Lula, Alckmin e o cenário de 2022, por Aldo Fornazieri

É preciso considerar que as eleições serão disputadas com radicalidade, com artilharia pesada contra Lula, com uso de todas as armas lícitas e ilícitas. É preciso evitar a arrogância ou a ingenuidade de que Lula já está eleito.

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Lula, Alckmin e o cenário de 2022, por Aldo Fornazieri

O meu desejo é que Lula formasse uma chapa como Boulos de vice. Mas, além de não ter relevância junto aos partidos, o meu desejo pouco tem a ver com a realidade política e eleitoral. O problema de muitas análises e formulações de representantes das esquerdas é esse: projetam como o correto e o verdadeiro aquilo que, sem consideração da realidade, coincide com seus desejos e ilusões. Não que seja proibido ter desejos e lutar por eles, mas é necessário submetê-los ao crivo da realidade, da pertinência, da ocasião, da razoabilidade e da viabilidade.

No debate da possível chapa Lula e Alckmin é conveniente evitar algumas coisas: não se deve nem acrescentar e nem diminuir defeitos e virtudes do ex-governador, pois ele é um político de conduta e de modo de proceder conhecidos; não se deve também apelar para o apoio que ele deu ao impeachment da Dilma, pois o PT já anulou esta interdição ao fazer alianças com partidos que apoiaram o impeachment. É improdutivo, ainda, brandir o argumento de que o ex-governador integrou o PSDB: O PT já fez alianças com os partidos do centrão e aceitou por duas eleições Michel Temer como vice de Dilma. Convenhamos: Temer já tinha muitos desabonos, muitos dos quais Alckmin não tem.

Parecem existir apenas dois critérios que poderiam interditar a aceitação de Alckmin como vice: 1) o critério do compromisso com a democracia, da recusa ao fascismo e à extrema-direita; 2) uma divergência programática insanável com o programa defendido por Lula, o PT e os partidos da coalização. Parece que os dois critérios não são impeditivos da constituição da chapa. Ademais, Alckmin não representa apenas a si mesmo, mas o PSB e, possivelmente, setores do PSD que simpatizam com a candidatura Lula. Se o PT quiser fazer a aliança e terá que pagar o preço da força hegemônica com concessões.

A discussão precisa ser posta no plano político e eleitoral. Aqui, algumas considerações precisam ser feitas. As eleições de 2022 se definirão num campo político e eleitoral de centro-direita. Lula já tem os votos de esquerda e não há como ampliar nessa banda. Precisa ampliar rumo ao centro e terá que buscar composições e articulações nesse espaço.

É preciso considerar também que se Lula chega forte nas eleições, este não é o caso do PT e das esquerdas em geral, que não fizeram grandes mobilizações de massas e tiveram a bandeira do impeachment de Bolsonaro derrotada. Há pouco acúmulo de mobilização e organização no campo popular e esta é uma condicionante da candidatura Lula.

Mas aqui é preciso evitar a idiotice da objetividade ou dos números das pesquisas. Uma pesquisa, por exemplo, mostra que Alckmin pouco ou nada acrescentaria a Lula eleitoralmente. Tomar essa pesquisa pelo valor de face é uma idiotice. Os números das pesquisas dizem pouco nesse momento. Devem servir apenas como uma das referências.

Ocorre que os representantes do centro e da direita e todos os moralistas sem moral, o udenismo espalhado nas mídias, nos mercados e no empresariado, tentam brandir o argumento da necessidade de evitar os polos extremados da direita e da esquerda – Lula e Bolsonaro. Isto pode ter impacto eleitoral na campanha. Uma composição com um vice de centro anula esse argumento.  

É preciso considerar que as eleições serão disputadas com radicalidade, com artilharia pesada contra Lula, com uso de todas as armas lícitas e ilícitas. É preciso evitar a arrogância ou a ingenuidade de que Lula já está eleito. A tendência é a de que se componha um cenário com vários candidatos de centro. A tese da unidade da terceira via é falaciosa. Os pretendentes sabem que é difícil evitar um segundo turno entre Lula e Bolsonaro, mas que não é impossível. O presidente tem muitas vulnerabilidades.

Além disso, eles não olham apenas para 2022, onde se vislumbra o favoritismo de Lula. Eles olham também para 2026, quando Lula, possivelmente, não seria candidato, mesmo vencendo no próximo ano. Quem conseguir projetar seu nome nacionalmente entraria com alguma vantagem em 2026. Não tem sentido imaginar qualquer composição entre Dória e Moro. Dória tem também a tarefa de lutar para manter vivo o PSDB e dar-lhe uma nova significação. Um partido que aceita ser vice não projeta poder e liderança. Simone Tebet também pode imprimir um novo sentido ao MDB. Além disso, seria salutar para a política brasileira se uma mulher disputasse a presidência.

A candidatura de Ciro Gomes, depois de seus erros de estratégia ao querer ocupar um espaço de centro-direita, luta para se reposicionar e tentar sobreviver. As pretensões de Rodrigo Pacheco parecem ter se afogado na sua conduta tíbia, na sua personalidade política frágil, ao se submeter aos desígnios de Arthur Lina nos episódios do orçamento secreto e da PEC dos precatórios.

Se Lula for eleito terá que governar com uma coalizão, integrando setores do centro, pois será difícil a centro-esquerda conquistar a maioria no Congresso. Bolsonaro não governou porque não tinha uma coalizão majoritária no Congresso. Em 2021 o centrão formou essa coalizão, não para garantir a governabilidade, mas para aprisionar Bolsonaro aos seus interesses.

