Foi revelado nesta quinta (24) que o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro, que tenta a todo custo se descolar de Daniel Vorcaro, viajou em um jatinho que pertence ao banqueiro do Master, o mesmo que foi utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes e sua esposa. Mas o passeio de Flávio, no início de 2025, é só a ponta do icerberg. As investigações da Polícia Federal mostram que Flávio e seu amigo pessoal, o advogado Willer Tomaz (que também é dono do mesmo jatinho de luxo), têm ligações com figuras do Caso Master há muito mais tempo do que querem admitir. Tomaz, inclusive, está implicado no escândalo do INSS.
Embora negue conhecê-lo pessoalmente, Willer foi sócio de Vorcaro no jatinho de luxo, e também comprou um apartamento em São Paulo do cunhado e operador financeiro de Vorcaro, Fabiano Zettel, que está preso no escândalo do Banco Master. Há suspeita de que o imóvel tenha sido usado por Flávio durante campanha em São Paulo. Zettel é a pessoa que ajudou a operacionalizar o envio do dinheiro de Vorcaro para os EUA, para financiar o filme Dark Horse. A PF desconfia que parte dos milhões de dólares foi desviada para sustentar a vida de Eduardo Bolsonaro e família no exterior.
Willer Tomaz também comprou de outro sócio de Vorcaro na empresa Prime You (Maurício Quadrado) uma cota de uma mansão em Angra dos Reis, que foi emprestada a Flávio Bolsonaro em fevereiro deste ano para comemorar o aniversário de uma de suas duas filhas.
Segundo a PF, Willer Tomaz é suspeito de lavar dinheiro desviado no esquema do INSS, que atingiu aposentados com descontos indevidos. Ele teria atuado na lavagem de recursos ligados ao senador Weverton Rocha (PDT-MA), através de imóveis, empresas, aeronaves e outros operadores. “A Polícia afirma que a conta pessoal da esposa do senador, Samya, era considerada alternativa para o recebimento de valores elevados e que ela teria recebido mais de R$ 11 milhões de empresas relacionadas a Willer Tomaz em 2024”, apontou o G1.
Amigo pessoal de Flávio, Willer é o elo entre o senador e os dois maiores escândalos de corrupção descobertos nos últimos tempos. Os dois já fizeram outros passeios de jatinho juntos, incluindo um safari na África do Sul em março de 2025, dois meses depois da viagem aos EUA. Foi no âmbito das investigações sobre a fraude no INSS que a PF descobriu as provas da viagem de Flávio no jatinho.
O jato Legacy 650, de prefixo PP-NLR, está avaliado em mais de 16,5 milhões de dólares, ou seja, mais de 82 milhões de reais, e tem a propriedade formal em nome da empresa Fraction 024. Esta, por sua vez, tem uma estrutura dividida em três cotas:
- Uma pertence à empresa Alcazar Holdings, do advogado Willer Tomaz, o amigo de Flávio que diz ter bancado a viagem do senador no retorno dos EUA ao Brasil;
- Outros 33,3% pertencem a Laércio Cosentino, fundador da TOTVS, a maior empresa de tecnologia do País;
- A terceira cota era do empresário Gabriel Szlezynger Lacerda, da petroquímica Unigel, que vendeu para a Prime You de Daniel Vorcaro e outros sócios, em dezembro de 2024.
“A Fraction 024 também mantinha uma relação financeira direta com o Banco Master. Em uma comunicação ao Coaf, o Bradesco registrou que, entre setembro de 2024 e setembro de 2025, a empresa transferiu 7,6 milhões de reais ao banco de Vorcaro, em 36 operações. No mesmo período, fez outros 6,5 milhões de reais em pagamentos à Prime Aviation.” Ainda de acordo com a revista Piauí, o escritório Barci de Moraes Advogados chegou a estudar a compra de uma cota do mesmo jatinho, mas o negócio não avançou.
Relações antigas
Nesta quinta (24), o Estadão divulgou novos diálogos de Flávio com Vorcaro. O senador teria insistido em ligar para o banqueiro durante os 4 dias que antecederam sua prisão na Operação Compliance Zero, em novembro de 2025. Não há registro de que Vorcaro tenha atendido.
Segundo o jornal, a Polícia identificou que o contato via mensagens entre Flávio e Vorcaro teve início, pelo menos, em dezembro de 2024, mesma época em que a Prime You de Vorcaro comprou cota do jatinho de luxo. Mas há suspeitas de que a relação entre os dois seja ainda mais antiga, pois “a PF encontrou o histórico mais antigo de mensagens apagado. A investigação teve acesso somente aos três últimos meses de conversas entre os dois.”
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