Estudo mostra quais cidades brasileiras “importaram” coronavírus

A identificação dos locais de difusão do vírus seria "fundamental para melhor coordenar ações de preparação, prontidão e resposta" à epidemia

Jornal GGN – Um estudo realizado por cientistas brasileiros e de outras nacionalidades indica quais capitais possivelmente importaram primeiro o coronavírus da Itália e de outros países que atravessam a epidemia de COVID-19.

De acordo com os autores, a identificação dos locais de difusão do vírus seria “fundamental para melhor coordenar ações de preparação, prontidão e resposta” à epidemia.

Quando o estudo foi concluído, apenas 7 estados brasileiros tinham casos confirmados. Agora, a doença se espalhou para 20 estados mais o Distrito Federal.

Além de São Paulo e Rio de Janeiro, que são as regiões que mais têm pacientes com coronavírus, Porto Alegre, Salvador, Curitiba, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Vitoria e Florianópolis foram os principais destinos de passageiros que chegaram da Itália, entre o fevereiro e início de março de 2019, o período estudado.

São Paulo e Rio de Janeiro também receberam passageiros da China, França, Suíça, Coreia do Sul, Espanha, Alemanha e Estados Unidos, países que também enfrentam a epidemia.

A partir do momento em que foi confirmado o primeiro caso de COVID-19 no Brasil, o governo Bolsonaro demorou 22 dias para suspender a entrada aérea de estrangeiros provenientes de países afetados. E apesar de ser o sexto país com mais pessoas contaminadas, os Estados Unidos foram excluído da medida restritiva.

O estudo estima que os passageiros da Itália possivelmente serão os responsáveis por 54,8% dos casos importados de coronavírus no Brasil, seguidos pelos viajantes da China (9,3%) e França (8,3%).

No período analisado, o Brasil recebeu mais de 841,3 mil passageiros de vôos internacionais, sendo que 46,1% desembarcaram em São Paulo, 21% no Rio de Janeiro e 4,1% em Belo Horizonte.

Leia também:  Para servir de exemplo, os planos de recuperação da Alemanha, por Luis Nassif

Mais da metade dos passageiros veio dos Estados Unidos (50,8%), seguidos pela França (7,9%). Em terceiro lugar é que está a Itália, com 7,5% do total de viajantes.

A pesquisa mostra, contudo, que não há relação entre o fluxo de passageiros e os casos de coronavírus, pois a rota que mais teve passageiro foi EUA-São Paulo (23,3%), enquanto a rota Itália-São Paulo está em terceiro lugar na pesquisa, com 3,4%.

Os pesquisadores fizeram o levantamento a partir da análise de todas as viagens aéreas que partiram de 29 países contaminados e que tiveram uma cidade brasileira como destino. A exceção são os vôos do Irã, por falta de banco de dados para análise.

Segundo o Ministério da Saúde, até quinta, 19 de março, 6 regiões (São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Pernambuco) registraram transmissão comunitária do vírus, aquela que dispensa o contato com pessoa que chegou de viagem ao exterior. Já são mais de 600 casos confirmado e 7 mortes.

Participaram do estudo Julio Croda, da Universidade Federal de Grandes Dourados (Mato Grosso do Sul), Ester C. Sabino e Nuno R. Faria, do Instituto Medicina Tropical, da USP, além de especialistas vinculados ao Ministério da Saúde e universidades e institutos no Canadá, Reino Unido e Estados Unidos.

Confira, abaixo, o estudo na íntegra:

coronavirus importação para o Brasil

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome