5 de junho de 2026

O debate da TV Cultura para a Prefeitura de São Paulo

 

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Na noite desta segunda-feira a TV Cultura promoveu o seu debate entre os candidatos à prefeitura de São Paulo. Um encontro que começou prometendo ser quente, a partir da surpreendente pergunta inicial dirigida a todos os candidatos para que comentassem as razões da liderança de Russomanno nas pesquisas de intenção de voto. Mas que ao longo dos vários blocos acabou mostrando-se morno e pouco produtivo no sentido de uma discussão mais aprofundada dos problemas da cidade e das propostas para resolve-los, o que de resto tem sido a tônica destes encontros, nas diversas emissoras.

Como destaque, a desenvoltura de sempre de Soninha e a assertividade de Chalita, apesar dos escorregões aqui e ali que ambos tiveram em embates com oponentes nos blocos em que candidato perguntava para candidato. Soninha passa a imagem “gente como a gente”, parece aquela vizinha de prédio de classe média, sempre pronta a bater um papo e dar alguma sugestão para resolver algum problema do condomínio. Já Chalita realmente tem o domínio da comunicação televisiva, além da boa oratória provavelmente lapidada em anos de magistério. Serra e Haddad, por sua vez, não se saíram tão bem. E nos momentos em que se confrontaram acabaram sendo confusos nas perguntas e nas respostas. Parecem carregar o peso de suas pesadas estruturas partidárias e do desgaste que a polarização entre ambas encontra em grande parte do eleitorado, cada vez mais cansado e alheio às disputas entre PT e PSDB. Além disso são ambos debatedores muito racionais. Serra não foi empolgante em momento algum e Haddad mostrou-se engessado, tendo um desempenho abaixo daquele que havia tido no debate da Rede TV!, quando pareceu mais a vontade do que no primeiro de todos os debates, o da TV Bandeirantes. A lógica era que se saísse melhor neste terceiro encontro, mas isso não ocorreu.  

Por fim, Celso Russomanno. Um pouco pálido, bastante maquiado, gestos comedidos e fala lenta. Lenta até demais. Mais uma vez esquivou-se de perguntas e comentários polêmicos feitos por seus oponentes e, ao final, bateu novamente na tecla de que logo vai estar nas ruas novamente para ouvir as pessoas e ajuda-las a resolver os seus problemas. Pareceu querer dar a impressão ao eleitor de que estava ali, naquele debate, por mera obrigação, e que nada tem a ver com as disputas entre eles, os demais candidatos, preferindo tentar estabelecer uma conexão direta com nós, os eleitores. Diante de um debate chocho, morno e pouco propositivo, o 0x0 que se viu é goleada para Russsomanno. Por enquanto as coisas parecem estar dando certo para ele. Mas será que esse tipo de estratégia resiste a um 2º turno polarizado, quando o olho no olho não será com o eleitor num programa editado para o horário eleitoral, mas sim com um oponente único nos debates?

Wagner Iglecias é doutor em Sociologia e professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades de USP.  

 

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