O governo federal voltou a defender a redução da jornada de trabalho no Brasil e afirmou que o modelo de escala 5×2 — com cinco dias de trabalho e dois de descanso — já beneficia quase 30 milhões de trabalhadores formais no país.
A declaração foi feita pelo secretário-executivo do Ministério do Trabalho e Emprego, Francisco Macena, durante entrevista à TV Senado nesta sexta-feira. Segundo ele, cerca de dois terços dos trabalhadores formais brasileiros já atuam nesse regime, enquanto aproximadamente 15 milhões ainda permanecem na escala 6×1.
O debate ocorre em meio à pressão crescente por mudanças na legislação trabalhista e pela redução da jornada semanal para 40 horas sem diminuição salarial — pauta defendida pelo Ministério do Trabalho e setores sindicais.
Governo quer ampliar redução da jornada
Segundo Macena, o objetivo é fazer com que a escala 5×2 deixe de ser privilégio de parte do mercado formal e se torne padrão para mais categorias profissionais.
O secretário afirmou que setores com características específicas, como saúde, comércio e atividades embarcadas, poderão manter modelos diferenciados por meio de negociação coletiva.
O Ministério do Trabalho sustenta que a redução da jornada pode trazer ganhos econômicos e sociais, incluindo diminuição do absenteísmo, redução de doenças relacionadas ao trabalho e aumento da produtividade.
Durante o debate, Macena citou estudos da Fundação Getulio Vargas indicando que empresas que adotaram jornadas reduzidas registraram melhora operacional e crescimento de receita. Segundo ele, 72% das empresas analisadas tiveram aumento no faturamento após mudanças na carga horária.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou força nos últimos meses, impulsionada por movimentos trabalhistas, sindicatos e parlamentares ligados à base do governo.
O tema também passou a ser tratado como parte do debate sobre qualidade de vida, saúde mental e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, já declarou apoio à redução da jornada semanal para 40 horas e pediu ao Congresso a aprovação de projetos relacionados ao tema.
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