Num país com tantas pluralidades e com tantos partidos é impossível governar sem uma coalizão presidencial majoritária. Mas o presidencialismo de coalizão tem degenerado em fisiologismo, corrupção e crises. Lula teria que reforma-lo: formar a coalização de forma transparente e pública, com um documento de explicite os critérios e os compromissos. A coalizão majoritária deveria ser menos elástica e mais compacta, evitando as arcas de Noé onde cabem todos os bichos.

Um possível governo Lula enfrentaria enormes desafios: a reconstrução do Brasil da destruição bolsonarista, a fome e o desemprego, reformas progressistas para reduzir as desigualdades, combate à sonegação, corrupção e privilégios e o início de um novo modelo de desenvolvimento governado pela égide da revolução ambiental.

Os avanços de um novo governo Lula com alianças ao centro dependeriam menos dos partidos e do Congresso e mais da organização autônoma dos movimentos sociais e de sua capacidade de mobilização. O PSOL e os parlamentares combativos dos partidos de esquerda e centro-esquerda poderiam formar um bloco progressista para ser a voz dos movimentos sociais no Congresso e junto ao governo. Lula vem afirmando que quer fazer mais do que fez quando foi presidente

Não existirão avanços significativos se os movimentos sociais e os setores excluídos não se organizarem e não lutarem por suas pautas e reivindicações. A organização e as lutas populares precisam ser o contraponto às pressões conservadoras das elites predatórias e no Congresso. Organização autônoma, pressão e mobilização, esta é a lição que os movimentos sociais precisam extrair dos limites dos governos do PT.

Aldo Fornazieri – Professor da Escola de Sociologia e Política (Fespsp).

Este texto não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN

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Luiz Mattos

- 2021-12-13 20:38:15

Bravo Jucemir !

Luiz Mattos

- 2021-12-13 20:36:36

Primeiro aviso que seu comentário já foi enviado ao Diretório Nacional do GLORIOSO PARTIDO DOS TRABALHADORES. Em seguida te digo que SUAS AMEAÇAS não metem medo. Vá você as ruas e tente algo e terá o que merece seu zézinho.

ze sergio/sorocabanoburaco

- 2021-12-13 16:25:22

Picolé de Chuchu e o Chefe da Quadrilha. Poderia haver cumplicidade maior na Formação de Quadrilha da Cleptocracia Brasileira? O coma paulista destes 91 anos, representado por Figura que dá sono só de olhar. Pode haver algo mais sonso que Picolé de Chuchu?! Formará a dupla perfeita com a Indústria da Miséria, da Seca, da Ignorância, do Atraso, do Analfabetismo representado pelo Nordestino, que é o algoz enquanto se fantasia de vítima do Fatalismo, que nada mais é que a Bandidolatria destes 91 anos de Estado Ditatorial Caudilhista Absolutista Assassino Esquerdopata Fascista. É o outro lado da moeda, que tem o mesmo significado e valor. Lobo em pele de cordeiro. A manutenção de suas Elites, seus Feudos. O Cidadão Brasileiro longe da sua Liberdade e da sua Representação. Sai na rua Lula !! E traz o Picolé junto. Queremos demonstrar o quanto tem de aprovação entre o Povo Brasileira. Não fique fazendo campanha entre Europa e EUA. Saia nas ruas !!! Quero ver se a Imprensa Marron, a Partidária, vai conseguir te proteger?! Saia na rua !!!!

jucemir r. da silva

- 2021-12-13 16:14:34

No debate da possível chapa Lula e Alckmin é conveniente assinalar uma coisa: se Lula escolher Geraldo Alckmin com vice, estará facilitando sobremaneira um cenário em que se poderia tranquilamente repetir um golpe como o de 2016. Nem careceria de derrubar presidente e vice. Bastaria impedir o primeiro - expertise não falta. Não sei se Fornazieri consegue perceber, mas Alckmin e Temer têm perfis muito parecidos. Os dois conjuntos de forças golpistas – o interno e o externo - permanecem ativos. Não se desfizeram. No plano interno, temos a mesma elite econômica, os mesmos grupos de mídia, as mesmas Força Armadas e, não bastasse, um STF piorado. No externo, o Império Estadunidense mudou de titular, mas não de interesses geopolíticos. De fato, a luta por tais interesses recrudesceu. Se o Império não hesita em perigosas e potencialmente catastróficas provocações bélicas à Rússia e à China, alguém acha que hesitaria em fornecer munição para mais um golpe nesta insignificância chamada de Brasil? Olhem ali pro Peru. Olhem pra Bolívia. Em menos de um ano de mandato, Pedro Castillo já enfrentou uma tentativa de impeachment. Na Bolívia, foi necessário colocar nas ruas quase um milhão de manifestantes para sustentar Luis Arce – presidente empossado há um ano e poucos dias. Alckmin de vice?... Onde seria montado o Acampamento Lula Livre II? Inda bem que não seria necessário comprar muito pano pra novas faixas. Bastaria aproveitar aquelas com FORA TEMER e FORA BOLSONARO, guardadas na garagem ou em algum quartinho. Uma tinta branca por cima e pronto: FORA ALCKMIN. Quem esquece história – seja a recuada, seja a recente – corre o sério risco de repetir as mesmas velhas cagadas.

Luiz Mattos

- 2021-12-13 10:51:43

Tenho memória e NAZISTA NUNCA!

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