20 de maio de 2026

Ex-embaixador vê possibilidade de intervenção de Trump nas eleições 2026 no Brasil

Em entrevista exclusiva ao GGN, Roberto Abdenur levanta hipótese de guerra de Trump contra cartéis de drogas pela América Latina

Roberto Abdenur alerta para possível intervenção militar dos EUA no Brasil após ataque à Venezuela por Trump.
Ex-embaixador prevê guerra dos EUA contra cartéis na América Latina e possível influência nas eleições brasileiras de 2026.
Pressão dos EUA para bases militares no Brasil cresce, apesar da proibição constitucional sem aprovação do Congresso.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Um dos mais experientes e renomados embaixadores que o País já teve a seu serviço, Roberto Abdenur analisou, em entrevista exclusiva para o canal TV GGN, o cenário na América Latina após o ataque e sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelo governo do republicano Donald Trump nos Estados Unidos.

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Ex-vice-chanceler e ex-embaixador na China, Alemanha e EUA, Abdenur afirmou que “não é impossível” que Trump também volte suas forças militares contra o Brasil. Disse acreditar na “hipótese pessimista” de uma guerra de Trump contra cartéis de drogas pela América Latina. E advertiu também para a “possibilidade” de Trump tentar intervir nas eleições presidenciais de 2026 no Brasil, quando Lula tentará ser reeleito para um quarto mandato.

Na entrevista conduzida pelo jornalista Luís Nassif, na noite de sexta (9), Abdenur analisou a mudança na política de segurança dos Estados Unidos, com a Doutrina Monroe (‘A América para os americanos’) dando lugar a um sentimento de posse sobre todo o território por parte dos EUA.

“O ataque à Venezuela agora é muito grave porque a nova doutrina de segurança dos Trump prega que o hemisfério pertence aos EUA. Eles usam as palavras dominação e domínio para se referir ao que os EUA querem fazer na América Latina”, disse Abdenur. “E eu temo que setores da extrema-direita brasileira vão convidar Trump a intervir no Brasil”, acrescentou.

O ex-embaixador lembrou que Trump já interveio no País quando sancionou a economia brasileira, entre outros atos, na tentativa de livrar Jair Bolsonaro de julgamentos no Supremo Tribunal Federal. Quando viu que não deu certo, Trump acabou recuando e travando encontros bilaterais com o presidente Lula. O ímpeto de tentar influenciar os rumos políticos do país, no entanto, ficou patente.

“Ele já interveio no Brasil, e acho que, com um esforço indireto, talvez através das big techs, de fake news e campanhas de mentiras, ele possivelmente tentará influir no jogo eleitoral no Brasil, de modo a tentar ver como um eventual sucessor do Lula – isso se Lula perder – alguém que seja submisso aos EUA. Infelizmente, sabemos que alguns governadores de Estado que se apresentam como possíveis candidatos à presidência vão na direção de se colocar aos pés dos Estados Unidos”, disparou Abdenur.

Guerra pela América Latina

Roberto Abdenur ainda analisou que foi com ajuda dos EUA que as Nações Unidas foram forjadas e que o mundo assistiu a um período de 80 anos de relativa paz, ou seja, sem uma terceira grande guerra mundial. Mas com Trump ampliando consideravelmente o orçamento das Forças Armadas estadunidenses para R$ 1 trilhão de dólares, e outras movimentações na cena global, esse período de paz encontra-se ameaçado.

O ex-embaixador afirmou ao GGN que acredita na hipótese de uma guerra de Trump contra cartéis de drogas pela América Latina, após o ataque à Venezuela. O republicano já ameaçou Colômbia, México e até mesmo Cuba pode estar no radar.

“Trump está para começar a bombardear cartéis de drogas no México. Eu temo a hipótese de bombardeios, futuramente, a uma criminalidade muito grande [que encontra-se] descendo o Rio Amazonas do Peru e Colômbia, em direção ao Atlântico. É um pensamento pessimista. Talvez improvável. Mas não é impossível que ele se volte contra o Brasil também militarmente”, disse Abdenur.

No Brasil, o ex-embaixador frisa que há interesse de Trump na base aérea de Natal (RN), que os EUA expandiram durante a segunda guerra mundial, com anuência do Brasil, para bombardear o norte da África. “E querem também postos de controle, de comunicações, em Fernando de Noronha. Ora, nossa Constituição proíbe estacionamento de tropas estrangeiras no Brasil, a não ser com aprovação do Congresso. Mas isso mostra o nível das pressões. Mesmo que não tenham resultado, o fato delas se colocarem representa uma mudança muito grande na natureza das relações entre EUA e Brasil”, pontuou.

Ainda de acordo com a análise de Roberto Abdenur, a única forma de reforçar os freios e contrapesos aos próximos 3 anos que ainda restam de Trump nos poder, é uma vitória expressiva dos democratas nas eleições de meio de mandato. “Ele não vai instalar uma autocracia definitiva porque as instituições e a sociedade não permitem, mas ele governa como um autocrata. Os democratas, por enquanto, não têm poder de detê-lo. As esperanças estão nas eleições de meio de mandato, quando os democratas podem ter controle de pelo menos uma das Casas do Congresso. Isso poderá frear um pouco o Trump, mas não vai barrá-lo completamente.

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.
alvesscintiaa@gmail.com

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  1. LAURINDO LEAL FILHO (Lalo)

    12 de janeiro de 2026 4:02 pm

    No inicio dos anos 1970, estava em Londres para cobrir o grande prêmio de Fórmula 1 quando fui vítima de um roubo no hotel. Pedi ajuda da embaixada que designou o jovem diplomata Roberto Abdenur para me auxiliar. Foi rápido, eficiente e muito prestimoso, mantendo contato comigo mesmo depois da minha volta ao Brasil. Acompanhei de longe a sua brilhante carreira e fico feliz em revê-lo atuante, através do GGN, atento a difícil conjuntura política que atravessamos.

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