A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República, confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após uma virada inédita sobre Flávio Bolsonaro (PL), desencadeou uma reação imediata da comunidade internacional. Em poucas horas, governos da Europa, da América Latina, da Ásia e do Brics vieram a público chancelar o resultado das urnas brasileiras, criando um escudo diplomático contra tentativas de contestação do pleito.
Respaldo da União Europeia e das potências do Brics
Líderes das maiores economias mundiais usaram redes sociais e canais oficiais para saudar a vitória do petista. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que “a democracia e o multilateralismo venceram no Brasil” e garantiu que a União Europeia continuará ao lado do país nos próximos anos.
Na mesma linha, o presidente da França, Emmanuel Macron, declarou: “Meus parabéns, Lula, pela sua reeleição. A França e o Brasil têm muito a construir juntos.” Já o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, apontou o desfecho como “uma grande vitória de Lula” e declarou que “a virada do progressismo global acaba de começar”.
A chancela estendeu-se aos países do Brics. A China, por meio do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, rechaçou questionamentos sobre o pleito ao declarar que “a China respeita a escolha do povo brasileiro”.
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, destacou o avanço das prioridades do Sul Global. Posição semelhante foi adotada pelo presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa.
O Kremlin comemorou a vitória do petista, destacando sua contribuição para o fortalecimento das relações bilaterais. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, também se manifestou: “Agradecemos ao Brasil pelo apoio inabalável à soberania e à integridade territorial da Ucrânia.”
Pragmatismo na América Latina
A consolidação do resultado no cenário regional contou com o aval de governos conservadores e progressistas. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, comemorou o desfecho: “Viva a democracia, o povo brasileiro venceu. Parabéns, presidente Lula”.
Na Colômbia, o presidente Abelardo de la Espriella, que havia feito campanha para Flávio Bolsonaro, rejeitou teses de fraude e defendeu a soberania do voto popular. “Na campanha presidencial colombiana, o presidente Lula apoiou abertamente Ivan Cepeda e eu ganhei. Na campanha brasileira, apoiei Bolsonaro e Lula ganhou. Nem Lula decide pelos colombianos nem eu decido pelos brasileiros. ¡DECIDE O POVO! E quando o povo se pronuncia nas urnas, sua vontade é respeitada porque é sagrada. ¡E nisso que consiste a democracia!”, afirmou o mandatário colombiano.
Dirigentes do Chile, Peru, Equador, Bolívia, Paraguai, Uruguai e Panamá também parabenizaram Lula de forma célere. A presidente peruana, Keiko Fujimori, ressaltou a intenção de fortalecer a “aliança estratégica, a integração, a cooperação e o desenvolvimento sustentável da Amazônia”.
A Organização dos Estados Americanos (OEA) chancelou o segundo turno, destacando o empenho cívico da população e o respeito aos valores democráticos.
Manifestações de ex-presidentes e aliados históricos
A conquista do quarto mandato presidencial motivou manifestações de antigos mandatários da região. O ex-presidente do Chile, Gabriel Boric, celebrou o resultado em mensagem pública: “Que alegria tão grande nos acaba de dar o povo brasileiro! Obrigado, velho querido, por nunca deixar de lutar, por sustentar a esperança de um mundo. Obrigado, presidente Lula, por seu compromisso com a humanidade. Nós te queremos!”. Boric encerrou a publicação com a frase “Com a esperança intacta…”.
Na Argentina, os ex-presidentes Alberto Fernández e Cristina Kirchner saudaram a reeleição. Fernández publicou um registro ao lado do petista e mencionou ter compartilhado a “tristeza de vê-lo preso e a alegria de vê-lo livre”. Kirchner afirmou que Lula “soube despertar em seus compatriotas o sentimento e o sentido necessários para vencer esta batalha”.
Da Bolívia, o ex-presidente Evo Morales referiu-se ao brasileiro como um “irmão de aura e companheiro de luta”, classificando a votação como uma vitória “bela e heróica”.
Silêncio na Casa Branca e pressão política
Em contraste com a ampla mobilização internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o mandatário argentino, Javier Milei, mantiveram silêncio e não emitiram felicitações. Nos EUA, o empresário Elon Musk e Donald Trump Jr. repercutiram postagens de aliados do candidato derrotado questionando a apuração. A indefinição de Washington já motivava apreensão no Congresso americano, onde parlamentares democratas cobravam do Departamento de Estado o compromisso incondicional com a transição democrática.
Logo após a apuração, o senador americano Bernie Sanders comemorou a vitória do presidente brasileiro nas redes sociais: “Parabéns a Lula por sua extraordinária vitória na reeleição para a presidência do Brasil. Lula defendeu os trabalhadores brasileiros e a democracia — e continuará a fazê-lo nos próximos quatro anos.”
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