendiário se tornou bombeiro.

    A linhagem de jornalistas criados à imagem e semelhança dos três pioneiros estranhou e hoje o acusa de traição. Reinaldo, tal como o escorpião, lembrando a sua natureza, ataca com qualificativos tipo “a loira do banheiro”.

    Mainardi e Olavo chegam a tratá-lo com palavrões.

    Olavo e Limbaugh compartilham, além da paixão pelas armas, o proselitismo do hábito de fumar, talvez por macaquismo por parte do astrólogo.

    São seguidores dessa tchurma (“algumas poucas dezenas”, tal como confessado por Olavo) que tentaram aparelhar o MEC e que, aparentemente, segundo o choro recente do mesmo Olavo, está levando um bom pontapé na bunda.

    Olavo tem influência no meio militar. Seus ataques agressivos a generais podem estar respaldados por outros tantos generais.

    A briga é de foice e envolve muita grana que talvez possa ter uma explicação nesse artigo de Fernando Brito do Tijolaço:

    http://www.tijolaco.net/blog/guerra-do-olavo-guru-envolve-guedes-em-lobby-privado/

  2. Pode até ser, ms já passou da hora dos diversos movimentos feministas, de esquerda e de direita (sim isso existe!) fazerem uma pausa de arrumação e um balanço de resultados, como qualquer movimento, tendência ou partido político.
    O feminismo nasceu no movimento operário quando as condições de trabalho das mulheres já eram piores do que a dos homens, notadamente na indústria têxtil.
    Foi incorporado pela pequena e alta burguesias moralistas e religiosas americanas e se converteu progressivamente no que é hoje.
    O mundo todo nunca foi tão feministas. As praças públicas foram ocupadas por multidões de mulheres na Ucrânia, em Nova York, na Argentina e no Brasil, onde o #Elenão cobriu as cidades de protestos contra a possível eleição de um machista.
    Mesmo assim, ele e Trump foram eleitos, o aborto foi rejeitado pelo Senado argentino e a violência e discriminação contra as mulheres só aumenta.

    É urgente parar para pensar por quê. É preciso refletir porque as mulheres foraam incorporadas à guerra antes de eliminar a violência contra elas.

    A violência é um vírus que se espalha no ar e não pode ser isolado. O Brasil tem uma das maiores populações carcerárias do mundo e mais de 90% deles são homens. Sobre isso ninguém fala. Para ser melhor compreendida “cadeia” da violência deve ser analisada como um todo, para melhor proteger suas vítimas mais frágeis e desprotegidas.

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